segunda-feira, 24 de agosto de 2015

O Egito

Com uma área de pouco mais de 1 milhão de quilômetros quadrados, o Egito desfruta de apenas uns 40000 para a agricultura e habitações. Esse oásis longo e estreito situa-se no trecho setentrional do vale do Nilo , entre a segunda catarata e o delta, na costa do Mediterrâneo. A oeste dessas terras férteis, o território estende-se pelo deserto libico; a leste, pelo deserto Arábico ate o mar Vermelho, continuando na outra margem do golfo de Suez – a península do Sinai. Exceto litoral mediterrâneo, o clima é quente e muito árido. O rio Nilo, com seus 6 671 quilômetros percorre o território egípcio de sul para norte, pôr cerca de 1500 quilômetros. O volume de água varia com as estações, e as enchentes periódicas são um fator indispensável à agricultura, pois garantem umidade às lavouras ao longo de suas margens. Desde muitos milhares de anos atrás, o Egito havia dependido totalmente dessas cheias; só a partir de 1835 é que começaram a ser construídas grandes represas, e, em 1961, iniciou-se uma das maiores do mundo – a de Assuã, com 111 metros de altura e capacidade para 157 milhões de metros cúbicos de água. Ocupando dois terços da superfície do país, o deserto Líbico ou Ocidental é uma das regiões mais secas da Terra; caracteriza-se também pêlos oásis e pela sucessão de dunas. O deserto Arábico ou Oriental situa-se entre o Nilo e o mar Vermelho; seus poços artesianos e fontes naturais dependem quase que totalmente das chuvas. A península do Sinai é formada pôr altas cadeias de montanhas e apresenta um índice pluviométrico superior ao dos outros desertos.
O povo egípcio é predominantemente hamita, com minorias de núbios e beduínos, e 90% da população adota a religião islâmica. Pela estimativa de 1971, a população é demais de 34 milhões de habitantes, concentrados principalmente no delta e no vale do Nilo, onde se localiza a cidade do Cairo (capital), com mais de 4 milhões de habitantes e centro político do Mundo Árabe. Outras cidades importantes são Alexandria, principal porto do país, e Gizé, famosa por suas pirâmides. A história moderna do Egito se inicia em 1805, com o término da dominação otomana e o princípio de sua modernização com Mohammed Ali. A construção do Canal de Suez, terminada em 1869, deu ao Egito importante papel estratégico, o que provocou a intervenção européia. Em 1882, a pretexto de dívidas não saldadas, a Inglaterra bombardeou Alexandria e estabeleceu seu protetorado no Egito. Isso levou o povo à revolta, sufocada as ingleses e franceses. A Inglaterra passou a controlar diretamente o governo egípcio até 1922, época em que instalou a monarquia do rei Fuad. Após várias insurreições nacionalistas, o Movimento dos Oficias Livres conseguiu depor o rei Faruk, em 1952.
Partidários do socialismo árabe”, os revolucionário decretaram a reforma agrária, nacionalizaram os setores econômicos básicos e impuseram um governo forte em 1954, com Gamal Abdel Nasser à frente. Em 1956 Nasser nacionalizou a Companhia do Canal de Suez que pertencia aos ingleses e franceses desde 1869, e declarou que utilizaria as rendas do Canal para construir a represa de Assuã. Esse fato provocou a invasão do Sinai por israelenses apoiados, pela França e Inglaterra que pretendiam voltar a explorar o Canal. Em 1958, o Egito passou a ser conhecido como república Árabe Unida (RAÚ). Em março de 1967 quando Nasser ordenou a retirada das tropas da ONU que controlavam o Sinai e sua ocupação por tropas da RAU, repetiu-se a guerra egípcio-israelense (Guerra dos Seis dias), quando o Egito perdeu o Sinai. Essa derrota levou Nasser a obstruir o Canal em represália a Israel. Com a morte de Nasser em 1971, assume a presidência Anuar Sadat que continuou política de seu antecessor no sentido de recuperar os territórios perdidos para Israel e na unificação do Mundo Árabe. Nesse ano, a RAU uniu-se à Líbia e à Síria formando a Federação das Repúblicas Árabes (FRA). Em 1973, mais bem preparados e apoiados pelos países árabes que dispunham do petróleo, nova e poderosa arma, os egípcios iniciaram Guerra de Yom Kippur, cruzaram o Canal, de reconquistando vários pontos. Em junho de 75 Sadat efetiva a abertura do canal de Suez que passa a ser palco de confrontação militar entre EUA e URSS

EGITO ANTIGO. 
O Egito é o berço da mais antiga civilização, a egípcia. O estudo dessa civilização tornou-e possível após 1822 guando da decifração dos hieróglifos.
Inicialmente a região achava-se dividida em cidades-estados, “nomos”, independentes politicamente. Em torno de 4000 a.C. esses “nomos” uniram-se em dois reinos: Reino do Baixo Egito (Norte) e Reino do Alto Egito (Sul). A unificação desses reinos ocorreu por volta de 3 200 a.C., com Menés, que se tornou o primeiro faraó da primeira dinastia e deu início à história dinastia do Antigo Egito que vai até o século X1 a.C., quando termina a dinastia Ramsés e inicia a decadência. Essa decadência se acentua com o aparecimento do novos reinos no Oriente Médio, com o enfraquecimento do Governo dos faraós, com o empobrecimento do país causado pela desorganização interna e pelas sucessivas dominações estrangeiras. inicialmente, a dominação assíria, seguida da dominação persa, macedonia, romana e árabe, sendo esta última responsável pela religião islâmica do Egito atual.
OS egípcios foram grandes construtores, erguendo casas e palácios com Tijolos e madeira. Recursos técnicos que talvez tenham trazido à Mesopotâmia. As pedras eram reservadas para a construção de túmulos. Eram hábeis na arte de esculpir em pedras, fabricavam jóias de ouro, pedras semipreciosas e esmalte, e descobriram o papiro, que servia para a escrita. Desenvolveram conhecimentos e medicina e iniciaram investigações matemáticas, mais tarde desenvolvidas pelos gregos. Porem, onde os egípcios mais se destacaram foi na construção de túmulos, as pirâmides em geral em honra dos faraós. Contando com materiais rudimentares, porém com fartura de mão-de-obra, construíram verdadeiros monumentos de arquitetura, como as pirâmides de Quéfren, Quéops e Miquerinos que ficam na cidade de Gizé. A arte egípcia em sua maior parte homenageava os mortos, sepultadas com os objetos julgados necessários paia a vida no além. Muitos faraós eram enterrados em túmulos escavados em rochas, outros tinham o corpo conservado pelo embasamento. os egípcios eram politeístas. Osíris, deus dos mortos, segundo eles desposara sua irmã, Íris, sendo morto por Seth; seu filho Horus, porém, ressuscitou-o. Horus, deus do firmamento e da chuva, reinava sobre os viventes, representado por um falcão. Havia o costume de representar o deus sob a forma antropozoomorfa (corpo de animal e cabeça humana)., Ra era o deus sol de Heliópolis; quando Tebas se tornou a capital (11.~ dinastia), Amon, o deus da cidade ficou sendo Amon-Ra, o rei dos deuses. Em 1340 a.C., o faraó Akhenaton, instituiu o culto a um só deus – Aton – o ‘sol, e mandou construir a nova Capital em Telel Anarna.
Tutankhamon, seu sucessor, restabeleceu os antigos deuses, e seu túmulo foi o que abrigou a maior quantidade de tesouros no Egito. O último faraó egípcio, Nectanebo morreu em 341 a.C.
Bibliografia.
Enciclopédia do Estudante 2, COM – IND
Grolier Multimedia Encyclopedia
Extraído via internet:
http://www.historia.com.br/egito.htm

A preocupação com a Vinda de Jesus na História da Igreja

Fim dos Tempos 028
Desde os primórdios da igreja do Senhor Jesus na Terra, o movimento cristão vem se caracterizado por um nítido elemento apocalíptico. O cristianismo tem uma concepção linear da história, apontando para um fim que marcará a consumação de todas as coisas. Esse elemento já estava fortemente presente no judaísmo pré-cristão, especialmente nos profetas e nos salmos do Antigo Testamento, com a sua esperança messiânica e a sua mensagem acerca do Dia do Senhor, a intervenção de Deus na história para libertar Israel dos seus inimigos e instaurar uma era de justiça e paz. Jesus manteve essa ênfase escatológica ao fazer da vinda iminente do reino de Deus a sua mensagem principal. Os apóstolos, nos escritos que vieram a compor o Novo Testamento, preservaram a convicção da igreja primitiva de que os cristãos vivem entre dois tempos, entre o “já” e o “ainda não”.
Essa permanente tensão tem feito com que os cristãos, a cada geração, se preocupem, com maior ou menor intensidade, com as questões referentes ao fim dos tempos.
O período apostólico foi caracterizado por uma intensa esperança escatológica, como se pode constatar nas epístolas paulinas, nas epístolas gerais e no livro do Apocalipse. Todavia, ao contrário da opinião da crítica bíblica moderna, a demora ou adiamento da parousia (termo técnico para a “presença” ou segunda vinda de Cristo) não parece ter causado grande comoção entre os primeiros cristãos. Eles simplesmente passaram a interpretar os eventos de outra maneira. Com o tempo surgiu o entendimento de que a volta de Cristo poderia não ser um evento iminente e sim muito distante no futuro, e aqueles que afirmavam o contrário foram encarados com desconfiança.
Muitos dos primeiros cristãos parecem ter entendido a ressurreição de Cristo como o início do milênio. Aliás, as preocupações milenaristas ou quiliásticas (do grego chilioi = “mil”) foram generalizadas nos primeiros séculos da igreja. Papias (c.60-120 d.C.), um dos chamados “pais apostólicos”, foi o primeiro autor subseqüente ao Novo Testamento a descrever o milênio, assim como também o fez o gnóstico Cerinto (c. 100 d.C.), embora a sua descrição dos prazeres físicos associados ao mesmo tenha escandalizado os ortodoxos.
Em sua obra Diálogo com Trifo, o Judeu, o apologista Justino Mártir (c.100-165) foi um passo além de Papias ao afirmar que o milênio teria início após a vinda do Anticristo e a segunda vinda de Cristo. Os fiéis falecidos iriam ressuscitar dentre os mortos e reinar com Cristo por mil anos na nova Jerusalém. Assim sendo, ele é considerado por muitos o primeiro “pré-milenista”, ou seja, defensor da noção de que a volta de Cristo precede o milênio. Justino foi seguido nessa opinião pelo célebre bispo Irineu de Lião (c.130-c.200), um discípulo de Papias, em sua monumental obra apologética Contra as Heresias, dirigida contra os gnósticos.
Observa-se com essas abordagens como, desde o início, falar dos eventos futuros era algo incerto, pois diversas formas de pesquisar e interpretar o texto sagrado iam surgindo.
Justino e Irineu entenderam a segunda vinda de Cristo e o milênio como eventos distantes no tempo. Todavia, no final do segundo século alguns cristãos começaram a ver sinais de que o milênio era iminente, como foi o caso dos montanistas. Por volta do ano 172, Montano e suas auxiliares Priscila e Maximila começaram a afirmar que o milênio havia começado e que dentro em breve Jerusalém iria descer nas proximidades da Frígia, na Ásia Menor. Eles também disseram que Deus lhes havia dado autoridade sobre a igreja e que rejeitar os seus pronunciamentos era blasfemar contra o Espírito Santo. (observa-se,nesse aspecto, uma característica forte de um grupo sectário e herético: dizer que recebeu a revelação direto de Deus).
No início do terceiro século, Hipólito de Roma predisse que Cristo estabeleceria o milênio no ano 500, sendo um dos primeiros escritores antigos a fixarem uma data para a segunda vinda. Ele fez esse cálculo no seu comentário pioneiro sobre o livro de Daniel, partindo da premissa de que Cristo nascera 5500 anos após a criação do mundo. Assim, a segunda vinda e o início do milênio se dariam 500 depois e o mundo terminaria no ano 7000, uma idéia comum naqueles dias.
Curiosamente, o objetivo de Hipólito com essa data distante foi atenuar as expectativas de muitos de seus contemporâneos. Ele falou de um líder da igreja síria que havia levado o seu povo ao deserto para aguardar a segunda vinda. Outro líder, do Ponto, no norte da Ásia Menor, havia predito que Cristo voltaria dentro de um ano. Quando isso não aconteceu, os seus seguidores ficaram arrasados. Muitos abandonaram a fé: “As virgens se casaram; os homens se retiraram para as suas fazendas e aqueles que haviam imprudentemente vendido as suas possessões mais tarde foram vistos mendigando”.
Outra tentativa de atenuar as expectativas milenistas foi feita pelo grande teólogo do terceiro século Orígenes (c.185-c.254). Sua interpretação bíblica alegórica, não-literal, deu mais ênfase às ações praticadas pelos cristãos do que à cronologia dos eventos escatológicos. Algumas décadas mais tarde, quando a última perseguição imperial se abateu sobre a igreja (303-311), houve a especulação de que a temida tribulação podia ter chegado, sendo o imperador Diocleciano e o seu vice Galério a primeira e a segunda bestas de Apocalipse 13. Logo depois, com a vitória de Constantino e a completa inversão da situação da igreja, muitos tiveram a impressão de que o milênio finalmente havia chegado.
Inicialmente, o grande bispo de Hipona, Agostinho, havia abraçado a posição milenarista da maioria dos antigos cristãos. Todavia, na sua obra mais importante, A Cidade de Deus (ano 427), ele passou a entender os mil anos de Apocalipse 20 como o período que teve início com a encarnação de Cristo, ou seja, a era da Igreja Cristã. Essa nova posição, muitas vezes chamada de “amilenismo” (isto é, a negação de um milênio literal), tornou-se a concepção predominante entre os cristãos ocidentais, inclusive os reformadores protestantes, por quase mil e quinhentos anos. Na era da Igreja, os santos já reinam com Cristo, embora não de modo tão pleno como acontecerá no reino eterno de Deus.
As razões apontadas para essa mudança de pensamento são várias. Entre elas está o fato de que, à medida que os anos passaram, Agostinho concentrou-se cada vez mais nas realidades celestiais, tanto presentes quanto futuras. A terra e as realidades históricas tornaram-se cada vez menos importantes para ele. A idéia de um milênio literal na terra após a volta de Cristo parecia-lhe demasiado grosseira; tudo o que importava era a cidade de Deus. Os cristãos são peregrinos cujo verdadeiro lar é a pacífica cidade que está além da história humana. “Sem essa esperança”, disse ele, “a presente realidade é uma falsa felicidade, ela é de fato uma completa miséria”.
Portanto, a primeira vinda de Cristo deu início aos últimos tempos da história humana. A consumação está além deste mundo, quando Cristo reinar plenamente no meio do seu povo restaurado, quando tiverem ficado para trás as lutas e ambigüidades da era presente.
Curiosamente, a passagem do ano 1000 teve pouco significado apocalíptico para as pessoas da Idade Média, porque o cálculo dos anos a partir do nascimento de Cristo ainda era relativamente recente. Todavia, isso não significa que o cristianismo medieval estivesse pouco interessado em especulações sobre o final dos tempos.
Por volta de 950, um monge chamado Adso escreveu um tratado sobre o Anticristo que popularizou a idéia do “último imperador mundial”, o grande monarca que precederia a vinda do Anticristo. Um elemento que alimentou o apocaliptismo desse período foi a corrupção da Igreja e a inércia dos seus líderes, situação que suscitou protestos como o da abadessa alemã Hildegarda de Bingen (1098-1179).
Todavia, o mais famoso escritor sobre temas apocalípticos naquela época foi o abade Joaquim de Fiore (c.1135-1202), outro proponente da reforma da Igreja. Ele especulou que, logo após o ano 1200, duas forças anticristãs, possivelmente muçulmanos e hereges, iriam atacar, derrotar e perseguir intensamente os cristãos. Assim purificados, um papa reformador e as ordens monásticas criariam um mundo mais santo no qual as pessoas alcançariam uma compreensão inigualável do sentido oculto das Escrituras. Por um período indeterminado, os cristãos dominariam o mundo em um clima de paz.
Os eventos não se harmonizaram com essas previsões otimistas. Por vários séculos, os imperadores continuaram a entrar em choque com os papas, e nem uns nem outros promoveram as reformas que a Igreja reclamava. Essa situação, aliada a outras realidades negativas na sociedade mais ampla, continuou a inspirar não só a literatura apocalíptica, mas movimentos dessa natureza, como o dos taboritas, seguidores extremados de João Hus, e o do frade dominicano Jerônimo Savonarola (1452-1498).
Um fato pouco conhecido são as motivações escatológicas por trás das viagens exploratórias de Cristóvão Colombo (1451-1506). O famoso navegador genovês era assíduo estudioso da Bíblia e estava familiarizado com a escatologia de Joaquim de Fiore. Ele preparou o chamado Livro de Profecias, uma coleção de predições sobre o fim do mundo e o retorno de Cristo no qual procurou demonstrar que as suas viagens serviam a um propósito divino. A descoberta de um caminho mais curto para o Oriente não só proporcionaria os fundos para a conquista de Jerusalém das mãos dos infiéis, mas possibilitaria a pregação do evangelho a todas as nações, dois requisitos para a volta de Cristo.
Posteriormente, os principais reformadores protestantes contestaram muitas doutrinas da Igreja Medieval, mas não manifestaram maiores preocupações com a escatologia predominante, herdada de Agostinho.
Todavia, Lutero afastou-se de alguns aspectos do amilenismo da Idade Média. Por exemplo, ele questionou a glória da Igreja Histórica, cria que o papado era a manifestação do Anticristo e entendia a vinda do Senhor como uma ocasião feliz, e não como um dia de ira.
Como Lutero, Calvino rejeitou explicitamente a posição milenista, considerando-a infantil e equivocada. Ele cria que a idéia do milênio impõe um limite ao reino de Cristo. Em grande parte, a escatologia de Calvino concentrou-se no futuro dos indivíduos. Nas Institutas da Religião Cristã, ele aborda a ressurreição final no contexto de uma seção mais ampla sobre como os indivíduos recebem a graça de Cristo. Para ele, a escatologia tem um sentido prático, pois a meditação sobre a vida futura é um elemento essencial da vida cristã.
Muito diferente foi o entendimento desse assunto por parte de alguns anabatistas extremados. O episódio que mais contribuiu para dar uma reputação negativa ao anabatismo no século 16 ocorreu na cidade alemã de Münster. Tudo começou em 1529, quando Melchior Hofmann começou a pregar sermões apocalípticos em Estrasburgo anunciando a vinda literal e iminente do Reino de Deus.
Após três anos de pregação incessante, as autoridades o lançaram na prisão, mas os seus seguidores, os melquioritas, surgiram por toda parte. Um deles foi Jan Matthys, um padeiro de Haarlem, na Holanda. Proclamando ser Enoque, a segunda testemunha do livro do Apocalipse, ele começou a pregar de maneira agressiva e a enviar grupos de seguidores através dos Países Baixos. Dois deles, Jan de Leyden e Gerard Boekbinder, foram para Münster, onde o principal pregador da cidade, Bernhard Rothman, estava pregando idéias anabatistas a grandes multidões.
Ouvindo as notícias, Matthys teve a visão de que Münster deveria ser o local da Nova Jerusalém e mudou-se para aquela cidade com os seus seguidores. No início de 1534, após a fuga de parte da população católica e luterana, Matthys assumiu o controle de Münster. Iniciou-se um período de repressão que visava “purificar” a cidade, com rebatismos forçados, confisco de propriedades, queima de livros e a execução de um ferreiro pelo próprio Matthys. No domingo de Páscoa de 1534, acompanhado de alguns seguidores, Matthys atacou o exército do bispo que estava acampado fora da cidade, sendo imediatamente morto e decapitado. Jan de Leyden assumiu a liderança, ungiu a si mesmo rei, instaurou um reino de terror e introduziu inovações como a poligamia. No dia 25 de junho de 1535, o exército do bispo invadiu a cidade e matou quase todos os habitantes. Leyden e dois companheiros foram torturados até a morte com ferros em brasa. A esperança de uma Nova Jerusalém havia terminado em tragédia.
Mais na história recente, nos séculos 17 e 18, com o advento do Iluminismo, houve um forte declínio do entusiasmo apocalíptico que havia caracterizado o cristianismo europeu durante vários séculos. Todavia, do outro lado do Atlântico surgiu uma nova maneira de encarar a escatologia, que ficou conhecida como “pós-milenismo”, a crença de que a segunda vinda iria ocorrer após um milênio de paz e prosperidade para a igreja, sendo o mesmo implantado através dos esforços da própria igreja, auxiliada por Deus. O pós-milenismo revelou uma atitude de profundo otimismo com relação ao progresso da igreja e da sociedade e foi uma doutrina geralmente aceita pelos protestantes norte-americanos até a segunda metade do século 19. Ela dominou a imprensa religiosa, os principais seminários e grande parte dos ministros, além de estar implantada na mentalidade popular.
O primeiro articulador dessa doutrina nos Estados Unidos foi o famoso teólogo calvinista e pastor congregacional Jonathan Edwards (1703-1758). No contexto do Primeiro Grande Despertamento, do qual foi um dos principais personagens, Edwards anteviu uma era de contínuo avanço do evangelho até que, por volta do ano 2000, surgisse o milênio, um período de paz, notável conhecimento, santidade e prosperidade geral. A maior contribuição de Edwards foi o entendimento de que essa obra resultaria de uma combinação da atuação do Espírito Santo com o uso de meios, como a pregação do evangelho e o cultivo dos “meios ordinários de graça”. Para ele, essa visão pós-milenista era um incentivo necessário para sustentar os melhores esforços da igreja.
A influência de Edwards continuou por várias gerações, principalmente após a Revolução Americana, quando surgiu um renovado interesse pela escatologia bíblica. Seu discípulo Samuel Hopkins publicou em 1793 um Tratado sobre o Milênio, dando grande ênfase ao ativismo social e expressando a convicção de que a grande maioria dos seres humanos iria converter-se. Suas expectativas pareceram confirmar-se com a ocorrência de um avivamento muito mais vasto nas primeiras décadas do século 19, o Segundo Grande Despertamento. Neste, o personagem de maior destaque foi o avivalista Charles G. Finney (1792-1875), que levou às últimas conseqüências a ênfase de Edwards no uso de meios por parte da igreja. Outro fervoroso partidário do otimismo pós-milenista, Finney entendia que o avivamento não era um fenômeno sobrenatural, mas resultava do uso apropriado de certas técnicas, as quais denominou “novas medidas”.
O contínuo progresso da nova nação norte-americana e a ocorrência de ainda outro avivamento em 1858 intensificaram as esperanças pós-milenistas, que eram expressas nos termos mais triunfalistas possíveis. Porém, com a Guerra Civil (1861-1865) e os grandes problemas gerados pela imigração, urbanização e industrialização, o entusiasmo pós-milenista entrou em refluxo. Seus últimos vestígios se manifestariam no movimento do Evangelho Social, no início do século 20, que ainda insistiu em falar na conversão da sociedade e na implantação do Reino de Deus na terra. O cenário estava preparado para o retorno triunfal do velho pré-milenismo abraçado por muitos cristãos antes de Agostinho.
Em meio ao pós-milenismo dominante, começaram a surgir nos Estados Unidos, ainda na primeira metade do século 19, diversos movimentos de natureza fortemente apocalíptica, como foi o caso dos mórmons (“os santos dos últimos dias”) e seu profeta Joseph Smith. Outro líder influente foi William Miller, um fazendeiro da Nova Inglaterra que, através do estudo da Bíblia e especialmente de Daniel 8.14, concluiu que Cristo iria voltar em 1843 ou 1844.
A partir de 1838, a grande divulgação de suas idéias através de publicações e conferências despertou enorme interesse popular. Todavia, quando as previsões de Miller não se materializaram, os seus seguidores ficaram completamente desiludidos e amargurados com ele, que morreu quase esquecido em 1849. Mesmo assim, alguns de seus simpatizantes permaneceram firmes. Um pequeno grupo da Nova Inglaterra, liderado por James White e Ellen G. White, concluiu que Miller estava certo quanto à data, mas errado quanto ao local. No dia 22 de outubro de 1844, Cristo de fato purificou o santuário segundo a profecia de Daniel, mas o santuário estava no céu, e não na terra. Cristo não apareceu na terra em virtude da não-observância do sábado por parte da igreja. Assim surgiu a Igreja Adventista do Sétimo Dia.
O que se nota, nessa abordagem histórica até o momento, é que não há como definir essa ou aquela interpretação como a verdade cabal e única, com o forte risco de cairmos na rede da heresia e do engano, como a história prova por si só.
Ainda nesse avançar histórico, mais importante para o evangelicalismo norte-americano e mundial foi o pré-milenismo dispensacionalista. As origens desse movimento remontam ao inglês John Nelson Darby (1800-1882), um talentoso líder dos Irmãos de Plymouth. Suas idéias foram popularizadas nos Estados Unidos por C. I. Scofield através da sua famosa Bíblia Anotada. Esse sistema derivou o seu nome do fato de dividir a história em diversas eras ou dispensações.
Outra peculiaridade estava na convicção de que Deus tem dois planos completamente diferentes atuando na história: um para os judeus e outro para a igreja. Todavia, sua doutrina mais controvertida e distintiva é a do arrebatamento da igreja, quando Cristo virá para os seus santos, seguido da tribulação, da consumação do plano de Deus em relação aos judeus e da segunda vinda, quando Cristo virá com os seus santos. Então virá o milênio, seguido do juízo final e dos novos céus e terra.
Inicialmente, os evangélicos conservadores viram o dispensacionalismo com suspeitas. Todavia, a luta contra o liberalismo teológico aproximou os dois grupos, permitindo que os pré-milenistas fossem conquistando espaços. Em 1878, a Conferência Bíblica de Niagara aprovou uma declaração de fé que incluía, além de uma abertura para o pré-milenismo, ênfases evangélicas tradicionais como a autoridade das Escrituras e a necessidade da conversão pessoal. Apesar das suas diferenças na área da escatologia, fundamentalistas e pré-milenistas perceberam que possuíam muitas convicções comuns, o que os levou a firmar alianças por algum tempo.
O pré-milenismo também foi auxiliado pelo apoio de líderes populares como o evangelista Dwight L. Moody e pela criação de institutos bíblicos. O fato é que, no final do século 19, o pré-milenismo parecia muito mais realista do que o pós-milenismo e os seus defensores apontavam para um grande número de problemas sociais como “sinais dos tempos” e evidências de que a sua posição era a mais correta.
Um dos fenômenos mais importantes da história da Igreja no século 20 foi o surgimento do movimento pentecostal, que teve como uma de suas características mais distintivas o falar em línguas. Curiosamente, os estudiosos apontam para o fato de que o pentecostalismo inicial tinha como enfoque principal a segunda vinda de Cristo.
O dom de se expressar em outras línguas (xenoglossolalia) era visto simplesmente como um instrumento para a colheita final de almas antes do arrebatamento da Igreja. Essa preocupação já estivera presente em Edward Irving (1792-1834), um pastor presbiteriano escocês que é tido como precursor do movimento carismático, e foi muito saliente nos primeiros líderes pentecostais, Charles Fox Parham e William J. Seymour.
Depois de 1910, quando ficou claro que os missionários não estavam recebendo habilidades miraculosas de falar em outras línguas humanas, os pentecostais começaram a dar maior ênfase às línguas como evidência do batismo com o Espírito Santo e como uma linguagem devocional de oração. Mesmo assim, a preocupação escatológica não foi esquecida. Um exemplo disso é a Igreja do Evangelho Quadrangular, que tem como uma das quatro convicções básicas implícitas no seu nome a volta de Cristo.
Após a 2ª Guerra Mundial (1939 a 1945), o pré-milenismo despertou um interesse sem precedentes graças a fenômenos como as armas atômicas, a criação do Estado de Israel, a guerra fria entre os blocos capitalista e comunista e o surgimento da união européia. O número de publicações sobre o tema foi impressionante, os autores oferecendo as mais diferentes interpretações dos eventos contemporâneos à luz das profecias bíblicas. Um grande campeão de vendas por muitos anos foi o livro de Hal Lindsay, A Agonia do Grande Planeta Terra (1970). Muitos filmes também foram produzidos nessa área, inclusive pela indústria cinematográfica secular. O fim da União Soviética em 1989 e o transcurso do ano 2000 apresentaram novos desafios e a necessidade de reinterpretações, como também ocorreu com os atentados terroristas nos Estados Unidos em 2001 e suas conseqüências.
Os cristãos de todas as eras ficam imaginando se o fim dos tempos não irá chegar na sua geração. Não poderia ser diferente em nossos dias, principalmente à luz de acontecimentos tão impressionantes que o mundo tem testemunhado.
Mas, de tudo que se caracterizou bem sumariamente até esse ponto, observa-se que existem coisas mais relevantes, mais importantes, mais urgentes, quando o assunto é a Volta de Jesus. Importa é que os seguidores de Cristo cumpram as solenes tarefas que lhes foram confiadas. Importa mais o que somos e não o que sabemos sobre a escatologia. É nesse ponto que está uma enorme diferença. O que define seu destino com Deus não é o que você sabe sobre o futuro ou mesmo sobre o passado, mas o que você é na sua essência, o que você como servo do Senhor, é o que você faz e fará até que Ele venha.

RESUMO DAS TEORIAS ALUSIVAS À SEGUNDA VINDA DE JESUS OU AOS ASSUNTOS ESCATOLÓGICOS

ÉPOCA
EVENTO
Igreja TessalônicaAcreditavam que Jesus viria à Terra uma segunda vez naquela mesma época

Cerca de 60-120 d.C.Introdução de ensinos sobre o Milênio por Papias, um dos chamados pais apostólicos.

Cerca de 100 d.C.Cerinto – um gnóstico que falou sobre mil anos, embora deturpadamente.

Cerca de 100-165Justino Mártir escreve Diálogo com Trifo, o Judeu, onde afirma que o milênio teria início após a vinda do Anticristo e a segunda vinda de Cristo. Os fiéis falecidos iriam ressuscitar dentre os mortos e reinar com Cristo por mil anos na nova Jerusalém. Considerado por muitos o primeiro “pré-milenista”, ou seja, defensor da noção de que a volta de Cristo precede o milênio.

C 130-200 d.C.O célebre bispo Irineu de Lião  c.130-c.200), um discípulo de Papias, em sua monumental obra apologética Contra as Heresias, dirigida contra os gnósticos,   seguiu os mesmos ensinos de Justino Mártir.

Cerca de 172 d.C.Montano e suas auxiliares Priscila e Maximila começaram a afirmar que o milênio havia começado e que dentro em breve Jerusalém iria descer nas proximidades da Frígia, na Ásia Menor.

Cerca dos primórdios dos anos 200 d.C.No início do terceiro século, Hipólito de Roma predisse que Cristo estabeleceria o milênio no ano 500, sendo um dos primeiros escritores antigos a fixarem uma data para a segunda vinda.

Cerca dos primórdios dos anos 200 d.C.Outra tentativa de atenuar as expectativas milenistas foi feita pelo grande teólogo do terceiro século Orígenes (c.185-c.254). Sua interpretação bíblica alegórica, não-literal, deu mais ênfase às ações praticadas pelos cristãos do que à cronologia dos eventos escatológicos.

Século IVEntre 400 e 500 d.C.Inicialmente, o grande bispo de Hipona, Agostinho, havia abraçado a posição milenarista da maioria dos antigos cristãos. Todavia, na sua obra mais importante, A Cidade de Deus (ano 427), ele passou a entender os mil anos de Apocalipse 20 como o período que teve início com a encarnação de Cristo, ou seja, a era da Igreja Cristã. Essa nova posição, muitas vezes chamada de “amilenismo” (isto é, a negação de um milênio literal), tornou-se a concepção predominante entre os cristãos ocidentais, inclusive os reformadores protestantes, por quase mil e quinhentos anos.

Por volta de 950 d.C.Um monge chamado Adso escreveu um tratado sobre o Anticristo que popularizou a idéia do “último imperador mundial”, o grande monarca que precederia a vinda do Anticristo. Um elemento que alimentou o apocaliptismo desse período foi a corrupção da Igreja e a inércia dos seus líderes, situação que suscitou protestos como o da abadessa alemã Hildegarda de Bingen (1098-1179).

Período 1100-1200O abade Joaquim de Fiore (c.1135-1202), outro proponente da reforma da Igreja, especulou que, logo após o ano 1200, duas forças anticristãs, possivelmente muçulmanos e hereges, iriam atacar, derrotar e perseguir intensamente os cristãos.

Período de 1400 a 1500Cristóvão Colombo  era assíduo estudioso da Bíblia e estava familiarizado com a escatologia de Joaquim de Fiore. Ele preparou o chamado Livro de Profecias, uma coleção de predições sobre o fim do mundo e o retorno de Cristo no qual procurou demonstrar que as suas viagens serviam a um propósito divino.

Cerca de 1529 para frenteEm 1529, surgem as pregações apocalípticas de Melchior Hofmann. Um melquiorita, seu seguidor, foi Jan Matthys, um padeiro de Haarlem, na Holanda. Proclamando ser Enoque, a segunda testemunha do livro do Apocalipse, ele começou a pregar de maneira agressiva e a enviar grupos de seguidores através dos Países Baixos.

Cerca de 1529 para frenteDois deles, Jan de Leyden e Gerard Boekbinder, foram para Münster, onde o principal pregador da cidade, Bernhard Rothman, estava pregando idéias anabatistas a grandes multidões. Daí para frente, vários foram os eventos ocasionados por pregações desviadas da paz de Cristo, que culminaram  com mortes e tragédias.

Séculos 17 e 18Mais na história recente, nos séculos 17 e 18, com o advento do Iluminismo, houve um forte declínio do entusiasmo apocalíptico que havia caracterizado o cristianismo europeu durante vários séculos. Todavia, do outro lado do Atlântico surgiu uma nova maneira de encarar a escatologia, que ficou conhecida como “pós-milenismo”, a crença de que a segunda vinda iria ocorrer após um milênio de paz e prosperidade para a igreja, sendo o mesmo implantado através dos esforços da própria igreja, auxiliada por Deus. O primeiro articulador dessa doutrina nos Estados Unidos foi o famoso teólogo calvinista e pastor congregacional Jonathan Edwards (1703-1758).

Séculos 17 e 18A influência de Edwards continuou por várias gerações, principalmente após a Revolução Americana, quando surgiu um renovado interesse pela escatologia bíblica. Seu discípulo Samuel Hopkins publicou em 1793 um Tratado sobre o Milênio, dando grande ênfase ao ativismo social e expressando a convicção de que a grande maioria dos seres humanos iria converter-se. Suas expectativas pareceram confirmar-se com a ocorrência de um avivamento muito mais vasto nas primeiras décadas do século 19, o Segundo Grande Despertamento. Neste, o personagem de maior destaque foi o avivalista Charles G. Finney (1792-1875), que levou às últimas conseqüências a ênfase de Edwards no uso de meios por parte da igreja.Em meio ao pós-milenismo dominante, começaram a surgir nos Estados Unidos, ainda na primeira metade do século 19, diversos movimentos de natureza fortemente apocalíptica, como foi o caso dos mórmons (“os santos dos últimos dias”) e seu profeta Joseph Smith. Outro líder influente foi William Miller, um fazendeiro da Nova Inglaterra que, através do estudo da Bíblia e especialmente de Daniel 8.14, concluiu que Cristo iria voltar em 1843 ou 1844.


Séculos 17 e 18A partir de 1838, a grande divulgação de suas idéias através de publicações e conferências despertou enorme interesse popular. Todavia, quando as previsões de Miller não se materializaram, os seus seguidores ficaram completamente desiludidos e amargurados com ele, que morreu quase esquecido em 1849. Mesmo assim, alguns de seus simpatizantes permaneceram firmes. Um pequeno grupo da Nova Inglaterra, liderado por James White e Ellen G. White, concluiu que Miller estava certo quanto à data, mas errado quanto ao local. No dia 22 de outubro de 1844, Cristo de fato purificou o santuário segundo a profecia de Daniel, mas o santuário estava no céu, e não na terra. Cristo não apareceu na terra em virtude da não-observância do sábado por parte da igreja. Assim surgiu a Igreja Adventista do Sétimo Dia. Surge o pré-milenismo dispensacionalista. As origens desse movimento remontam ao inglês John Nelson Darby (1800-1882), um talentoso líder dos Irmãos de Plymouth. Suas idéias foram popularizadas nos Estados Unidos por C. I. Scofield através da sua famosa Bíblia Anotada. Esse sistema derivou o seu nome do fato de dividir a história em diversas eras ou dispensações.
Séculos 19 e 20No final do século 19, o pré-milenismo parecia muito mais realista do que o pós-milenismo e os seus defensores apontavam para um grande número de problemas sociais como “sinais dos tempos” e evidências de que a sua posição era a mais correta.Um dos fenômenos mais importantes da história da Igreja no século 20 foi o surgimento do movimento pentecostal, que teve como uma de suas características mais distintivas o falar em línguas.Depois de 1910, quando ficou claro que os missionários não estavam recebendo habilidades miraculosas de falar em outras línguas humanas, os pentecostais começaram a dar maior ênfase às línguas como evidência do batismo com o Espírito Santo e como uma linguagem devocional de oração. Mesmo assim, a preocupação escatológica não foi esquecida. Um exemplo disso é a Igreja do Evangelho Quadrangular, que tem como uma das quatro convicções básicas implícitas no seu nome a volta de Cristo.
Após a 2ª Guerra Mundial (1939 a 1945), o pré-milenismo despertou um maior interesse.
Extraído do livro “Ele Virá”, Editado pelo CACP

Edir Macedo compara dízimos a Jesus

Edir pregando contra os demais pastores
O bispo Edir Macedo afirmou em seu programa de rádio que os dízimos e ofertas são tão sagrados quanto o próprio Deus, pois teria recebido essa revelação do Espírito Santo.
Em seu programa de rádio o fundador da Igreja Universal do Reino de Deus afirmou que “só podem enxergar os dízimos, ofertas e sacrifícios como coisa sagrada, santa, santíssima aqueles que tiveram a revelação da fé pelo Espírito Santo”.
Usando a passagem bíblica de Jeremias 2, o bispo Macedo afirmou que Israel era uma espécie de contribuição divina para o mundo nos tempos do Antigo Testamento: “Israel, naquela altura, era o dízimo de Deus, mas representava o dízimo que Deus havia dado ao mundo para salvá-lo, que é Jesus. Jesus foi o dízimo de Deus para nós. Deus nos deu o dízimo, para que todos que n’Ele creem, não pereçam, mas tenha a vida eterna”.
Conhecido por difundir a teologia da prosperidade de forma enfática, Edir Macedo afirmou ainda que “aquilo que você coloca no altar representa a sua vida no altar de Deus. O dízimo representa o seu primeiro amor, a sua lealdade e a sua fidelidade a Deus”.
Para o líder da denominação neopentecostal, “dízimos, ofertas e sacrifícios são tão sagrados, tão santos como o próprio Deus porque eles representam Deus […] Israel era consagrado ao Senhor e era as primícias (sic) da sua colheita”.
O cerne da teologia da prosperidade é pregar que um fiel pode alcançar privilégios divinos através da doação de valores e bens materiais. Edir Macedo é um dos principais difusores dessa teologia no Brasil e no mundo.
No entanto, teólogos e líderes evangélicos que adotam linhas teológicas tradicionais se opõem frontalmente a esse tipo de pregação. Em resumo, a oposição á teologia da prosperidade é formada pelo mesmo princípio que deu origem à Reforma Protestante, movimento que defendeu a tese de que as indulgências vendidas à época pela Igreja Católica não garantiam salvação aos fiéis. Nos dias de hoje, os opositores à teologia da prosperidade defendem a ideia de que nenhuma contribuição material ou financeira tem poder de atrair bênçãos ou garantir a Salvação, pois esta só pode ser alcançada pela fé na graça do sacrifício de Jesus.
Extraído do site gospelmais.com.br em 11/11/2014

A judaização da IURD

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Conhecemos bem a Igreja Universal pelo seu misticismo e sincretismo religioso, agora com a construção e inauguração do Templo de Salomão passaram a adotar práticas do Judaísmo. A IURD está adotando uma espécie de judaização da igreja. Veja, neste artigo, Edir Macedo com o Tallith e o Kipá. Esta tendência iniciou-se no período da igreja primitiva, quando alguns judeus convertidos orientavam que todos os demais, inclusive os gentios convertidos, observassem parte da legislação do judaísmo, a fim de se completar neles a obra da salvação. Os judeus convertidos tinham muita dificuldade em descansar na obra vicária de Jesus a sua salvação completa.
Em Atos 15 é citada a dissensão na igreja por causa da forte pressão exercida pelo grande número de convertidos judeus sobre os novos crentes, para que estes se circuncidassem a fim de serem salvos (v. 1). Tal ensino não prosperou devido à oposição de alguns apóstolos, especialmente de Tiago (v. 13). No seu julgamento os gentios convertidos não deviam ser “perturbados” (v. 19).
Na sua Epístola aos Gálatas, Paulo nos informa que até mesmo o Apóstolo Pedro se deixou dissimular, temendo um grupo de judeus convertidos quando este comia com os gentios cristãos. Até mesmo Barnabé estava sendo influenciado. A reação de Paulo foi enérgica. O Apóstolo repreendeu a Pedro, afirmando que o homem não é justificado por obra da lei, e, sim, mediante a fé em Cristo Jesus (Gl 2.11-14).
A igreja primitiva se viu livre da persuasão dos judaizantes apenas a partir do ano 70, quando o general romano Tito destruiu o templo e dispersou os judeus, inclusive os judeus cristãos. Os pais da igreja deixam de pregar nas sinagogas e o judaísmo deixa de ter influências na fé cristã. No Concílio de Nicéia, em 325 A. D, a igreja afirmou que não queria nenhum relacionamento comum com o judaísmo.
Hoje, quase 20 séculos depois do Concílio de Jerusalém (At 15), a Igreja Universal inaugura o Templo de Salomão e adota práticas e costumes judaicos, (veja a foto). A diferença hoje é que a pressão não é de fora para dentro, isto é, não vem dos judeus convertidos, mas é de dentro para fora. Judaizar a Igreja é negar a obra de Cristo.
Para estarmos perto de Deus não necessitamos de um Templo feito por mãos de homens, muito menos rituais religiosos e indumentários judaicos. Adotar o judaísmo é abandonar a fé.
Como é uma realidade este texto hoje: Tito 1.9 – 11. “Retendo firme a fiel palavra, que é conforme a doutrina, para que seja poderoso, tanto para admoestar com a sã doutrina, como para convencer os contradizentes. Porque há muitos desordenados, faladores, vãos e enganadores, principalmente os da circuncisão, Aos quais convém tapar a boca; homens que transtornam casas inteiras ensinando o que não convém, por torpe ganância.”

Fiel a pé não terá acesso a templo da Universal

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Fiel a pé não terá acesso a templo da Universal durante o 1º mês
Após quatro anos de obras que custaram R$ 680 milhões, o Templo de Salomão, construído no bairro do Brás, região central de São Paulo, pela Igreja Universal do Reino de Deus, vai ser inaugurado no dia 31 somente para convidados e autoridades.
O espaço de 100 mil metros quadrados também não tem data para ser aberto aos fiéis –quem quiser assistir aos cultos terá de pagar a passagem para a empresa de fretamento contratada pela Universal, ao valor de R$ 45 por pessoa, para quem mora na capital.
Após a publicação desta reportagem, a assessoria de imprensa da Igreja Universal entrou em contato com o UOL para esclarecer que a restrição ao “acesso ao Templo de Salomão é exclusiva para o período inicial de inauguração, que se encerrará dia 22 de agosto”.
De acordo com o texto, a decisão de limitar o acesso para quem fosse de ônibus “é fruto da cooperação da Universal com a administração municipal para que o funcionamento do Templo de Salomão não acentue o trânsito local”.
A nota termina dizendo que “o acesso ao Templo de Salomão é –e sempre será– gratuito e universal a todos que queiram ter seu encontro com Deus”.
Nesta quinta-feira (24), a cúpula da igreja promoveu uma entrevista coletiva em Santo Amaro, na zona sul, para explicar detalhes sobre o templo, o maior espaço religioso do país, quatro vezes maior do que o Santuário Nacional de Aparecida.
O local acomodará um público de 10 mil pessoas, sentadas. O ambiente é suntuoso, com mármore rosa italiano, 10 mil lâmpadas de LED e oliveiras importadas de Israel.
Autoridades
Para a inauguração do dia 31, autoridades como a presidente Dilma Rousseff, o seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, o governador Geraldo Alckmin e o prefeito Fernando Haddad são aguardadas para o evento.
“Teremos centenas de autoridades. Não temos um balanço dos nomes, mas a Dilma já se antecipou e declarou publicamente que estará presente”, disse Renato Parente, jornalista que apresentou os detalhes do templo.
Parente disse que nenhuma pessoa poderá entrar no templo por conta própria. Quem quiser, vai precisar contratar o serviço de fretamento feito por ônibus.
Para pessoas de outras cidades e Estados o valor da passagem ainda não foi estimado pela mesma empresa de ônibus, cujo nome não foi revelado.
“É um preço que será cobrado pela empresa de fretamento, não é da igreja. Não é um ônibus de linha normal, é turístico”, disse Parente.
O templo também vai ter um telão com 20 metros de comprimento (maior do que os telões dos estádios da Copa do Mundo) e 60 apartamentos para pastores convidados, além da residência oficial do pastor Edir Macedo, fundador da Universal.
A igreja também divulgou regras para o uso de roupas. Mulheres devem evitar o uso de minissaias e roupas curtas.
Para os homens, está vetado o uso de bermudas e de uniformes de clubes esportivos. Chinelos, camiseta regata, boné e óculos escuros também foram proibidos.
Extraído do site http://noticias.uol.com.br/ wm 26/07/2014

Quem foi João Calvino?

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O site da Faculdade Mackenzie dá a seguinte minibiografia de Calvino:
“Calvino nasceu em Noyon, nordeste da França, no dia 10 de julho 1509. Seu pai, Gérard Cauvin, era advogado dos religiosos e secretário do bispo local […]. Em 1523, Calvino foi residir em Paris, onde estudou latim e humanidades no Collège de la Marche e teologia no Collège de Montaigu. Em 1528, iniciou seus estudos jurídicos, primeiro em Orléans e depois em Bourges, onde também estudou grego com o erudito luterano Melchior Wolmar […]. Converteu-se à fé evangélica em 1533 […]. No mês de março (1536) foi publicada em Basiléia a primeira edição da Instituição da Religião Cristã (ou Institutas), introduzida por uma carta ao rei Francisco I […]. Por causa de seu esforço em fazer da dissoluta Genebra uma cidade cristã, durante catorze anos (1541-55) Calvino travou grandes lutas com as autoridades e algumas famílias influentes (os ‘libertinos’). Em 1555 os partidários de Calvino finalmente derrotaram os ‘libertinos’. Os conselhos municipais passaram a ser constituídos de homens que o apoiavam. Embora não tenha ocupado nenhum cargo governamental, Calvino exerceu enorme influência sobre a comunidade, não somente no aspecto moral e eclesiástico, mas em outras áreas […]. João Calvino faleceu com quase 55 anos em 27 de maio de 1564.” (Em: . Acesso em 30 maio 2014).
Burns, o renomado escritor de História da Civilização Ocidental, descreve nosso personagem como um dos mais sombrios da história:
“Até sua morte, em 1564, Calvino governou a cidade com mão-de-ferro. São poucos na história os exemplos de homens de índole mais sombria e mais teimosamente convencidos da verdade de suas ideias. Sob seu governo, Genebra transformou-se numa oligarquia religiosa […]. Nos quatro primeiros anos depois que Calvino passou a governar Genebra, houve nada menos que 58 execuções (religiosas), numa população total de 16 mil habitantes.” (BURNS, Edward. História da Civilização Ocidental. 9 ed., Globo, pg. 389).
O site História Livre acrescenta que:
Calvino, apesar de ter mantido quase todos os princípios formulados por Martinho Lutero, desenvolveu uma teologia própria, mas que tinha uma diferença muito importante: a Doutrina da Predestinação. Nesta doutrina, influenciada na crença grega do destino, Calvino afirmava que Deus, o único com conhecimento sobre o futuro, já sabia, desde sempre, quem eram as pessoas que seriam salvas por Ele, assim, como já sabiam quem não seria […]. De acordo com Calvino, a fé não era o caminho para a salvação, para ele, a fé era o sinal de que o fiel estava predestinado à salvação. Com isso, o calvinismo se afastava daquilo que Lutero havia defendido, ou seja, que a salvação somente era alcançada por meio da fé em Jesus Cristo […]. Mesmo contrariando a Lutero, a Doutrina da Predestinação se tornou muito popular na Suíça. Mas quando as ideias de Calvino chegaram às pessoas comuns, uma dúvida foi gerada: Como posso saber se sou ou não salvo? A resposta de Calvino era bastante simples. Segundo ele, a garantia de que alguém havia sido predestinado por Deus à salvação estava em seu sucesso pessoal, ou seja, uma pessoa próspera e bem sucedida (profissão, saúde, família, etc.) demonstrava o favor de Deus para com ela. Portanto, o próspero tinha a garantia de sua salvação, pois onde a planta de seus pés pisasse iria prosperar. Mas, o contrário também era verdadeiro. Pois, aquele que não prosperasse dava demonstrações de que não estava predestinado à salvação […]. Mas ao contrário de outras vertentes protestantes, o calvinismo não se desenvolveu em uma igreja específica, mas como doutrina que seria aceita em algumas igrejas protestantes já existentes. Assim, a doutrina calvinista obteve uma grande aceitação na Suíça (onde surgiu), de lá se espalhando por toda a Europa, especialmente, na Escócia, na Inglaterra, na Holanda e na França.” (Em: . Acesso em 30 maio 2014)
Já o site História Crítica é mais ácido com o líder de Genebra:
“João Calvino tentou transformar Genebra num Estado de fé calvinista. Queria criar uma teocracia. Assim, estabeleceu leis que são dirigidas por suas doutrinas religiosas, abre escolas, estimula o comércio exterior, proíbe jogos de azar, alcoolismo, danças e outros. Perseguia seus opositores e defendia a pena de morte aos hereges. Mandou queimar Miguel Serveto, que era um médico contrário as suas doutrinas. Jacques Gruet foi decapitado, acusado de blasfêmia. Kurtz afirmou que Calvino fez muitas vítimas. Entre os anos de 1542 e 1546 havia em Genebra (aproximadamente) vinte mil pessoas apenas. Dessas, cinquenta e sete foram executadas, sessenta e seis banidas e um número incalculável de encarceramentos. Todos esses casos foram por motivos religiosos.” (Em: . Acesso em 30 maio 2014, parênteses do autor).
O site Cristianismo Wiki faz uma observação muito relevante sobre os conhecimentos de João Calvino antes da sua conversão. A informação é bastante notável na cosmovisão cognitiva dele, principalmente, quando levamos em consideração a sua doutrina da predestinação fatalista, que tudo aponta ter sua gênesis no Estoicismo pagão:
Aos 23 anos Calvino era já um famoso humanista, seguindo os passos de Erasmo de Roterdã, que também escreveu sobre Séneca nestes anos. Em ‘De Clementia’ não há da parte de Calvino uma alusão explicitamente religiosa. É antes uma obra que reflete o estoicismo de Séneca e a predestinação no sentido estoico. Séneca escrevera o texto como forma de apelar Nero à moderação e à razão […].” (Em: . Acesso em 30 maio 2014; grifo do autor).
Dave Hunt também faz algumas gravíssimas denúncias contra Calvino em seu artigo “O LADO B DO CALVINISMO”. Veja o que ele escreve sobre a atuação do líder de Genebra:
“Talvez Calvino pensasse que ele era o instrumento de Deus para forçar a Graça Irresistível (uma doutrina chave no calvinismo) sobre os cidadãos de Genebra, na Suíça –mesmo sobre aqueles que provaram sua indignidade, resistindo à morte. Ele fez o seu melhor para impor a ‘justiça’ irresistivelmente, mas o que ele impôs e a maneira com que ele impôs estavam longe da graça e dos ensinos e exemplos de Cristo […]. Censura de imprensa foi usada e ampliada sobre os Católicos e precedentes seculares: livros […] com tendências imorais foram banidos […], falar desrespeitosamente de Calvino ou do clero era crime. A primeira violação dessas ordens era punida com uma advertência, violações posteriores com multas, persistir na violação com prisão ou banimento da cidade. Fornicação era punida com o exílio ou afogamento; adultério, blasfêmia ou idolatria com a morte […]; uma criança foi decapitada por agredir seus pais. Nos anos de 1558-1559 houve 414 processos por ofensas morais; entre 1542 e 1564 houve 76 banimentos e 58 execuções; a população de Genebra era na época de 20.000 pessoas […]. A opressão de Genebra não teria vindo sob a direção do Espírito Santo (‘[…] onde o Espírito do Senhor está, há liberdade’ [2 Coríntios 3.17]), mas sim da poderosa personalidade de Calvino e uma visão extrema da Soberania de Deus que negou o livre-arbítrio ao homem. Assim a ‘graça’ tinha que ser imposta irresistivelmente em uma tentativa não-bíblica de infligir uma ‘santidade’ sobre os cidadãos de Genebra. Em contraste à humildade, misericórdia, amor, compaixão, e longanimidade de Cristo, a quem ele amou e tentou servir, Calvino exerceu autoridade como o papado que ele desprezou […]. Os defensores de Calvino negam os fatos e tentam inocentá-lo do que ele fez, responsabilizando as autoridades civis. Boettner (famoso escritor calvinista) até mesmo insiste que ‘Calvino foi o primeiro dos Reformadores a exigir uma separação completa entre a Igreja e o Estado’. De fato, Calvino não somente estabeleceu a lei eclesiástica, mas ele codificou a legislação civil. Ele manteve as autoridades civis para ‘promover e manter o culto externo a Deus, defender a sã doutrina e a condição da igreja’ e ver que ‘nenhuma idolatria, nem blasfêmia contra o nome de Deus, nem calúnias contra a sua verdade, nem outras ofensas à religião surgisse e fosse disseminada entre o povo [mas] impedir a verdadeira religião de ser violada impunemente e abertamente e poluída pela blasfêmia pública’. Calvino utilizou a força civil para impor suas doutrinas particulares sobre os cidadãos de Genebra e os forçar. Zweig, que se debruçou sobre os relatos oficiais do Conselho da Cidade para o dia de Calvino, nos diz: dificilmente haverá um dia, nos relatos das definições do Conselho da Cidade, em que nós não encontramos o comentário ‘é melhor consultar o Mestre Calvino sobre isso’. Pike nos relembra que foi dada a Calvino uma ‘Cadeira do Consultor’ em todos os encontros das autoridades da cidade e ‘quando ele estava doente as autoridades viriam a sua casa para as suas seções’. Ao invés de diminuir com o tempo, o poder de Calvino somente cresceu. John McNeil, um calvinista, admite que ‘nos últimos anos de Calvino e sob sua influência, as leis de Genebra tornaram-se mais detalhadas e mais rigorosas’ […]. Com controle ditatorial sobre a população ‘ele governou como poucos soberanos fizeram’, Calvino impôs o seu tipo de Cristianismo sobre os cidadãos com açoitamentos, prisões, banimentos e queima na estaca. Calvino foi chamado de ‘O Papa Protestante’ e ‘O Ditador Genebrino’ que ‘toleraria em Genebra as opiniões de apenas uma pessoa, dele mesmo’ […]; traição ao estado e era punido com a morte […]. Em um ano, sob o conselho do Consistório, 14 possíveis bruxas foram enviadas à estaca sob a acusação que elas persuadiram Satã a afligir Genebra com a praga […]. Calvino estava novamente seguindo os passos de Agostinho, que forçou ‘unidade […] por meio da participação comum nos Sacramentos […]’. Um médico chamado Jerome Bolsec ousou discordar com a doutrina da predestinação de Calvino. Ele foi preso por dizer que ‘aquele que colocar um decreto eterno em Deus pelo qual Ele ordenou alguns para a vida e o resto à morte faz de Deus um tirano […]’. Bolsec foi preso e banido de Genebra com a advertência que se ele retornasse seria açoitado. John Troillet, um tabelião da cidade, criticou a visão de Calvino da predestinação por ‘fazer de Deus o autor do pecado’. De fato, a acusação era verdadeira, como nós veremos nos capítulos 9 e 10. A corte decretou que ‘daí por diante, ninguém ousaria falar contra esse livro [Institutas] e suas doutrinas’. Tanto que havia sido prometido a liberdade de consciência que iria substituir a opressão intolerável dos papas! O poder de Calvino era tão grande que se opor a Calvino era equivalente a traição contra o estado. Um cidadão chamado Jacques Gruet foi preso sob a suspeita de ter colocado uma placa no púlpito de Calvino que dizia em parte, ‘Hipócrita grosseiro […]! Após o povo ter sofrido tanto, eles vingam-se a si mesmos […] perceba que você não serviu como M. Verle [que foi morto]’[…].  Gruet foi torturado duas vezes diariamente de uma maneira similar ao que Roma fazia (corretamente condenado pelos reformadores de aplicar tortura, que torturavam as suas vítimas nas inquisições daqueles que foram acusados de ousar discordar dos seus dogmas). O uso de torturas para ‘extrair’ confissões foi aprovado por Calvino. Após trinta dias de sofrimento severo, Gruet finalmente confessou – se verdadeiramente, ou em desespero para o fim das torturas, ninguém sabe. Em 16 de Julho de 1547, ‘meio morto, ele foi preso à estaca, seus pés foram pregados na estaca, e sua cabeça foi cortada’. Decapitação era uma pena por crimes civis; queimar na estaca era uma pena por heresia teológica. Aqui nós vemos que uma desavença com Calvino era tratada como uma ofensa capital contra o estado […]. Calvino seguiu os princípios de punição, coerção e morte que Agostinho advogou. Concernente somente a um período de pânico em face da praga e da fome, Cottret descreve ‘uma determinação irracional para punir os fomentadores do mal’. Ele fala de um homem que ‘morreu sob tortura em Fevereiro de 1545, sem admitir os seus crimes […]; o corpo foi arrastado ao meio da cidade a fim de não privar os habitantes da queima que eles tinham direito. Feiticeiros, como os heréticos […] foram caracterizados pelo combustível de suas qualidades […]. As execuções continuaram. Já aqueles detidos que recusavam confessar; as torturas foram combinadas habilmente para evitar matar o culpado de forma tola […] [alguns] foram decapitados […], alguns cometeram suicídio em suas celas para evitar a tortura […], uma mulher presa se jogou pela janela […]. Sete homens e vinte e quatro mulheres morreram nesse caso; outros fugiram […].  Em uma carta Calvino aconselhou a um amigo: ‘O Senhor nos testa de uma maneira surpreendente. Uma conspiração foi descoberta de homens e mulheres que por três anos se empenharam em espalhar a praga na cidade por meio da feitiçaria […]. Quinze mulheres já foram queimadas e os homens foram punidos ainda mais rigorosamente. Vinte e cinco desses criminosos ainda estão na prisão […]. Até agora Deus tem preservado a nossa casa […]’. Ninguém jamais teve tanto êxito em uma imposição totalitária da “divindade” sobre uma sociedade completa do que João Calvino. E, portanto, ninguém provou com clareza como ele que a coerção não pode ser bem sucedida porque ela nunca pode mudar os corações dos homens. A teologia de Calvino, como definida em suas institutas, negou que o homem não regenerado poderia crer e obedecer a Deus. Aparentemente, ele era ignorante do fato de que o senso comum de que uma escolha genuína é essencial se o homem quer amar e obedecer a Deus ou mostrar uma compaixão real aos seus companheiros. Mas em seu esforço determinado de fazer os cidadãos de Genebra obedecer, Calvino refutou suas próprias teorias de Eleição Incondicional e Graça Irresistível.” (Em: . Acesso em 30 maio 2014).
Extraído do Livro CALVINISMO RECALCITRANTE