segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Vigilância e Prudência



Publicado em: 8/10/2015
Por: Silvio Dutra
Igreja Orgânica de Jesus na Abolição - Rio de Janeiro - RJ
25dutra@gmail.com
 

O propósito da vigilância é o de guardar, o de manter-se acordado e de pé ante tudo o que possa nos furtar ou arrancar da posição firme em que nos encontramos.
É exigido portanto daquele que vigia que esteja em atitude de alerta permanente, para que possa detectar os perigos que o rodeiam, e que não raro se encontram em seu próprio interior.
Outra atitude importante para o que vigia é a de prudência.
Sem prudência é impossível haver uma vigilância que seja eficaz.
A prudência nos leva a nos desviarmos do mal – a evitar o confronto direto em provocações incitadas pelo Inimigo para que percamos a nossa paz.
A vigilância requer também que sejamos sóbrios, porque como poderíamos vigiar eficazmente estando embriagados e com nossa capacidade de observação prejudicada por estados de consciência alterados?
Precisamos também ser disciplinados e criteriosos, para que sejamos determinados e constantes em nosso procedimento para preservar o bom depósito da fé que nos foi confiado por Deus para ser guardado.
E ainda necessitamos de sabedoria para discernir entre o que é bom e o que é mau; entre o que é correto e incorreto; entre o vil e o precioso, de forma a tomarmos as decisões adequadas a cada situação que somos chamados a viver.
Por se encontrar numa guerra constante, de muitas batalhas e sem tréguas contra os poderes das trevas, o crente, como bom soldado de Cristo, deve estar sempre vigilante em seu posto, de maneira a não livrar somente a sua alma como também a de muitos que se encontrarem na mesma esfera da sua atuação.
Esta é uma vigilância para usar com autoridade e poder todas as armas espirituais e componentes da armadura espiritual, quer de ataque (espada da Palavra de Deus, etc) ou de defesa (escudo da fé etc), sempre que for necessário.
Esta é uma luta para ser vencida de joelhos e em oração constante no Espírito Santo.
Se Pedro tivesse vigiado e orado conforme lhe ordenara o Senhor, ao preveni-lo de que Satanás havia pedido para cirandá-lo, em vez dormir como fizera na ocasião, certamente teria vencido a tentação de negar a Jesus.
E assim também nós necessitamos de vigilância e oração para não negarmos a Jesus não somente em nossas atitudes como em nossas ações, em relação aos mandamentos que Ele nos tem dado em Sua Palavra.
Necessitamos de vigilância para perseverar até o fim, e por isso somos alertados pelo Senhor a termos todo o cuidado e empenho e vigilância especialmente para que sejamos achados dignos de sermos arrebatados por Ele em sua volta.
Um grande peso de responsabilidade recairá sobre todos os crentes que ainda estiverem vivendo neste mundo por ocasião da proximidade do dia do arrebatamento da Igreja, porque são diversos os alertas da Palavra de Deus quanto à necessidade de santificação para que sejamos arrebatados.
Aqueles crentes genuínos, que por descuido em sua vigilância, deixarem de perseverar, ainda que não percam a sua salvação, todavia perderão galardões e a oportunidade de serem arrebatados, em razão da sua infidelidade para com o Senhor, e se cumprirá neles o que sucedeu às cinco virgens insensatas da parábola que não vigiaram para recepcionar o noivo em seu retorno.
Você pode ler os versículos bíblicos contendo destacadas as palavras
1 – gregoreuo (grego) – vigiar;
2 – nephaleos (grego) – vigilante, sóbrio, prudente;
3 – phronymos (grego) – prudente, cauteloso, sábio;
4 – arum (hebraico) – prudente;  

Relativas ao assunto, acessando o seguinte link: 
 


xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx


Visite os Blogs abaixos:

Veja tudo sobre as Escrituras do Velho Testamento no seguinte link:

livrosbiblia.blogspot

Veja tudo sobre as Escrituras do Novo Testamento no seguinte link:
livrono.blogspot.com.br 

A Igreja tem testemunhado a redenção de Cristo juntamente com o Espírito Santo nestes 2.000 anos de Cristianismo.

Veja várias mensagens sobre este testemunho nos seguintes links:
http://retornoevangelho.blogspot.com.br/ 

http://poesiasdoevangelho.blogspot.com.br/

A Bíblia também revela as condições do tempo do fim quando Cristo inaugurará o Seu reino eterno de justiça ao retornar à Terra. Com isto se dará cumprimento ao propósito final relativo à nossa redenção.

Veja a apresentação destas condições no seguinte link:
http://aguardandovj.blogspot.com.br/ 


Prosperidade e Progresso


  


Ao se falar de prosperidade dos crentes, deve-se antes de tudo se falar do progresso (prosperidade) do próprio Evangelho, porque a prosperidade individual de cada crente deve estar vinculada a isto, pois é assim que somos ensinados na Bíblia.

O grande interesse do crente deve estar focado no aumento do Reino de Deus, e é a isto que deve estar associado o seu interesse de crescimento pessoal.

Até porque qualquer tipo de prosperidade pessoal terrena ficará por aqui mesmo e não poderá ser levada com o crente depois da sua morte. Fazer da vida um investimento prioritário nas coisas que são visíveis e passageiras não é de fato uma opção sábia para um filho de Deus.

Jesus nos alerta sobre o perigo e o dano disto com a parábola que contou do rico que ajuntou em celeiros e era pobre para com Deus, e que repentinamente perdeu a sua alma, deixando tudo para trás.

Deveríamos então ser cautelosos com uma dita proclamação do evangelho que esteja centralizada tão somente em obtenção de prosperidade material, a bem do estado eterno de nossas almas.

Somos ordenados na Bíblia a crescer na graça e no conhecimento de Jesus (II Pedro 3.8) e nunca nas coisas que são terrenas e passageiras.

Somos ordenados a juntar tesouros no céu e não na terra.

Somos ordenados a não servir a Mamom e a não amar o dinheiro, porque este amor ao dinheiro é a raiz de todos os males.

Oséias 10.1: “Israel é vide frondosa que dá o seu fruto; conforme a abundância do seu fruto, assim multiplicou os altares; conforme a prosperidade da terra, assim fizeram belas colunas.”

Deus protesta contra Israel neste versículo do profeta Oséias quanto a que tinham usado toda a prosperidade material que haviam recebido para construírem belas colunas e altares aos falsos deuses. Há que considerar este aspecto de que se é tão comum fazer-se um mau uso de toda a prosperidade mundana que possamos alcançar.

O fruto que Israel dava como vide frondosa era riqueza material, pois foi somente isto o que buscaram, e como a abundância deste fruto era muito grande, multiplicaram a idolatria deles servindo àquilo que dominava seus afetos e corações.

Servir a Deus com os nossos bens e a nossa fazenda é um imperativo bíblico. Mas quantos estão efetivamente dispostos a isto, mais do que acumular para si mesmo?

Lembro-me ao escrever estas linhas de que há muitos anos atrás Deus me pediu que ofertasse o meu carro a um missionário que trabalhava em várias frentes de trabalho e que não tinha facilidade de se deslocar com sua esposa e filhos que serviam juntamente com ele, integralmente, na obra do Senhor.

Recordo como se fosse ainda hoje que o Senhor me disse que ofertar um carro era muito fácil, pois o que lhe interessava de fato era que eu lhe ofertasse a minha vida, que depositasse tudo o que tinha e sou em Suas mãos. Com lágrimas nos olhos pedi-lhe que aumentasse a minha fé para que o fizesse como convinha fazer.

Não importa para mim o quanto Deus possa me dar das coisas deste mundo, mas quanto eu posso lhe dar de volta cada vez mais do tempo e de todos os dons, até mesmo os espirituais, que ele me tem concedido. Convém que Jesus e a Sua obra cresçam e que eu diminua.

Somos informados que o crescimento (prosperidade) de Jesus foi o de ficar fortalecido em espírito diante de Deus e dos homens, e não que ele acumulou riquezas mundanas ou que andou buscando fama e aplauso dos homens para si.

Somos chamados a imitá-lo sobretudo nisto, a saber, a crescer em santidade pelo fortalecimento na graça.

Somos convocados a tudo fazer e buscar para a exclusiva glória de Deus.

Selecionamos várias passagens bíblicas em que podemos constatar claramente a qual tipo de prosperidade somos incentivados a buscar.

Você pode ler os versículos bíblicos contendo destacadas as palavras:

1 – eudoo (grego) – prosperar, progredir, ir bem;

2 – procope (grego) – progresso, avanço, proveito;

3 – procopto (grego) – avançar, progredir, crescer;

4 – auxano (grego) – crescer, aumentar;

5 – yatab (hebraico) – ir bem, prosperar;

Relativas ao assunto, acessando o seguinte link:

http://www.poesias.omelhordaweb.com.br/index.php?cdPoesia=128453


xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx


Visite os Blogs abaixos:

Veja tudo sobre as Escrituras do Velho Testamento no seguinte link:

livrosbiblia.blogspot

Veja tudo sobre as Escrituras do Novo Testamento no seguinte link:

livrono.blogspot.com.br

A Igreja tem testemunhado a redenção de Cristo juntamente com o Espírito Santo nestes 2.000 anos de Cristianismo.

Veja várias mensagens sobre este testemunho nos seguintes links:

http://retornoevangelho.blogspot.com.br/ 

http://poesiasdoevangelho.blogspot.com.br/

A Bíblia também revela as condições do tempo do fim quando Cristo inaugurará o Seu reino eterno de justiça ao retornar à Terra. Com isto se dará cumprimento ao propósito final relativo à nossa redenção.

Veja a apresentação destas condições no seguinte link:

http://aguardandovj.blogspot.com.br/ 


Silvio Dutra
25dutra@gmail.com
Igreja Orgânica de Jesus na Abolição
Rio de Janeiro-RJ

Publicado em: 10/10/2015

Quebrantamento e Contrição



  


Deveríamos dar uma atenção especial a este assunto uma vez que Deus afirma em Sua Palavra que em relação aos que têm o coração quebrantado e contrito, Ele habita, vivifica, salva, está perto, valoriza, e contempla.

Salmo 34.18 o quebrantado, e salva os contritos de espírito.

Salmo 51.17 O sacrifício aceitável a Deus é o espírito quebrantado; ao coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus.

Isaías 57.15 Porque assim diz o Alto e o Excelso, que habita na eternidade e cujo nome é santo: Num alto e santo lugar habito, e também com o contrito e humilde de espírito, para vivificar o espírito dos humildes, e para vivificar o coração dos contritos.

Isaías 66.2 A minha mão fez todas essas coisas, e assim todas elas vieram a existir, diz o Senhor; mas eis para quem olharei: para o humilde e contrito de espírito, que treme da minha palavra.

O sofrimento não tem o propósito de ser algo em vão nas nossas vidas, do ponto de vista de Deus, pois tem determinado principalmente que através dele sejamos transformados segundo a Sua vontade e Palavra, para que Ele seja glorificado. A paciência na tribulação, no sofrimento que ela produz, é de grande valor para Deus, e também para nós, porque é por meio disto que aprendemos a ser pacientes e perseverantes nas coisas do Senhor, ensinando-nos a amar com o mesmo amor de Deus, que é sofredor, isto é, longânimo em sofrer em razão do pecado que há no mundo.

Uma visão correta da aflição é completamente necessária para um comportamento verdadeiramente cristão sob elas.

Carregar a cruz voluntariamente faz com que ela se torne leve, mas carregá-la com a mente perturbada por inquietações à busca de respostas fora de Deus para aquilo que se esteja experimentando, quando estas provas vêm da Sua parte, somente serve para aumentar o peso da cruz que carregamos.

Ter um espírito contrito e quebrantado na aflição é algo muito apropriado para acalmar as agitações do coração, e nos fazer pacientes debaixo dela.

Como Deus tem afirmado que que é com o coração quebrantado e contrito que Ele trabalha e dá sua especial atenção, então importa sabermos que Ele mesmo há de providenciar os meios para este quebrantamento e contrição, já que naturalmente não somos isto, senão altivos e autoconfiantes além da medida que convém.

Por isso Jesus nos deixou um legado de aflição no mundo, para o propósito mesmo de sermos aperfeiçoados por Deus em santidade.
Cruzes nos são trazidas no curso de nossas vidas para que as carreguemos, com o alvo de nos quebrantarem.

Importa carregarmos pacientemente estas cruzes e ver a mão de Deus nisto, porque, efetivamente, não há nenhuma aflição aqui embaixo que não tenha sido ligada ou permitida no céu.

A Palavra ensina que tanto o dia da prosperidade quanto o da adversidade procedem da parte de Deus, assim este como aquele para que o homem nada descubra do que há de vir depois dele.”, isto é, para que ninguém saiba o que lhe reserva o futuro, e assim vivam dependendo inteiramente de Deus, confiando suas almas ao fiel Criador na prática do bem, enquanto caminham neste mundo.

A adversidade e a nossa vontade não se harmonizam porque nossa alma não acha sossego enquanto debaixo das situações que a afligem.

Então necessitamos do poder da Graça divina para nos sustentar sobretudo nas adversidades para as quais não há em nós qualquer poder ou habilidade para superá-las.

Mas, na renúncia à nossa própria vontade, ficamos abertos à vontade de Deus, e este é o bom serviço que as tribulações podem nos prestar; de maneira que o apóstolo Paulo afirma que importa entrarmos no Reino dos Céus por meio de muitas tribulações, e o apóstolo Tiago que deveríamos tê-las por motivo de grande alegria.

A humildade e a mansidão de espírito nos qualificam para o relacionamento e a comunhão amigável com Deus por meio de Cristo. O orgulho fez de Deus nosso inimigo. Nossa felicidade e futuro aqui dependem do nosso relacionamento amigável no céu.

Assim a humildade é um dever que agrada a Deus, e o orgulho um pecado que agrada ao diabo. Por isso Deus exige de nós que sejamos humildes, especialmente debaixo da aflição. “Cingi-vos todos de humildade...” (I Pe 5.5).

O humilde e manso de coração terá paz e descanso em sua alma e mente, enquanto o orgulhoso terá a aflição reinando em ambas.

O subjugar de nossas paixões é mais valioso do que ter todo o mundo debaixo da nossa vontade.

O trabalho de carregar a cruz deve ser em cada dia, em todos os dia da vida, porque se removermos a cruz, a vontade própria prevalecerá.

Portanto é melhor ter um espírito humilde e quebrantado do que ter a cruz removida.

Se alguém não tomar voluntariamente a sua cruz a cada dia, não poderá fazer a obra de Deus de modo constante e agradável a Ele, porque o ego se levantará e se oporá àquilo que for da Sua vontade.

Quão perigoso é para aqueles que estão envolvidos na seara do Senhor desejarem que a cruz seja removida. Quando aspiram por total falta de problemas, de oposições, de perseguições, de dificuldades, e começam a se encantar de novo com a alegria puramente mundana, eles constatarão que a infidelidade a Deus terá invadido os seus corações, e que já não amam tanto a Sua obra e vontade quanto antes.

Por isso não se pode lançar a mão do arado e olhar para trás. Envolver-se na guerra do Senhor exige que seja considerado o custo relativo à necessidade de consagração e renúncia à própria vontade.

Ninguém será um apóstolo como Paulo enquanto não estiver crucificado para o mundo e o mundo crucificado para ele.

O levar no corpo o morrer de Jesus é o que gera a verdadeira vida eterna. Se o grão de trigo não morrer ele ficará só. Não há frutificação na lavoura de Deus sem este morrer operado pela cruz. É neste sentido que o estar apegado à vida nos leva a perdê-la, e o perdê-la por amor de Cristo, a achá-la.

E muito desta mortificação da carne, desta auto negação está exatamente em se seguir à exortação do apóstolo Pedro em sua primeira epístola, na qual exorta todos à submissão de uns para com os outros e particularmente às linhas de autoridade estabelecidas por Deus: os servos a seus senhores, as esposas aos esposos, os filhos aos pais, os cidadãos às autoridades, as ovelhas aos pastores, os jovens aos anciãos.

E toda esta submissão de coração somente será possível caso se tenha humildade. Estas duas atitudes estão ligadas inseparavelmente por Deus, assim como Ele ligou o arrependimento à fé.

E a seu tempo Deus exaltará o que se humilha. Ele elevará aquele que se humilhou debaixo da sua potente mão, no tempo que Ele tiver determinado. Então o caminho para a elevação é se humilhar. É neste sentido que o maior de todos é o que mais serve.

Afligir o nosso espírito especialmente nas aflições, e não somente nelas, é o nosso dever, mas o elevá-lo é trabalho exclusivo de Deus. E todo aquele que a si mesmo tentar se exaltar será humilhado por Deus. Mas todo o que se humilhar será exaltado(Mt 23.12).

O recusar-se a se humilhar é portanto recusar o único caminho para a verdadeira exaltação.

E é interessante observar que a exaltação é geralmente proporcional ao nível da humilhação. Ninguém se humilhou ou poderá se humilhar mais do que Cristo porque Ele se rebaixou, se esvaziou se humilhou sendo Deus, e sendo homem perfeito, sem pecado, e portanto ninguém poderá ser mais exaltado do que Ele, e por isso recebeu um nome que é sobre todo nome.

E este feliz evento da exaltação acontecerá no tempo próprio. No tempo próprio nós colheremos se não desfalecermos. Mas há aquela raiz de orgulho que está no coração de todos os homens que vivem na terra, que deve ser mortificada antes que eles possam ser considerados aptos para o céu, e por isso Deus os levará a circunstâncias humilhantes com vistas a atingir o referido fim. Foi por isso que Deus conduziu o povo de Israel naqueles quarenta anos no deserto, para os humilhar, provar e saber o que estava no coração deles.

E o coração é naturalmente hábil para se revoltar contra estas circunstâncias humilhantes, e por conseguinte a mão poderosa do Senhor as traz e as mantém lá. O homem redobra suas forças naturais para fugir da dificuldade levantando a sua cabeça, e murmura por causa das suas aflições, e poucos dizem que confiam que o seu Criador por fim os abençoará.

Há muitas imperfeições naturais e morais em nós. Nossos corpos e nossas almas, em todas as suas faculdades, estão em um estado de imperfeição. O orgulho de toda a glória está manchado; e é uma vergonha para nós não nos humilharmos em tudo o que se refere a nós, e tentarmos nos apresentar a Deus como pessoas que não têm do que ser perdoadas e lavadas. É certo que no caso dos crentes o Espírito fez uma grande obra de regeneração e iniciou o processo de santificação, mas enquanto permanecem no mundo há muitas corrupções que remanescem na carne, e das quais devem se humilhar, se arrepender, e abandonar (II Crôn 7.14).

E uma das maiores provas da nossa humilhação é exatamente a de se submeter, de se render à vontade de Deus debaixo das nossas aflições, porque é exatamente nestas horas que o velho homem mais se levanta em seu orgulho e procura resistir com todas as suas forças procurando o modo de se livrar das coisas que o afligem sem contar com o fato de que é somente se submetendo ao Senhor que é possível ser livrado das aflições que Ele mesmo determinou para nos provar.

Então permita que as circunstâncias humilhantes tornem o seu espírito humilde, e assim você será útil nas mãos de Deus e será poupado de muitas aflições, porque elas têm em sua maioria exatamente este grande propósito de nos humilhar. E se somos achados humildes, então é nesta condição que o Senhor nos exaltará pois não haverá o risco de que sejamos vencidos pelo orgulho.


xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx


Visite os Blogs abaixos:

Veja tudo sobre as Escrituras do Velho Testamento no seguinte link:

livrosbiblia.blogspot

Veja tudo sobre as Escrituras do Novo Testamento no seguinte link:

livrono.blogspot.com.br

A Igreja tem testemunhado a redenção de Cristo juntamente com o Espírito Santo nestes 2.000 anos de Cristianismo.

Veja várias mensagens sobre este testemunho nos seguintes links:

http://retornoevangelho.blogspot.com.br/ 

http://poesiasdoevangelho.blogspot.com.br/

A Bíblia também revela as condições do tempo do fim quando Cristo inaugurará o Seu reino eterno de justiça ao retornar à Terra. Com isto se dará cumprimento ao propósito final relativo à nossa redenção.

Veja a apresentação destas condições no seguinte link:

http://aguardandovj.blogspot.com.br/ 


Silvio Dutra
25dutra@gmail.com
Igreja Orgânica de Jesus na Abolição
Rio de Janeiro - RJ

Publicado em: 12/10/2015

A CONFISSÃO DA CULPA: A RESPONSABILIDADE DE QUEM A OUVE E O DISCERNIMENTO DE QUEM A CONFESSA.



Publicado em: 11/10/2015
Por: Pr. Leandro Dorneles
Ministério Tabernáculo do Leão da Tribo de Judá - Salvador - BA
tabernaculodoleao@hotmail.com
 
http://2.bp.blogspot.com/-2zpefZJgxzA/T4gTHJyLaiI/AAAAAAAASz8/6lGl0Fjo66g/s1600/000095.jpg

 
Confessai as vossas culpas uns aos outros, e orai uns pelos outros, para que sareis [...]. Tiago 5:16
 
Certa vez, há muitos anos atrás (mas não tantos assim) resolvi conversar com um líder espiritual, que me acompanhava em muitas obras, sobre algumas lutas e fraquezas que me acometiam mesmo após meus primeiros anos de conversão cristã. Certas marcas que nasceram antes desse tempo e que teimavam em se perpetuar mesmo após uma total mudança de valores em minha vida. Espinhos que ainda me machucavam, manchas que não se apagavam, hábitos que não conseguia mudar, vícios dos quais não conseguia a total libertação. Chamei o líder para um espaço e momento reservados, expus-lhe minhas inquietações e pedi que orasse e intercedesse por mim. Mais do que isso, que me aconselhasse sobre como lidar com tais situações, afinal, falava com alguém de muito mais idade que eu e de muito mais tempo de conversão. Como Eliú, amigo de Jó, considerei precipitadamente que a idade avançada refletiria necessariamente sabedoria. Infelizmente Eliú estava certo em suas afirmaçõesnão é a idade que torna o homem sábio, mas a inspiração que ele recebe do Todo-Poderoso (Jó 32:6-9).
 
Alguns dias depois, ao ministrar uma família em crise, fui surpreendido e duramente contestado por alguém do rol mais íntimo daquele líder que tentou expor aos presentes minhas confissões (das quais só o líder sabia), usando-as como forma de rechaçar meus conselhos. Isto porque tal pessoa se identificava com as fraquezas que aquela estava passando e achava que ela estava certa. Em nada, porém, fui intimidado (embora surpreso), pois os presentes também eram do meu rol íntimo e entre eles já era costume compartilharmos as fraquezas uns dos outros, logo, nenhuma novidade houve ao que de mim foi exposto.
 
Ao descobrir que tal exposição houvera sido dada por aquele a quem confiei meus medos e angústias, minha culpa, meus pecados, quase me desviei do Caminho.
 
Infelizmente essa não foi a única vez que vi minhas confissões expostas a terceiros, pessoas as quais seletivamente compartilhara minha vida, esperando consolo, conforto, apoio e orientação. Volta e meia a história se repete e alguém que considerávamos apto a guardar segredos e compartilhar experiências enxerga na fraqueza alheia um meio de se mostrar superior, expondo nossas mais íntimas confissões na presença de terceiros, às vezes, no calor de um debate. E isso me trouxe grande preocupação e reflexão sobre os limites da intimidade que devemos ter em todos os círculos sociais que transitamos. E na igreja (aqui entendida como pessoas que professam a mesma fé, não necessariamente a instituição), principalmente no que se refere à confissão, a quem compartilhar e a responsabilidade daquele que aconselha ou simplesmente ouve.
 
É certo, porém, que tais experiências me trouxeram grandes lições, revelando a máxima de que“todas as coisas cooperam juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, dos que são chamados segundo o Seu propósito” (Romanos 8:28).
 
Comecei então a refletir sobre a responsabilidade que Deus confia a uma pessoa para representá-lo, para ser seu mensageiro, seu portador de Boas Novas, seu discípulo. E pensei nas diversas vidas que Deus já permitiu vir até mim, expondo seus pensamentos, atitudes e sentimentos mais íntimos, suas angústias e necessidades, suas fraquezas, seus pecados e em como cuidadosamente aconselhei, na medida da minha experiência e do meu conhecimento da Palavra e do sigilo que necessitei dar ao que ouvi. Senti tanto temor pelo peso da responsabilidade que recaia sobre meus ombros e como eu deveria lidar com tais confissões enquanto ouvinte e ministrante da Palavra de Deus.
 
Obviamente que não sou o único. Assim é o dia-a-dia de milhares de líderes espirituais, de advogados, médicos, psicólogos e tantos outros profissionais ou pessoas da confiança de alguém, que sabem a responsabilidade do sigilo da informação que recebem. E aqui se revela o caráter ético e o compromisso destas pessoas.
 
Hoje, vemos os efeitos da exposição da intimidade e privacidade (algumas vezes voluntária) de muitas pessoas nas mídias sociais, por pessoas que tinham sua confiança e por outras que lucram com tal exposição alheia: atos e consequências que extrapolam os limites da dignidade e da ética, cujos efeitos foram catastróficos, desde um processo judicial até o extremo do suicídio. Pessoas que confiaram a outrem seus segredos mais íntimos, seus desejos mais profundos, suas fantasias, suas pensamentos polêmicos, suas fraquezas... e foram surpreendidas com sua exposição nas mídias sociais. Por outro lado, percebo como muitas pessoas não se importam com isso e expõem detalhadamente sua vida privada: o que fez ontem, há 5 minutos, o que vestiu, o que comeu, para onde foi, o que comprou, com quem saiu... não existe um único evento de seu cotidiano que fuja da exposição, com fotos, vídeos e declarações. Parece não haver limites para estes, até o dia em que são surpreendidos por aqueles que os observavam, para bem ou mal.
 
Mas afinal, por que temos tanta necessidade de compartilhar o que se passa em nossas mentes e corações?
 
A psicologia dará uma resposta, também a psicanálise, a teologia, a filosofia... cada uma delimitada por seu objeto, sua extensão, origem e efeitos na esfera do comportamento que lhe caiba analisar. Portanto, a partir daqui me aterei somente ao que concerne à fé cristã e ao seu objeto aqui exposto: a confissão dos pecados.
 
A confissão dos pecados é a exteriorização do íntimo pela necessidade de libertação do sentimento de culpa, de arrependimento diante da acusação, de reconhecimento diante da sanção da lei previamente estabelecida e da necessidade de justificação e absolvição diante do juízo divino. Mais importante ainda, a confissão dos pecados vem como declaração de amor ao ofendido buscando o seu perdão.
 
A confissão liberta e traz cura interior pelo reconhecimento de sua fraqueza ao mesmo tempo em que revela o desejo de ser liberto e curado (arrependimento). Fazendo um paralelo ao direito penal, podemos afirmar que o perdão divino é a sentença de absolvição da culpa, não porque haja um vício no ato praticado que a justifique; não porque o ato seja atípico ou que o sujeito praticante seja inimputável; não porque tal ato resulte em excludente de ilicitude ou de culpabilidade. Nem mesmo a absolvição resulta da aplicação do princípio da insignificância. O perdão dos pecados é uma consequência do princípio da substitutividade divina mediante três atos: fé, arrependimento e confissão. Cristo ao ser crucificado tornou-se substituto dos transgressores, recebendo em si o castigo, a sentença que àqueles estava proposta (Isaías 53:4-5). Cristo assume diante de Deus a responsabilidade por nossos pecados, uma única vez e para sempre, a fim de que possamos receber o perdão divino “SE” crermos Nele e no que Ele fez; arrependermo-nos dos nossos pecados, - revelados mediante a exposição da Palavra da Verdade e da testificação do Espírito de Deus que fala ao nosso coração para convencimento desta Verdade- e confessarmos nossa culpa e total impossibilidade de se autojustificar. Uma vez confessado, Deus dá a sentença favorável, sem possibilidade de que o acusador (diabo) recorra, fazendo coisa julgada material.
 
“Porque serei misericordioso para com suas iniquidades, e de seus pecados não me lembrarei mais” (Hebreus 8.12).
 
Quando confessamos nossas culpas estamos reconhecendo que temos conhecimento da verdade e que cremos nela de tal forma a nos humilhar diante de Deus, rejeitando tais condutas réprobas e reconhecendo Sua Graça (i.e. favor imerecido) e amor no sacrifício de Cristo em nosso lugar. Quando confessamos nossas culpas, estamos declarando que Cristo não morreu em vão por nós e que desejamos ser como Ele: agradando a Deus em todo o tempo.
 
Por isso nos sentimos bem quando nos confessamos. Mas essa confissão pode virar nossa própria sentença condenatória se não estivermos certos de a quem estamos confessando, se não tivermos confiança em quem ouve nossos segredos, nossos medos, angústias, fraquezas... e se não estivermos plenamente convictos de que quem nos ouve pode de alguma forma nos ajudar. E eis o que tenho visto e aprendido:
 
Há certas coisas que somente Deus pode suportar ouvir, já que Ele está destituído de qualquer parcialidade ou preconceito, jamais lançando em rosto nossas fraquezas e pecados confessados. São problemas que dizem respeito ao seu relacionamento com Deus.
 
Há outras que grandes amigos ou a própria família podem até suportar. Todavia, haverá situações em que talvez não tenham a melhor palavra ou conselho para lhe dar, porque cada um só dá o que tem e, não sendo eles cristãos, o efeito pode ser muito negativo quando se tratar de conflitos envolvendo princípios espirituais. Ou, porque o pecado confessado esteja intrinsecamente ligado a eles ou a algum deles. Para estes casos, a experiência faz muita diferença. E o papel do líder espiritual experiente e experimentado na Palavra vem para suprir essa lacuna: ouvir o pecado, declarar o perdão pela Palavra de Deus (João 20:23) e orientar sobre como proceder em relação ao que foi confessado, como, por exemplo, propiciar um ambiente favorável para que o ofendido possa ouvir abertamente o seu ofensor, dando-lhes a oportunidade para a reconciliação.
 
E há outras, ainda, que requerem uma ajuda profissional, paralelamente à espiritual. Casos como depressão, traumas profundos que impõem restrições à vida social, violência doméstica, e outros cuja gravidade pode afetar a integridade física, sua ou de terceiros, requer, às vezes, além de aconselhamento o uso de medicação, ou até de medidas judiciais, afinal, nem tudo é espiritual. “O que é da carne é carne, e o que é do Espírito é espírito”. Precisamos aprender a separar as coisas. Todavia, mesmo nestes casos, nada impede que um líder espiritual de confiança possa ouvi-lo e orientar, ajudando-o a discernir se a questão é unicamente espiritual ou não e oferecendo-lhe o devido encaminhamento.
 
Quanto ao líder espiritual ou um irmão na fé de confiança, é certo que tanto a responsabilidade pelo sigilo da informação quanto à responsabilidade pelo conselho que será dado serão deles cobradas naquele Dia (do julgamento). Portanto, se não souber o que falar ou não tiver convicção do que deva ser dito, por favor, seja sábio e não diga nada, para que não seja reprovado diante de Deus como os amigos de Jó e posteriormente envergonhado.  E se não consegue guardar para si o que ouviu abstenha-se de ouvir para também não pecar. Porque por cada palavra precipitada que for dita lhe será cobrado naquele Dia (Mateus 12:36-37).
 
Independentemente de a quem você compartilhará suas fraquezas, saiba que Deus sempre será o maior interessado em ouvi-las, porque Ele sempre tem uma boa palavra para nos dar na hora da angústia.
 
“Confessei-te o meu pecado, e a minha iniquidade não encobri. Disse eu: Confessarei ao Senhor as minhas transgressões; e tu perdoaste a culpa do meu pecado” (Salmo 32:5).
 
Que possamos nos achegar a Deus em tempo oportuno para confessar, arrepender-se e receber Dele o perdão e o Amor que o Pai já nos deu por meio de Cristo.
 
“Se dissermos que não temos pecado nenhum, enganamo-nos a nós mesmos, e a verdade não está em nós. Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (1 João 1:8-9).
 
O Pai te ama! Achegue-se a Ele com humildade e coração sincero e Ele se achegará a você!
 
“O sacrifício aceitável a Deus é o espírito quebrantado; ao coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus” (Salmo 51:17).


Visite o Blog:
 
 

Quem escreveu a Bíblia?

A história de Deus foi escrita pelos homens. Mas quem é o autor do livro mais influente de todos os tempos? As respostas são surpreendentes - e vão mudar sua maneira de ver as Escrituras

POR Redação Super
Edição
259
Dezembro de 2008
Texto José Francisco Botelho
Em algum lugar do Oriente Médio, por volta do século 10 a.C., uma pessoa decidiu escrever um livro. Pegou uma pena, nanquim e folhas de papiro (uma planta importada do Egito) e começou a contar uma história mágica, diferente de tudo o que já havia sido escrito. Era tão forte, mas tão forte, que virou uma obsessão. Durante os 1 000 anos seguintes, outras pessoas continuariam reescrevendo, rasurando e compilando aquele texto, que viria a se tornar o maior best seller de todos os tempos: a Bíblia. Ela apresentou uma teoria para o surgimento do homem, trouxe os fundamentos do judaísmo e do cristianismo, influenciou o surgimento do islã, mudou a história da arte – sem a Bíblia, não existiriam os afrescos de Michelangelo nem os quadros de Leonardo da Vinci – e nos legou noções básicas da vida moderna, como os direitos humanos e o livre-arbítrio. Mas quem escreveu, afinal, o livro mais importante que a humanidade já viu? Quem eram e o que pensavam essas pessoas? Como criaram o enredo, e quem ditou a voz e o estilo de Deus? O que está na Bíblia deve ser levado ao pé da letra, o que até hoje provoca conflitos armados? A resposta tradicional você já conhece: segundo a tradição judaico-cristã, o autor da Bíblia é o próprio Todo-Poderoso. E ponto final. Mas a verdade é um pouco mais complexa que isso.
A própria Igreja admite que a revelação divina só veio até nós por meio de mãos humanas. A palavra do Senhor é sagrada, mas foi escrita por reles mortais. Como não sobraram vestígios nem evidências concretas da maioria deles, a chave para encontrá-los está na própria Bíblia. Mas ela não é um simples livro: imagine as Escrituras como uma biblioteca inteira, que guarda textos montados pelo tempo, pela história e pela fé. Aliás, o termo “Bíblia”, que usamos no singular, vem do plural grego ta biblia ta hagia – “os livros sagrados”. A tradição religiosa sempre sustentou que cada livro bíblico foi escrito por um autor claramente identificável. Os 5 primeiros livros do Antigo Testamento (que no judaísmo se chamam Torá e no catolicismo Pentateuco) teriam sido escritos pelo profeta Moisés por volta de 1200 a.C. Os Salmos seriam obra do rei Davi, o autor de Juízes seria o profeta Samuel, e assim por diante. Hoje, a maioria dos estudiosos acredita que os livros sagrados foram um trabalho coletivo. E há uma boa explicação para isso.
As histórias da Bíblia derivam de lendas surgidas na chamada Terra de Canaã, que hoje corresponde a Líbano, Palestina, Israel e pedaços da Jordânia, do Egito e da Síria. Durante séculos acreditou-se que Canaã fora dominada pelos hebreus. Mas descobertas recentes da arqueologia revelam que, na maior parte do tempo, Canaã não foi um Estado, mas uma terra sem fronteiras habitada por diversos povos – os hebreus eram apenas uma entre muitas tribos que andavam por ali. Por isso, sua cultura e seus escritos foram fortemente influenciadas por vizinhos como os cananeus, que viviam ali desde o ano 5000 a.C. E eles não foram os únicos a influenciar as histórias do livro sagrado.
As raízes da árvore bíblica também remontam aos sumérios, antigos habitantes do atual Iraque, que no 3o milênio a.C. escreveram a Epopéia de Gilgamesh. Essa história, protagonizada pelo semideus Gilgamesh, menciona uma enchente que devasta o mundo (e da qual algumas pessoas se salvam construindo um barco). Notou semelhanças com a Bíblia e seus textos sobre o dilúvio, a arca de Noé, o fato de Cristo ser humano e divino ao mesmo tempo? Não é mera coincidência. “A Bíblia era uma obra aberta, com influências de muitas culturas”, afirma o especialista em história antiga Anderson Zalewsky Vargas, da UFRGS.
Foi entre os séculos 10 e 9 a.C. que os escritores hebreus começaram a colocar essa sopa multicultural no papel. Isso aconteceu após o reinado de Davi, que teria unificado as tribos hebraicas num pequeno e frágil reino por volta do ano 1000 a.C. A primeira versão das Escrituras foi redigida nessa época e corresponde à maior parte do que hoje são o Gênesis e o Êxodo. Nesses livros, o tema principal é a relação passional (e às vezes conflituosa) entre Deus e os homens. Só que, logo no começo da Beeblia, já existiu uma divergência sobre o papel do homem e do Senhor na história toda. Isso porque o personagem principal, Deus, é tratado por dois nomes diferentes.
Em alguns trechos ele é chamado pelo nome próprio, Yahweh – traduzido em português como Javé ou Jeová. É um tratamento informal, como se o autor fosse íntimo de Deus. Em outros pontos, o Todo-Poderoso é chamado de Elohim, um título respeitoso e distante (que pode ser traduzido simplesmente como “Deus”). Como se explica isso? Para os fundamentalistas, não tem conversa: Moisés escreveu tudo sozinho e usou os dois nomes simplesmente porque quis. Só que um trecho desse texto narra a morte do próprio Moisés. Isso indica que ele não é o único autor. Os historiadores e a maioria dos religiosos aceitam outra teoria: esses textos tiveram pelo menos outros dois editores.
Acredita-se que os trechos que falam de Javé sejam os mais antigos, escritos numa época em que a religiosidade era menos formal. Eles contêm uma passagem reveladora: antes da criação do mundo, “Yahweh não derramara chuva sobre a terra, e nem havia homem para lavrar o solo”. Essa frase, “não havia homem para lavrar o solo”, indica que, na primeira versão da Bíblia, o homem não era apenas mais uma criação de Deus – ele desempenha um papel ativo e fundamental na história toda. “Nesse relato, o homem é co-criador do mundo”, diz o teólogo Humberto Gonçalves, do Centro Ecumênico de Estudos Bíblicos, no Rio Grande do Sul.
Pelo nome que usa para se referir a Deus (Javé), o autor desses trechos foi apelidado de Javista. Já o outro autor, que teria vivido por volta de 850 a.C., é apelidado de Eloísta. Mais sisudo e religioso, ele compôs uma narrativa bastante diferente. Ao contrário do Deus-Javé, que fez o mundo num único dia, o Deus-Elohim levou 6 (e descansou no 7o). Nessa história, a criação é um ato exclusivo de Deus, e o homem surge apenas no 6o dia, junto aos animais.
Tempos mais tarde, os dois relatos foram misturados por editores anônimos – e a narrativa do Eloísta, mais comportada, foi parar no início das Escrituras. Começando por aquela frase incrivelmente simples e poderosa, notória até entre quem nunca leu a Bíblia: “E, no início, Deus criou o céu e a terra...”
Em 589 a.C., Jerusalém foi arrasada pelos babilônios, e grande parte da população foi aprisionada e levada para o atual Iraque. Décadas depois, os hebreus foram libertados por Ciro, senhor do Império Persa – um conquistador “esclarecido”, que tinha tolerância religiosa. Aos poucos, os hebreus retornaram a Canaã – mas com sua fé transformada. Agora os sacerdotes judaicos rejeitavam o politeísmo e diziam que Javé era o único e absoluto deus do Universo. “O monoteísmo pode ter surgido pelo contato com os persas – a religião deles, o masdeísmo, pregava a existência de um deus bondoso, Ahura Mazda, em constante combate contra um deus maligno, Arimã. Essa noção se reflete até na idéia cristã de um combate entre Deus e o Diabo”, afirma Zalewsky, da UFRGS.
A versão final do Pentateuco surgiu por volta de 389 a.C. Nessa época, um religioso chamado Esdras liderou um grupo de sacerdotes que mudaram radicalmente o judaísmo – a começar por suas escrituras. Eles editaram os livros anteriores e escreveram a maior parte dos livros Deuteronômio, Números, Levítico e também um dos pontos altos da Bíblia: os 10 Mandamentos. Além de afirmar o monoteísmo sem sombra de dúvidas (“amarás a Deus acima de todas as coisas” é o primeiro mandamento), a reforma conduzida por Esdras impunha leis religiosas bem rígidas, como a proibição do casamento entre hebreus e não-hebreus. Algumas das leis encontradas no Levítico se assemelham à ética moderna dos direitos humanos: “Se um estrangeiro vier morar convosco, não o maltrates. Ama-o como se fosse um de vós”.
Outras passagens, no entanto, descrevem um Senhor belicoso, vingativo e sanguinário, que ordena o extermínio de cidades inteiras – mulheres e crianças incluídas. “Se a religião prega a compaixão, por que os textos sagrados têm tanto ódio?”, pergunta a historiadora americana Karen Armstrong, autora de um novo e provocativo estudo sobre a Bíblia. Para os especialistas, a violência do Antigo Testamento é fruto dos séculos de guerras com os assírios e os babilônios. Os autores do livro sagrado foram influenciados por essa atmosfera de ódio, e daí surgiram as histórias em que Deus se mostra bastante violento e até cruel. Os redatores da Bíblia estavam extravasando sua angústia.
Por volta do ano 200 a.C., o cânone (conjunto de livros sagrados) hebraico já estava finalizado e começou a se alastrar pelo Oriente Médio. A primeira tradução completa do Antigo Testamento é dessa época. Ela foi feita a mando do rei Ptolomeu 2o em Alexandria, no Egito, grande centro cultural da época. Segundo uma lenda, essa tradução (de hebraico para grego) foi realizada por 72 sábios judeus. Por isso, o texto é conhecido como Septuaginta. Além da tradução grega, também surgiram versões do Antigo Testamento no idioma aramaico – que era uma espécie de língua franca do Oriente Médio naquela época.
Dois séculos mais tarde, a Bíblia em aramaico estava bombando: ela era a mais lida na Judéia, na Samária e na Galiléia (províncias que formam os atuais territórios de Israel e da Palestina). Foi aí que um jovem judeu, grande personagem desta história, começou a se destacar. Como Sócrates, Buda e outros pensadores que mudaram o mundo, Jesus de Nazaré nada deixou por escrito – os primeiros textos sobre ele foram produzidos décadas após sua morte.
E o cristianismo já nasceu perseguido: por se recusarem a cultuar os deuses oficiais, os cristãos eram considerados subversivos pelo Império Romano, que dominava boa parte do Oriente Médio desde o século 1 a.C. Foi nesse clima de medo que os cristãos passaram a colocar no papel as histórias de Jesus, que circulavam em aramaico e também em coiné – um dialeto grego falado pelos mais pobres. “Os cristãos queriam compreender suas origens e debater seus problemas de identidade”, diz o teólogo Paulo Nogueira, da Universidade Metodista de São Paulo. Para fazer isso, criaram um novo gênero literário: o evangelho. Esse termo, que vem do grego evangélion (“boa-nova”), é um tipo de narrativa religiosa contando os milagres, os ensinamentos e a vida do Messias.
A maioria dos evangelhos escritos nos séculos 1 e 2 desapareceu. Naquela época, um “livro” era um amontoado de papiros avulsos, enrolados em forma de pergaminho, podendo ser facilmente extraviados e perdidos. Mas alguns evangelhos foram copiados e recopiados à mão, por membros da Igreja. Até que, por volta do século 4, tomaram o formato de códice – um conjunto de folhas de couro encadernadas, ancestral do livro moderno. O problema é que, a essa altura do campeonato, gerações e gerações de copiadores já haviam introduzido alterações nos textos originais – seja por descuido, seja de propósito. “Muitos erros foram feitos nas cópias, erros que às vezes mudaram o sentido dos textos. Em certos casos, tais erros foram também propositais, de acordo com a teologia do escrivão”, afirma o padre e teólogo Luigi Schiavo, da Universidade Católica de Goiás. Quer ver um exemplo?
Sabe aquela famosa cena em que Jesus salva uma adúltera prestes a ser apedrejada? De acordo com especialistas, esse trecho foi inserido no Evangelho de João por algum escriba, por volta do século 3. Isso porque, na época, o cristianismo estava cortando seu cordão umbilical com o judaísmo. E apedrejar adúlteras é uma das leis que os sacerdotes-escritores judeus haviam colocado no Pentateuco. A introdução da cena em que Jesus salva a adúltera passa a idéia de que os ensinamentos de Cristo haviam superado a Torá – e, portanto, os cristãos já não precisavam respeitar ao pé da letra todos os ensinamentos judeus.
A julgar pelo último livro da Bíblia cristã, o Apocalipse (que descreve o fim do mundo), o receio de ter suas narrativas “editadas” era comum entre os autores do Novo Testamento. No versículo 18, lê-se uma terrível ameaça: “Se alguém fizer acréscimos às páginas deste livro, Deus o castigará com as pragas descritas aqui”. Essa ameaça reflete bem o clima dos primeiros séculos do cristianismo: uma verdadeira baderna teológica, com montes de seitas defendendo idéias diferentes sobre Deus e o Messias. A seita dos docetas, por exemplo, acreditava que Jesus não teve um corpo físico. Ele seria um espírito, e sua crucificação e morte não passariam – literalmente – de ilusão de ótica. Já os ebionistas acreditavam que Jesus não nascera Filho de Deus, mas fora adotado, já adulto, pelo Senhor. A primeira tentativa de organizar esse caos das Escrituras ocorreu por volta de 142 – e o responsável não foi um clérigo, mas um rico comerciante de navios chamado Marcião.
A Bíblia segundo Marcião
Ele nasceu na atual Turquia, foi para Roma, converteu-se ao cristianismo, virou um teólogo influente e resolveu montar sua própria seleção de textos sagrados. A Bíblia de Marcião era bem diferente da que conhecemos hoje. Isso porque ele simpatizava com uma seita cristã hoje desaparecida, o gnosticismo. Para os gnósticos, o Deus do Velho Testamento não era o mesmo que enviara Jesus – na verdade, as duas divindades seriam inimigas mortais. O Deus hebraico era monstruoso e sanguinário, e controlava apenas o mundo material. Já o universo espiritual seria dominado por um Deus bondoso, o pai de Jesus. A Bíblia editada por Marcião continha apenas o Evangelho de João, 11 cartas de Paulo e nenhuma página do Velho Testamento. Se as idéias de Marcião tivessem triunfado, hoje as histórias de Adão e Eva no paraíso, a arca de Noé e a travessia do mar Vermelho não fariam parte da cultura ocidental. Mas, por volta de 170, o gnosticismo foi declarado proibido pelas autoridades eclesiásticas, e o primeiro editor da Bíblia cristã acabou excomungado.
Roma, até então pior inimiga dos cristãos, ia se rendendo à nova fé. Em 313, o imperador romano Constantino se aliou à Igreja. Ele pretendia usar a força crescente da nova religião para fortalecer seu império. Para isso, no entanto, precisava de uma fé una e sólida. A pressão de Constantino levou os mais influentes bispos cristãos a se reunirem no Concílio de Nicéia, em 325, para colocar ordem na casa de Deus. Ali, surgiu o cânone do cristianismo – a lista oficial de livros que, segundo a Igreja, realmente haviam sido inspirados por Deus.
“A escolha também era política. Um grupo afirmou seu poder e autoridade sobre os outros”, diz o padre Luigi. Esse grupo era o dos cristãos apostólicos, que ganharam poder ao se aliar com o Império Romano. Os apostólicos eram, por assim dizer, o “partido do governo”. E por isso definiram o que iria entrar, ou ser eliminado, das Escrituras.
Eles escolheram os evangelhos de Marcos, Mateus, Lucas e João para representar a biografia oficial de Cristo, enquanto as invenções dos docetas, dos ebionistas e de outras seitas foram excluídas, e seus autores declarados hereges. Os textos excluídos do cânone ganharam o nome de “apócrifos” – palavra que vem do grego apocrypha, “o que foi ocultado”. A maioria dos apócrifos se perdeu – afinal de contas, os escribas da Igreja não estavam interessados em recopiá-los para a posteridade. Mas, com o surgimento da arqueologia, no século 19, pedaços desses textos foram encontrados nas areias do Oriente Médio. É o caso de um polêmico texto encontrado em 1886 no Egito. Ele é assinado por uma certa “Maria” que muitos acreditam ser a Madalena, discípula de Jesus, presente em vários trechos do Novo Testamento. O evangelho atribuído a ela é bem feminista: Madalena é descrita como uma figura tão importante quanto Pedro e os outros apóstolos. Nos primórdios do cristianismo, as mulheres eram aceitas no clero – e eram, inclusive, consideradas capazes de fazer profecias. Foi só no século 3 que o sacerdócio virou monopólio masculino, o que explicaria a censura da apóstola e seu testemunho. Aliás, tudo indica que Madalena não foi prostituta – idéia que teria surgido por um erro na interpretação do livro sagrado. No ano 591, o papa Gregório fez um sermão dizendo que Madalena e outra mulher, também citada nas Escrituras e essa sim ex-pecadora, na verdade seriam a mesma pessoa (em 1967, o Vaticano desfez o equívoco, limpando a reputação de Maria).
Na evolução da Bíblia, foram aparecendo vários trechos machistas – e suspeitos. É o caso de uma passagem atribuída ao apóstolo Paulo: “A mulher aprenda (...) com toda a sujeição. Não permito à mulher que ensine, nem que tenha domínio sobre o homem (...) porque Adão foi formado primeiro, e depois Eva”. É provável que Paulo jamais tenha escrito essas palavras – porque, na época em que ele viveu, o cristianismo não pregava a submissão da mulher. Acredita-se que essa parte tenha sido adicionada por algum escriba por volta do século 2.
Após a conversão do imperador Constantino, o eixo do cristianismo se deslocou do Oriente Médio para Roma. Só que, para completar a romanização da fé, faltava um passo: traduzir a palavra de Deus para o latim. A missão coube ao teólogo Eusebius Hyeronimus, que mais tarde viria a ser canonizado com o nome de são Jerônimo. Sob ordens do papa Damaso, ele viajou a Jerusalém em 406 para aprender hebraico e traduzir o Antigo e o Novo Testamento. Não foi nada fácil: o trabalho durou 17 anos.
Daí saiu a Vulgata, a Bíblia latina, que até hoje é o texto oficial da Igreja Católica. Essa é a Bíblia que todo mundo conhece. “A Vulgata foi o alicerce da Igreja no Ocidente”, explica o padre Luigi. Ela é tão influente, mas tão influente, que até seus erros de tradução se tornaram clássicos. Ao traduzir uma passagem do Êxodo que descreve o semblante do profeta Moisés, são Jerônimo escreveu em latim: cornuta esse facies sua, ou seja, “sua face tinha chifres”. Esse detalhe esquisito foi levado a sério por artistas como Michelangelo – sua famosa escultura representando Moisés, hoje exposta no Vaticano, está ornada com dois belos corninhos. Tudo porque Jerônimo tropeçou na palavra hebraica karan, que pode significar tanto “chifre” quanto “raio de luz”. A tradução correta está na Septuaginta: o profeta tinha o rosto iluminado, e não chifrudo. Apesar de erros como esse, a Vulgata reinou absoluta ao longo da Idade Média – durante séculos, não houve outras traduções.
O único jeito de disseminar o livro sagrado era copiá-lo à mão, tarefa realizada pelos monges copistas. Eles raramente saíam dos mosteiros e passavam a vida copiando e catalogando manuscritos antigos. Só que, às vezes, também se metiam a fazer o papel de autores.
Após a queda do Império Romano, grande parte da literatura da Antiguidade grega e romana se perdeu – foi graças ao trabalho dos monges copistas que livros como a Ilíada e a Odisséia chegaram até nós. Mas alguns deles eram meio malandros: costumavam interpolar textos nas Escrituras Sagradas para agradar a reis e imperadores. No século 15, por exemplo, monges espanhóis trocaram o termo “babilônios” por “infiéis” no texto do Antigo Testamento – um truque para atacar os muçulmanos, que disputavam com os espanhóis a posse da península Ibérica.
Escrituras em série
Tudo isso mudou após a invenção da imprensa, em 1455. Agora ninguém mais dependia dos copistas para multiplicar os exemplares da Bíblia. Por isso, o grande foco de mudanças no texto sagrado passou a ser outro: as traduções.Em 1522, o pastor Martinho Lutero usou a imprensa para divulgar em massa sua tradução da Bíblia, que tinha feito direto do hebraico e do grego para o alemão. Era a primeira vez que o texto sagrado era vertido numa língua moderna – e a nova versão trouxe várias mudanças, que provocavam a Igreja (veja quadro na pág. 65). Logo depois um britânico, William Tyndale, ousou traduzir a Bíblia para o inglês. No Novo Testamento, ele traduziu a palavra ecclesia por “congregação”, em vez de “igreja”, o termo preferido pelas traduções católicas. A mudança nessa palavrinha era um desafio ao poder dos papas: como era protestante, Tyndale tinha suas diferenças com a Igreja. Resultado? Ele foi queimado como herege em 1536. Mas até hoje seu trabalho é referência para as versões inglesas do livro sagrado.
A Bíblia chegou ao nosso idioma em 1753 – quando foi publicada sua primeira tradução completa para o português, feita pelo protestante João Ferreira de Almeida. Hoje, a tradução considerada oficial é a feita pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e lançada em 2001. Ela é considerada mais simples e coloquial que as traduções anteriores. De lá para cá, a Bíblia ganhou o mundo e as línguas. Já foi vertida para mais de 300 idiomas e continua um dos livros mais influentes do mundo: todos os anos, são publicadas 11 milhões de cópias do texto integral, e 14 milhões só do Novo Testamento.
Depois de tantos séculos de versões e contra-versões, ainda não há consenso sobre a forma certa de traduzi-la. Alguns buscam traduções mais próximas do sentido e da época original – como as passagens traduzidas do hebraico pelo lingüista David Rosenberg na obra O Livro de J, de 1990. Outros acham que a Bíblia deve ser modernizada para atrair leitores. O lingüista Eugene Nida, que verteu a Bíblia na década de 1960, chegou ao extremo de traduzir a palavra “sestércios”, a antiga moeda romana, por “dólares”. Em 2008, duas versões igualmente ousadas estão agitando as Escrituras: a Green Bible (“Bíblia Verde”, ainda sem versão em português), que destaca 1 000 passagens relacionadas à ecologia – como o momento em que Jó fala sobre os animais –, e a Bible Illuminated (‘Bíblia Iluminada”, em inglês), com design ultramoderno e fotos de celebridades como Nelson Mandela e Angelina Jolie.
A Bíblia se transforma, mas uma coisa não muda: cada pessoa, ou grupo de pessoas, a interpreta de uma maneira diferente – às vezes, com propósitos equivocados. Em pleno século 21, pastores fundamentalistas tentam proibir o ensino da Teoria da Evolução nas escolas dos EUA, sendo que a própria Igreja aceita as teorias de Darwin desde a década de 1950. Líderes como o pastor Jerry Falwell defendem o retorno da escravidão e o apedrejamento de adúlteros, e no Oriente Médio rabinos extremistas usam trechos da Torá para justificar a ocupação de terras árabes. Por quê? Porque está na Bíblia, dizem os radicais. Não é nada disso. Hoje, os principais estudiosos afirmam que a Bíblia não deve ser lida como um manual de regras literais – e sim como o relato da jornada, tortuosa e cheia de percalços, do ser humano em busca de Deus. Porque esse é, afinal, o verdadeiro sentido dessa árvore de histórias regada há 3 mil anos por centenas de mãos, cabeças e corações humanos: a crença num sentido transcendente da existência.

Top 5 pragas

I. Quando os hebreus eram escravos no Egito, o Senhor enviou 10 pragas contra os opressores do povo escolhido. A primeira delas foi transformar toda a água do país em sangue (Êxodo 7:21).
II. Como o faraó não libertava os hebreus, o Senhor radicalizou: matou, numa só noite, todos os primogênitos do Egito. “E houve grande clamor no país, pois não havia casa onde não houvesse um morto” (Êxodo 12:30).
III. Desgostoso com os pecados de Sodoma e Gomorra, Deus destruiu as duas cidades com uma chuvarada de fogo e enxofre (Gênesis 19:24).
IV. Para punir as deso­bediências do rei Davi, o Senhor enviou uma doença não identificada, que matou 70 mil homens e 200 mil mulheres e crianças (2 Samuel, 24: 1-13).
V. Quando a nação dos filisteus roubou a arca da Aliança, onde estavam guardados os 10 Mandamentos, o Senhor os castigou com um surto de hemorróidas letais. “Os intestinos lhes saíam para fora e apodreciam” (1 Samuel 5:9) .

Os possíveis autores

1200 a.C. - Moisés
Segundo uma lenda judaica, a Torá (obra precursora da Bíblia) teria sido escrita por ele. Mas há controvérsias, pois existe um trecho da Torá que diz: “Moisés morreu e foi sepultado pelo Senhor próximo a Fegor”. Ora, se Moisés é o autor do texto, como ele poderia ter relatado a própria morte?
1000 a.C. - Javista
Viveu na corte do rei Davi, no antigo reino de Israel, e era um aristocrata. Ou, quem sabe, uma aristocrata: para o crítico Harold Bloom, Javista era mulher. Isso porque os personagens femininos da Bíblia (Eva e Sara, por exemplo) são muito mais elaborados que os masculinos.
Século 4 a.C. - Esdras
Líder religioso que reformou o judaísmo e possível editor do Pentateuco (5 primeiros livros da Bíblia). Vários trechos bíblicos editados por ele pregam a violência: “Derrubareis todos os altares dos povos que ides expropriar, queimareis as casas, e mudareis os nomes desses lugares”.
Século 1 - Paulo
Nunca viu Cristo pessoalmente, mas foi o primeiro a escrever sobre ele. Nascido na Turquia, Paulo viajou e fundou igrejas pelo Oriente Médio. Ele escrevia cartas para essas igrejas, contando a incrível aventura de um tal Jesus – que foi crucificado e ressuscitou.
Século 1 - Maria Madalena
Estava entre os discípulos favoritos de Jesus – e, diferentemente do que o Vaticano sustentou durante séculos, nunca foi prostituta. Pelo contrário: tinha influência no cristianismo e é a suposta autora do Apócrifo de Maria, um livro em que fala sobre sua relação pessoal com Jesus e divulga os ensinamentos dele.
Século 1 - João
Escreveu o 4o evangelho do Novo Testamento (João) e o Livro do Apocalipse, o último da Bíblia. Para ele, Jesus não é apenas um messias – é um ser sobrenatural, a própria encarnação de Deus. Essa interpretação mística marca a ruptura definitiva entre judaísmo e fé cristã.
Século 5 - Jerônimo
Nascido no território da atual Hungria, este padre foi enviado a Jerusalém com uma missão importantíssima: traduzir a Bíblia do grego para o latim. Cometeu alguns erros, como dizer que o profeta Moisés tinha chifres (uma confusão com a palavra hebraica karan, que na verdade significa “raio de luz”).
Século 16 - William Tyndale
Possuir trechos da Bíblia em qualquer idioma que não fosse o latim era crime. O professor Tyndale não quis nem saber, traduziu tudo para o inglês, e acabou na fogueira. Mas seu trabalho foi incrivelmente influente: é a base da chamada “Bíblia do Rei James”, até hoje a tradução mais lida nos países de língua inglesa.

Top 5 matanças

I. Um grupo de meninos malcriados zombou da calvície do profeta Eliseu. Pra quê! Na hora, dois ursos famintos saíram de um bosque e comeram as crianças (2 Reis 2:24).
II. Cercado por um exército de filisteus, o herói Sansão apanhou a mandíbula de um jumento morto. Usando o osso como arma, ele massacrou mil inimigos (Juízes, 15:16).
III. O profeta Elias convidou os sacerdotes do deus Baal para uma competição de orações. Era uma armadilha: Elias incitou o povo, que linchou os pagãos (1 Reis 18:40).
VI. Os judeus haviam perdido a fé e começaram a adorar um bezerro de ouro. Moisés ficou furioso e mandou sacerdotes levitas matar 3 mil infiéis (Êxodo 32:19).
V. A nação dos amalequitas disputava o território de Canaã com os judeus. O Senhor ordena que todos os amalequitas sejam chacinados (1 Samuel 15:18).

Top 5 satanagens

I. Após a destruição de Sodoma, os únicos sobreviventes eram Ló e suas duas filhas. As filhas de Lot embebedaram o pai e tiveram com ele a noite mais incestuosa da Bíblia (Gênesis 19:31).
II. O Cântico dos Cânticos, atribuído ao rei Salomão, é altamente erótico. Um dos trechos: “Teu corpo é como a palmeira, e teus seios, como cachos de uvas” (Cânticos 7:7).
III. Os anjos do Senhor tiveram chamegos ilícitos com mulheres mortais. “Vendo os Filhos de Deus que as filhas dos homens eram formosas, tomaram-nas como mulheres, tantas quanto desejaram” (Gênesis 6:2).
IV. A Bíblia diz que os antigos egípcios eram muito bem-dotados. Após a fuga para Canaã, a judia Ooliba tem saudades dos tempos em que se prostituía no Egito. Tudo porque “seus amantes (...) ejaculavam como cavalos” (Ezequiel 23:20).
V. O hebreu Onã casou com a viúva de seu irmão, mas não conseguia fazer sexo com ela – preferia o prazer solitário. Do nome dele vem o termo “onanismo”, que significa masturbação (Gênesis 38:9).

As história da história

Como o livro sagrado evoluiu ao longo dos tempos
Tanach - Século 5 a.C.
É a Bíblia judaica, e tem 3 livros: Torá (palavra hebraica que significa “lei”), Nebiim (“profetas”) e Ketuvim (“escritos”). É parecida com a Bíblia atual, pois os católicos copiaram seus escritos. Contém as sementes do monoteísmo e da ética religiosa, mas também pregações de violência. A primeira das bíblias tem trechos ambíguos e misteriosos – algumas passagens dão a entender que Javé não é o único deus do Universo.
Septuaginta - Século 3 a.C.
O Oriente Médio era dominado pelos gregos e pelos macedônios. Muitos judeus viviam em cidades de cultura grega, como Alexandria, e desejavam adaptar sua religião aos novos tempos. Diz a lenda que Ptolomeu, rei do Egito, reuniu um grupo de 72 sábios judeus para traduzir a Tanach – e fizeram tudo em 72 dias. Por isso, o resultado é conhecido como Septuaginta. Inclui textos que não constam da Tanach.
Novo Testamento - Século 1
A língua do Antigo Testamento é o hebraico, mas o Novo Testamento foi escrito num dialeto grego chamado coiné. Contém os relatos sobre vida, milagres, morte e ressurreição de Jesus – os evangelhos. Em alguns trechos, vai deixando evidente a divergência entre cristianismo e judaísmo. É o caso, por exemplo, do Evangelho de João, em que Jesus é descrito como uma encarnação de Deus (coisa na qual os judeus não acreditavam).
Católica - Século 4
Seus autores decidiram incluir 7 livros que os judeus não reconheciam. São os chamados Deuterocanônicos: Tobias, Judite, Sabedoria, Eclesiástico, Baruque, Macabeus 1 e 2 (mais trechos dos livros Daniel e Ester). A Bíblia católica bate na tecla do monoteísmo: a palavra hebraica Elohim, usada na Tanach para designar a divindade, é o plural de El, um deus cananeu. Mas foi traduzida no singular e virou “Senhor”.
Ortodoxa - Por volta do século 4
É baseada na Septuaginta, mas também inclui livros considerados apócrifos por católicos e protestantes: Esdras 1, Macabeus 3 e 4 e o Salmo 151. A tradução é mais exata (nesta Bíblia, Moisés nunca teve chifres, um erro de tradução introduzido pela Bíblia latina), e os escritos não são levados ao pé da letra: para os ortodoxos, o que conta são as interpretações do texto bíblico, feitas por teólogos ao longo dos séculos.
Protestante - Século 16
Ao traduzir a Bíblia para o alemão, Martinho Lutero excluiu os livros Deuterocanônicos e mudou algumas coisas. Um exemplo é a palavra grega metanoia, que na Bíblia católica significa “fazer penitência” – uma referência à confissão dos pecados, um dos sacramentos católicos. Já Lutero traduziu metanoia como “reviravolta”. Para ele, confessar os pecados era inútil. O importante era transformar a vida pela fé.

Top 5 milagres

I. O maior de todos os milagres divinos foi o primeiro: a Criação do mundo, pelo poder da palavra. “E Deus disse: que haja luz. E houve luz” (Gênesis 1:3).
II. Para dar-lhe uma amostra de seus poderes, o Senhor leva Ezequiel a um campo cheio de esqueletos – e os traz de volta à vida. “O vento do Senhor soprou neles, e viveram” (Ezequiel, 37; 1-28).
III. Graças à benção divina, o herói Sansão tinha a força de muitos homens. Certa vez, foi atacado por um leão. “O espírito do Senhor deu-lhe poder, e Sansão destroçou a fera com as próprias mãos, como se matasse um cabrito” (Juízes 14:6).
IV. Josué liderava uma batalha contra os amalequitas, mas o Sol estava se pondo. Como não queria lutar no escuro, o hebreu pediu ajuda divina – e o Sol ficou no céu (Josué 10:13).
V. Para fugir do Egito, os hebreus precisavam atravessar o mar Vermelho. E não tinham navios. Moisés ergueu seu bastão e as águas do mar se dividiram. Após a passagem dos hebreus, o profeta deixou que as ondas se fechassem sobre os exércitos do faraó (Êxodo 14; 21-30).

Para saber mais

A Bíblia: Uma Biografia
Karen Armstrong, Jorge Zahar Editora, 2007.
Who Wrote the Bible?
Richard Elliott Friedman, HarperOne, 1997.