quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Da Tristeza para a Alegria



Partes de um sermão de Charles Haddon Spurgeon, traduzidas e adaptadas pelo Pr Silvio Dutra.

“A sua tristeza se converterá em alegria." (João 16:20)

Nosso Senhor era muito honesto com os Seus seguidores quando se alistavam sob Sua bandeira. Ele não professa que eles iriam encontrar um serviço fácil se o tivessem por seu líder. Certa ocasião Ele parou alguns espíritos entusiasmados por ordenar-lhes que calculassem o custo; e, quando alguns disseram que iriam segui-lo onde quer que fosse, lembrou-lhes que, embora as raposas tivessem tocas e as aves do céu ninhos, Ele não tinha onde reclinar a cabeça. Ele nunca enganou qualquer homem. Ele contou toda a verdade a eles, e poderia honestamente dizer-lhes: "Se não fosse assim, eu vos teria dito."

Neste versículo Ele lembra o Seu povo que eles terão tristezas. A tristeza é uma parte designada para toda a humanidade, e há uma tristeza que é a bênção especial dos santos. Eles terão pesar se nenhum outro tiver.

Oh, espírito jovem, você acaba de encontrar um Salvador, e seu coração está muito contente. Seja feliz enquanto você pode, mas não espere que o sol sempre brilhará. Conte com os dias de chuva e dias de geada e de tempestade, porque eles virão.
Nosso Salvador, no verso diante de nós, não somente diz a Seus discípulos que eles terão tristezas, mas Ele os adverte que, por vezes, teriam uma tristeza peculiar. Quando o mundo se regozijasse, estariam aflitos.

"O mundo se alegrará", diz ele, "mas você deve chorar e lamentar." Agora isso às vezes é difícil para a carne e o sangue aceitar. Não podemos entender esse enigma - o povo de Deus suspirando e os inimigos de Deus rindo - um santo no monturo com os cães lambendo suas feridas e um pecador vestido de escarlata e saindo suntuosamente todos os dias - um filho de Deus suspirando e gemendo, castigado cada manhã, e um herdeiro do Inferno desfilando no mundo com sua alegria! Essas coisas podem ser assim? Sim, elas são assim, e se lermos este enigma pelo olho da fé, devemos entendê-lo. No entanto, veremos a Deus trabalhando mesmo nestas circunstâncias misteriosas.

Agora, nosso Senhor, a fim de sustentar os Seus servos sob as notícias de tristeza e de sofrimento especial, deu-lhes dois pensamentos. Primeira Ele o colocou nestas palavras - "um pouco de tempo." E há toda uma hortelã da consolação de ouro aqui - "um pouco de tempo." Quando as aflições são apenas temporárias, nós as suportamos.

Uma operação dolorosa tem que ser realizada, mas, quando o cirurgião nos diz que somente irá ocupar um minuto ou dois, nós nos submetemos a ele. "Um pouco" - que leva para fora da borda da tristeza. Se for senão um minuto, e em seguida, haverá interminável bênção que vem de fora, oh, então nos gloriamos na tribulação, e não a consideramos digna de ser comparada com a glória que há de ser revelada em nós. Aflitos filhos de Deus, confio a vocês essas palavras, "um pouco de tempo." Rogo-lhes para terem-nas em sua boca como um doce bocado quando sua boca estiver cheia do absinto da tristeza.

A outra reflexão que Ele lhes deu para o seu conforto é a que é feita por nosso texto, "a vossa tristeza se converterá em alegria." Que Deus o Espírito nos console enquanto pensamos sobre estas palavras.

O Senhor tinha falado sobre a Sua morte aos discípulos, quando estavam sentados em torno da mesa, e lhes tinha revelado o fato de que estava prestes a ser entregue nas mãos de homens ímpios e seria crucificado, e que isso iria fazê-los chorar e lamentar; mas referente a isto Ele diz: "a vossa tristeza se converterá em alegria." Temos também uma outra tristeza saindo dessa, ou seja, a tristeza que nosso Senhor ressuscitado tem ido longe de nós, subido o Monte das Oliveiras e deixado a Sua Igreja viúva; e ainda aqui a tristeza, também, é transformada em alegria. Falemos, então, sobre essas duas coisas.

Em breve verão diante de vocês, irmãos, um banquete sagrado. Estamos nos preparando para vir esta noite ao redor da mesa sobre a qual temos o pão e o vinho que celebra a morte de nosso Salvador. Agora, é um pensamento muito agradável que para celebrar a morte de Cristo não temos uma celebração que está cheia de tristeza. Não há nenhum mandamento que nos diga que devemos ir vestidos de luto, que devemos nos unir como a um funeral. Pelo contrário, o mandamento que comemora e manifesta a morte de Cristo é de alegria, se usado corretamente

Irmãos, não há motivo para tristeza quando olhamos para a cruz, pois Jesus está novamente vivo; Ele tem a glória sobre Ele que não teria, e não poderia ter tido, se Ele não tivesse se inclinado para vencer e inclinado a cabeça até a morte. O homem Jesus Cristo agora está assentado à destra do Pai exaltado muito acima dos principados e potestades, e de todo nome que é nomeado. Ele vê o fruto do trabalho de Sua alma, e ele está satisfeito, e em vez de lamentações tristes nos alegramos e o louvamos.

Além disso, irmãos, somos vencedores agora. É verdade - o nosso pecado está crucificado e extinto. Nosso pecado foi repudiado pela morte de Cristo. E agora o príncipe deste mundo foi expulso. Glória a Deus, chegamos ao memorial da morte de Cristo como a uma festa. Nossa tristeza é transformada em alegria.

É um grande ganho para nós não ter o Salvador aqui, pois Ele disse: "Se eu não for, o Consolador não virá para vós outros." Agora, é uma coisa mais nobre ter o Espírito de Deus habitando em nós do que ter Jesus Cristo habitando na terra. Pois, como já deu a entender, se estivesse na terra nem todos poderiam chegar a Ele; pois só podia estar em um lugar de cada vez. Mas agora o Espírito Santo está aqui. O Espírito Santo está sempre onde os crentes estão. "Não sabeis que Ele habita em nós para sempre?" E que não vemos nada, tudo isso é o melhor para nós. Uma vida de vista é para bebês; a vida com sensação é para crianças pobres, mas a vida de fé é para os homens em Cristo Jesus, e nos enobrece, tirando tudo o que é para ser visto e dando-nos poder para andar com o invisível. "Embora tenhamos conhecido Cristo segundo a carne", diz o apóstolo, "mas agora já não o conhecemos deste modo." Nós não temos Cristo entre nós segundo a carne, e estamos contentes de que assim seja, para que agora a nossa fé seja exercida e Deus ama a fé, e a fé torna os homens em verdadeiros homens aos olhos de Deus, e os enobrece tornando-os amigos de Deus.

Talvez eu esteja falando a algumas pessoas que estão sob muito graves aflições . Amado irmão, se o Senhor se manifestar em suas aflições, você ficará muito triste em se livrar delas; pois vai sentir que elas estão mesmo agora se transformando em alegria.

Eu também sei que a dor pode vir sobre você e graça pode vir com a dor, de modo que se sente grato por isso. Tenho ouvido santos de Deus dizerem que tiveram grandes perdas, mas que o amor de Deus foi derramado em suas almas, para que as suas perdas fossem contadas como ganhos. Temos ouvido falar de alguém que disse: "Deixe-me voltar à minha cama novamente, deixe-me ir para a minha dor de novo, porque eu tinha tanto de Cristo lá que eu, sinceramente, preferia estar sempre doente do que perder a doença e perder o amor do meu Senhor. "

Sim, amados, Ele pode, neste momento, transformar suas tristezas em alegrias. Se você tem uma grande porção de tristeza, você vai ter uma grande porção de alegria, pois Ele transforma tudo em alegria.
Leva um pouco de tempo para as nossas tristezas florescerem em doçura, mas elas irão.

E, marque isto, se não neste mundo, mas no País abençoado celestial a sua tristeza se converterá em alegria. Você estará entre os prazeres do céu, eu não duvido, para olhar para trás as tristezas da vida e ver como elas ministraram a nossa aptidão para uma pátria melhor.
Não vamos fazer canções de nossos suspiros e músicas de nossos lutos; somente esperemos e sejamos pacientes.

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Silvio Dutra
25dutra@gmail.com
Igreja Orgânica de Jesus na Abolição
Rio de Janeiro - RJ

O Padrão de Pureza



Partes de um sermão de Richard Sibbes, traduzidas e adaptadas pelo Pr Silvio Dutra.

“E todo aquele que nele tem esta esperança purifica-se a si mesmo, assim como ele é puro.” (I João 3.3)

Nestas palavras você pode observar estas três coisas:

1. O trabalhador. 2. O trabalho. 3. O padrão a ser imitado.


1. O trabalhador é "todo aquele que tiver esperança nele," todo aquele que parece ser como o Senhor Jesus no reino da glória, é o homem que deve se debruçar sobre esta tarefa.

2. Em segundo lugar, o trabalho é um trabalho para ser feito por ele próprio; pois é uma parte da criação do Senhor, e deve tomar cuidado como se fosse para arar sua própria terra, para cultivar seu próprio trigo, deve purificar-se; este é o trabalho.

3. Em terceiro lugar, o padrão pelo qual ele deve ser dirigido é o padrão do Senhor Jesus - a sua pureza. Tê-lo como um padrão e exemplo; olhar para Aquele que é o autor e consumador da nossa fé.
Os que trabalham para se purificarem serão desprezados pelo mundo, o opróbrio dos homens, mas isto é absolutamente necessário para a salvação.

O trabalhador aqui referido é "todo aquele que tem esta esperança." Que esperança é esta, você vê no verso anterior. “Agora somos filhos de Deus; mas ainda não se manifestou o que havemos de ser.”

É aquele que sabe que quando Ele aparecer, seremos semelhantes a Ele como Ele é, ou seja, os que procuram ser como o Senhor Jesus em glória, devem estar conformados à graça. Queres ser glorioso como Ele está no céu? Tu deves ter a imagem da Sua graça na terra; e deves estar puro.

Tu não deves continuar com um coração comum, como as mãos sujas são chamadas de mãos comuns na Escritura, devemos lavar-nos, tornar-nos limpos.

Agora, a partir daí observei também esta doutrina:

Doutrina 1. Que o homem que é descuidado em purificar-se, é o homem que não tem esperança.

Um ponto duro, trazer uma coisa a uma questão desesperadora, mas o que faremos? Devemos incentivar os homens àquela esperança, que eles devem proceder de modo a irem para o inferno? Podemos dizer, “tu podes esperar ser semelhante a Cristo em glória, quando não trabalhas para ser puro como Ele neste mundo?” Nós trairemos as almas assim procedendo. E você sabe, este é o princípio da salvação.

Quando a Escritura fala de esperança isto é uma esperança divina, uma obra da graça que nunca frustrará um homem; porque a esperança é mantida e sustentada pela fé, como vemos em Hebreus 11.1. “Por que a fé é a certeza das coisas que se esperam.”

A Escritura fala de uma viva esperança, bem como de uma fé viva (Tg 2.14; I Pe 1.3).

De modo que aqui está a diferença entre esta esperança e as demais que não têm por fundamento a fé, e que não lançam a mão firmemente sobre as misericórdias de Deus. A esperança cristã, esta graça divina, é uma coisa tão certa e infalível como a fé; porque tudo o que se espera é a partir da fé.

Agora, por outro lado, um homem impuro que caminha na injustiça, o que sustenta sua esperança? A fé nas promessas de Deus? Não; veja se o livro de Deus faz qualquer promessa aos tais: “As misericórdias de Deus são de eternidade a eternidade para com os que o temem.” (Salmo 103.17). 

A Palavra de Deus não pode falhar; mas a esperança do ímpio não é mantida pela fé nas promessas, mas por uma tolice, uma presunção que ele fantasia em seu próprio cérebro.

Isto é um juramento antigo, Deus jurou que te livraria das mãos
de teus inimigos, e que serás libertado e resgatado da condenação eterna.

Em Hebreus 6.19, isto é chamado de "a esperança que nós temos, como âncora da alma, segura e firme, e que penetra além do véu.", que nos fala da sua certeza e infalibilidade e que dá tão grande firmeza como a âncora de um navio.

A fé é uma coisa que não tem tempo nem lugar, mas torna tudo presente. Ela coloca um homem como se ele estivesse na posse real da vida eterna; quando ele acredita que a possui, ele já está no céu.

Por enquanto "não se manifestou o que havemos de ser. Agora somos filhos de Deus, e a fé apreende que, certamente, somos herdeiros, que terão um reino no céu.

O apóstolo afirma que: "A esperança que se vê não é esperança” porque aquilo que um homem vê, por que ainda esperaria por isso? “Mas, se esperamos o que não vemos, então com paciência o aguardamos." E então esta paciência é uma coisa descrita pela esperança: 1 Ts 1.3, “Lembrando-nos sem cessar da obra da vossa fé, do trabalho do amor, e da paciência da esperança em nosso Senhor Jesus Cristo, diante de nosso Deus e Pai.”

Então, o que se segue? Nada é tão certo como o cumprimento da promessa de Deus. Para aquele que constrói a sua esperança na fé nas promessas de Deus, nada é tão certo quanto a que ele deve alcançar seu desejo.

Em Romanos 5.3-5 lemos, “E não somente isto, mas também nos gloriamos nas tribulações; sabendo que a tribulação produz a paciência, e a paciência a experiência, e a experiência a esperança.

E a esperança não traz confusão, porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.”


Qual é o significado disso?

Amados, é tanto como se fosse dito, há uma diferença entre a esperança divina e a humana. A única esperança que há, quando eu deposito minha confiança na promessa de um homem, e quando eu olho para a coisa esperada, o homem quebra a promessa, de modo que minha esperança não pode ser mais firme. Ele quebra a promessa e eu fico envergonhado e confundido, porque eu fiz repousar a minha esperança e confiança dessa maneira.

Então aqui está a diferença entre a esperança de um filho de Deus, que purifica a si mesmo, e de uma pessoa impura; quando chegar a hora, o ímpio terá necessidade de esperança, mas sua esperança é vã, porque não se purificou.

Agora, concentremo-nos no trabalho. Então, qual é o trabalho? “Purificar a si mesmo.” "Todo aquele que nele tem esta esperança,".

Doutrina 2. Todo aquele que espera ser salvo, deve aplicar-se a este trabalho de purificar-se.

Mas aqui repousa uma grande dificuldade, porque o trabalho de um homem para purificar a si mesmo é uma obra de Deus; e isto Davi conhecia bem o suficiente, como vemos no Salmo 51.10"Cria em mim um coração puro, ó Deus, e renova dentro em mim um espírito reto.” 

Você não deve usar uma verdade de Deus para destruir outra; por conseguinte, vemos o apóstolo afirmando em Filipenses 2.12: "Trabalhai a vossa salvação com temor e tremor. Porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade." 

Observe como uma coisa depende da outra, e ambas caminham bem juntas. Precisamos seguir adiante com o trabalho; mas por quê? "Porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade." Nós realizamos segundo a instrução, direção e poder de Deus.

O significado é que Deus não trabalha as coisas em nós ou conosco, como se fôssemos uma espada; isto é, de que seremos apenas meros pacientes, mas Ele trabalha conosco adequadamente com a alma racional que nos deu.

Ele nos deu entendimento e vontade, assim, que o Senhor é o primeiro movedor e trabalhador, e que sem Ele não somos capazes de fazer qualquer coisa. A graça de Deus se apodera de nós, e nos põe a trabalhar aquilo que Deus opera em nós.

Assim, lemos em 2 Coríntios 7.1: "Ora, amados, pois que temos tais promessas, purifiquemo-nos de toda a imundícia da carne e do espírito, aperfeiçoando a santificação no temor de Deus.”

Em 2 Timóteo 2.19 lemos: “Todavia o fundamento de Deus fica firme, tendo este selo: O Senhor conhece os que são seus, e qualquer que profere o nome de Cristo aparte-se da iniquidade.”

Observe como o homem trabalha ativa e passivamente. Ele está “preparado e santificado para uso do Senhor", mas não é um mero paciente? Não; ele deve se purificar destas coisas. Portanto, deve haver uma atividade e passividade no trabalho de purificação.

Em primeiro lugar, vá à fonte. Qual é a fonte de toda a limpeza? O sangue de Cristo. É o sangue de Jesus Cristo que deve me lavar do pecado. Tu não deves ir como um homem moral, ao trabalho de uma multidão de atos para obter um novo hábito; mas tu deves trabalhar a partir de um outro princípio: toda essa purificação deve vir a partir do sangue de Jesus Cristo. E como eu posso aplicar isto? Pela fé. Então tu deves ir todas as manhãs, e apresentar a tua alma diante do Senhor, e olhar para o crucificado, e dizer: “Senhor, tu derramaste teu sangue para purificar a minha alma das manchas do pecado.”

Tenha fé no sangue para lavar tua alma, ou seja, no sangue do Cordeiro imaculado, no sangue de Jesus Cristo não somente para a justificação para te libertar da culpa do pecado, mas para a obra da fé aplicada para a santificação, para lavar as manchas e corrupções do pecado.

Deus também nos purifica pela ação da Sua Palavra, como vemos em João 15.1-3:“Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o lavrador.

Toda a vara em mim, que não dá fruto, a tira; e limpa toda aquela que dá fruto, para que dê mais fruto. Vós já estais limpos, pela palavra que vos tenho falado.”


Quando as promessas da Palavra de Deus são apreendidas espiritualmente, elas são um meio maravilhoso para purgar o pecado.

Outro ponto importante para a purificação é a nossa vigilância, porque quando um homem tem a resolução de suprimir o pecado no seu primeiro movimento, ou seja, quando ele nasce, vai fechar a porta para ele e para o diabo.

Se tu queres purificar a ti mesmo, não deves viver em qualquer pecado conhecido. Quando um homem peca, ele multiplica o estoque de corrupção original. Não há nada mais certo do que dizemos, que a corrupção original é igual em todos.

Ainda assim, quando eu uso a minha vontade, e multiplico o estoque de pecados, isso é um sinal de que o pecado costumeiro endurece o coração, e faz a mancha crescer mais profunda, de forma que se torna mais difícil limpá-la. Portanto não te esqueças disso, se tu queres ir para o céu, para que não continues uma hora em qualquer pecado conhecido, porque quanto mais tu o fazes, mais ficarás fortalecido em pecado.

Eu agora devo ir para o terceiro ponto, o padrão ao qual devemos nos conformar. Devemos imitar o nosso Salvador Jesus Cristo, como ele é puro. Isto não se destina a que deves ter a esperança de ser tão puro em quantidade. Não se trata de quantidade, mas de qualidade, a referida semelhança.

Mas você dirá: Como eu sou capaz de alcançar isso? Eu respondo, a lei de Deus prescreve para nós uma forma perfeita de obediência, ainda que não seja possível para nós cumpri-la, e assim apesar de não sermos capazes de expressar as virtudes de Cristo, e sua pureza; de modo absoluto, contudo não podemos ter um padrão melhor do que a Lei, e a vida de nosso Salvador.

E assim, se continuarmos a seguir o nosso padrão, como a mão do erudito, por prática, consertando-nos todos os dias, embora nunca cheguemos perto do modelo que devemos imitar, devemos continuar crescendo crescer na graça, de modo que o nosso caminho possa ser mais e mais brilhante até que seja dia perfeito (Provérbios 5.18).

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Silvio Dutra
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Publicado em: 19/8/2015

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

O Egito

Com uma área de pouco mais de 1 milhão de quilômetros quadrados, o Egito desfruta de apenas uns 40000 para a agricultura e habitações. Esse oásis longo e estreito situa-se no trecho setentrional do vale do Nilo , entre a segunda catarata e o delta, na costa do Mediterrâneo. A oeste dessas terras férteis, o território estende-se pelo deserto libico; a leste, pelo deserto Arábico ate o mar Vermelho, continuando na outra margem do golfo de Suez – a península do Sinai. Exceto litoral mediterrâneo, o clima é quente e muito árido. O rio Nilo, com seus 6 671 quilômetros percorre o território egípcio de sul para norte, pôr cerca de 1500 quilômetros. O volume de água varia com as estações, e as enchentes periódicas são um fator indispensável à agricultura, pois garantem umidade às lavouras ao longo de suas margens. Desde muitos milhares de anos atrás, o Egito havia dependido totalmente dessas cheias; só a partir de 1835 é que começaram a ser construídas grandes represas, e, em 1961, iniciou-se uma das maiores do mundo – a de Assuã, com 111 metros de altura e capacidade para 157 milhões de metros cúbicos de água. Ocupando dois terços da superfície do país, o deserto Líbico ou Ocidental é uma das regiões mais secas da Terra; caracteriza-se também pêlos oásis e pela sucessão de dunas. O deserto Arábico ou Oriental situa-se entre o Nilo e o mar Vermelho; seus poços artesianos e fontes naturais dependem quase que totalmente das chuvas. A península do Sinai é formada pôr altas cadeias de montanhas e apresenta um índice pluviométrico superior ao dos outros desertos.
O povo egípcio é predominantemente hamita, com minorias de núbios e beduínos, e 90% da população adota a religião islâmica. Pela estimativa de 1971, a população é demais de 34 milhões de habitantes, concentrados principalmente no delta e no vale do Nilo, onde se localiza a cidade do Cairo (capital), com mais de 4 milhões de habitantes e centro político do Mundo Árabe. Outras cidades importantes são Alexandria, principal porto do país, e Gizé, famosa por suas pirâmides. A história moderna do Egito se inicia em 1805, com o término da dominação otomana e o princípio de sua modernização com Mohammed Ali. A construção do Canal de Suez, terminada em 1869, deu ao Egito importante papel estratégico, o que provocou a intervenção européia. Em 1882, a pretexto de dívidas não saldadas, a Inglaterra bombardeou Alexandria e estabeleceu seu protetorado no Egito. Isso levou o povo à revolta, sufocada as ingleses e franceses. A Inglaterra passou a controlar diretamente o governo egípcio até 1922, época em que instalou a monarquia do rei Fuad. Após várias insurreições nacionalistas, o Movimento dos Oficias Livres conseguiu depor o rei Faruk, em 1952.
Partidários do socialismo árabe”, os revolucionário decretaram a reforma agrária, nacionalizaram os setores econômicos básicos e impuseram um governo forte em 1954, com Gamal Abdel Nasser à frente. Em 1956 Nasser nacionalizou a Companhia do Canal de Suez que pertencia aos ingleses e franceses desde 1869, e declarou que utilizaria as rendas do Canal para construir a represa de Assuã. Esse fato provocou a invasão do Sinai por israelenses apoiados, pela França e Inglaterra que pretendiam voltar a explorar o Canal. Em 1958, o Egito passou a ser conhecido como república Árabe Unida (RAÚ). Em março de 1967 quando Nasser ordenou a retirada das tropas da ONU que controlavam o Sinai e sua ocupação por tropas da RAU, repetiu-se a guerra egípcio-israelense (Guerra dos Seis dias), quando o Egito perdeu o Sinai. Essa derrota levou Nasser a obstruir o Canal em represália a Israel. Com a morte de Nasser em 1971, assume a presidência Anuar Sadat que continuou política de seu antecessor no sentido de recuperar os territórios perdidos para Israel e na unificação do Mundo Árabe. Nesse ano, a RAU uniu-se à Líbia e à Síria formando a Federação das Repúblicas Árabes (FRA). Em 1973, mais bem preparados e apoiados pelos países árabes que dispunham do petróleo, nova e poderosa arma, os egípcios iniciaram Guerra de Yom Kippur, cruzaram o Canal, de reconquistando vários pontos. Em junho de 75 Sadat efetiva a abertura do canal de Suez que passa a ser palco de confrontação militar entre EUA e URSS

EGITO ANTIGO. 
O Egito é o berço da mais antiga civilização, a egípcia. O estudo dessa civilização tornou-e possível após 1822 guando da decifração dos hieróglifos.
Inicialmente a região achava-se dividida em cidades-estados, “nomos”, independentes politicamente. Em torno de 4000 a.C. esses “nomos” uniram-se em dois reinos: Reino do Baixo Egito (Norte) e Reino do Alto Egito (Sul). A unificação desses reinos ocorreu por volta de 3 200 a.C., com Menés, que se tornou o primeiro faraó da primeira dinastia e deu início à história dinastia do Antigo Egito que vai até o século X1 a.C., quando termina a dinastia Ramsés e inicia a decadência. Essa decadência se acentua com o aparecimento do novos reinos no Oriente Médio, com o enfraquecimento do Governo dos faraós, com o empobrecimento do país causado pela desorganização interna e pelas sucessivas dominações estrangeiras. inicialmente, a dominação assíria, seguida da dominação persa, macedonia, romana e árabe, sendo esta última responsável pela religião islâmica do Egito atual.
OS egípcios foram grandes construtores, erguendo casas e palácios com Tijolos e madeira. Recursos técnicos que talvez tenham trazido à Mesopotâmia. As pedras eram reservadas para a construção de túmulos. Eram hábeis na arte de esculpir em pedras, fabricavam jóias de ouro, pedras semipreciosas e esmalte, e descobriram o papiro, que servia para a escrita. Desenvolveram conhecimentos e medicina e iniciaram investigações matemáticas, mais tarde desenvolvidas pelos gregos. Porem, onde os egípcios mais se destacaram foi na construção de túmulos, as pirâmides em geral em honra dos faraós. Contando com materiais rudimentares, porém com fartura de mão-de-obra, construíram verdadeiros monumentos de arquitetura, como as pirâmides de Quéfren, Quéops e Miquerinos que ficam na cidade de Gizé. A arte egípcia em sua maior parte homenageava os mortos, sepultadas com os objetos julgados necessários paia a vida no além. Muitos faraós eram enterrados em túmulos escavados em rochas, outros tinham o corpo conservado pelo embasamento. os egípcios eram politeístas. Osíris, deus dos mortos, segundo eles desposara sua irmã, Íris, sendo morto por Seth; seu filho Horus, porém, ressuscitou-o. Horus, deus do firmamento e da chuva, reinava sobre os viventes, representado por um falcão. Havia o costume de representar o deus sob a forma antropozoomorfa (corpo de animal e cabeça humana)., Ra era o deus sol de Heliópolis; quando Tebas se tornou a capital (11.~ dinastia), Amon, o deus da cidade ficou sendo Amon-Ra, o rei dos deuses. Em 1340 a.C., o faraó Akhenaton, instituiu o culto a um só deus – Aton – o ‘sol, e mandou construir a nova Capital em Telel Anarna.
Tutankhamon, seu sucessor, restabeleceu os antigos deuses, e seu túmulo foi o que abrigou a maior quantidade de tesouros no Egito. O último faraó egípcio, Nectanebo morreu em 341 a.C.
Bibliografia.
Enciclopédia do Estudante 2, COM – IND
Grolier Multimedia Encyclopedia
Extraído via internet:
http://www.historia.com.br/egito.htm

A preocupação com a Vinda de Jesus na História da Igreja

Fim dos Tempos 028
Desde os primórdios da igreja do Senhor Jesus na Terra, o movimento cristão vem se caracterizado por um nítido elemento apocalíptico. O cristianismo tem uma concepção linear da história, apontando para um fim que marcará a consumação de todas as coisas. Esse elemento já estava fortemente presente no judaísmo pré-cristão, especialmente nos profetas e nos salmos do Antigo Testamento, com a sua esperança messiânica e a sua mensagem acerca do Dia do Senhor, a intervenção de Deus na história para libertar Israel dos seus inimigos e instaurar uma era de justiça e paz. Jesus manteve essa ênfase escatológica ao fazer da vinda iminente do reino de Deus a sua mensagem principal. Os apóstolos, nos escritos que vieram a compor o Novo Testamento, preservaram a convicção da igreja primitiva de que os cristãos vivem entre dois tempos, entre o “já” e o “ainda não”.
Essa permanente tensão tem feito com que os cristãos, a cada geração, se preocupem, com maior ou menor intensidade, com as questões referentes ao fim dos tempos.
O período apostólico foi caracterizado por uma intensa esperança escatológica, como se pode constatar nas epístolas paulinas, nas epístolas gerais e no livro do Apocalipse. Todavia, ao contrário da opinião da crítica bíblica moderna, a demora ou adiamento da parousia (termo técnico para a “presença” ou segunda vinda de Cristo) não parece ter causado grande comoção entre os primeiros cristãos. Eles simplesmente passaram a interpretar os eventos de outra maneira. Com o tempo surgiu o entendimento de que a volta de Cristo poderia não ser um evento iminente e sim muito distante no futuro, e aqueles que afirmavam o contrário foram encarados com desconfiança.
Muitos dos primeiros cristãos parecem ter entendido a ressurreição de Cristo como o início do milênio. Aliás, as preocupações milenaristas ou quiliásticas (do grego chilioi = “mil”) foram generalizadas nos primeiros séculos da igreja. Papias (c.60-120 d.C.), um dos chamados “pais apostólicos”, foi o primeiro autor subseqüente ao Novo Testamento a descrever o milênio, assim como também o fez o gnóstico Cerinto (c. 100 d.C.), embora a sua descrição dos prazeres físicos associados ao mesmo tenha escandalizado os ortodoxos.
Em sua obra Diálogo com Trifo, o Judeu, o apologista Justino Mártir (c.100-165) foi um passo além de Papias ao afirmar que o milênio teria início após a vinda do Anticristo e a segunda vinda de Cristo. Os fiéis falecidos iriam ressuscitar dentre os mortos e reinar com Cristo por mil anos na nova Jerusalém. Assim sendo, ele é considerado por muitos o primeiro “pré-milenista”, ou seja, defensor da noção de que a volta de Cristo precede o milênio. Justino foi seguido nessa opinião pelo célebre bispo Irineu de Lião (c.130-c.200), um discípulo de Papias, em sua monumental obra apologética Contra as Heresias, dirigida contra os gnósticos.
Observa-se com essas abordagens como, desde o início, falar dos eventos futuros era algo incerto, pois diversas formas de pesquisar e interpretar o texto sagrado iam surgindo.
Justino e Irineu entenderam a segunda vinda de Cristo e o milênio como eventos distantes no tempo. Todavia, no final do segundo século alguns cristãos começaram a ver sinais de que o milênio era iminente, como foi o caso dos montanistas. Por volta do ano 172, Montano e suas auxiliares Priscila e Maximila começaram a afirmar que o milênio havia começado e que dentro em breve Jerusalém iria descer nas proximidades da Frígia, na Ásia Menor. Eles também disseram que Deus lhes havia dado autoridade sobre a igreja e que rejeitar os seus pronunciamentos era blasfemar contra o Espírito Santo. (observa-se,nesse aspecto, uma característica forte de um grupo sectário e herético: dizer que recebeu a revelação direto de Deus).
No início do terceiro século, Hipólito de Roma predisse que Cristo estabeleceria o milênio no ano 500, sendo um dos primeiros escritores antigos a fixarem uma data para a segunda vinda. Ele fez esse cálculo no seu comentário pioneiro sobre o livro de Daniel, partindo da premissa de que Cristo nascera 5500 anos após a criação do mundo. Assim, a segunda vinda e o início do milênio se dariam 500 depois e o mundo terminaria no ano 7000, uma idéia comum naqueles dias.
Curiosamente, o objetivo de Hipólito com essa data distante foi atenuar as expectativas de muitos de seus contemporâneos. Ele falou de um líder da igreja síria que havia levado o seu povo ao deserto para aguardar a segunda vinda. Outro líder, do Ponto, no norte da Ásia Menor, havia predito que Cristo voltaria dentro de um ano. Quando isso não aconteceu, os seus seguidores ficaram arrasados. Muitos abandonaram a fé: “As virgens se casaram; os homens se retiraram para as suas fazendas e aqueles que haviam imprudentemente vendido as suas possessões mais tarde foram vistos mendigando”.
Outra tentativa de atenuar as expectativas milenistas foi feita pelo grande teólogo do terceiro século Orígenes (c.185-c.254). Sua interpretação bíblica alegórica, não-literal, deu mais ênfase às ações praticadas pelos cristãos do que à cronologia dos eventos escatológicos. Algumas décadas mais tarde, quando a última perseguição imperial se abateu sobre a igreja (303-311), houve a especulação de que a temida tribulação podia ter chegado, sendo o imperador Diocleciano e o seu vice Galério a primeira e a segunda bestas de Apocalipse 13. Logo depois, com a vitória de Constantino e a completa inversão da situação da igreja, muitos tiveram a impressão de que o milênio finalmente havia chegado.
Inicialmente, o grande bispo de Hipona, Agostinho, havia abraçado a posição milenarista da maioria dos antigos cristãos. Todavia, na sua obra mais importante, A Cidade de Deus (ano 427), ele passou a entender os mil anos de Apocalipse 20 como o período que teve início com a encarnação de Cristo, ou seja, a era da Igreja Cristã. Essa nova posição, muitas vezes chamada de “amilenismo” (isto é, a negação de um milênio literal), tornou-se a concepção predominante entre os cristãos ocidentais, inclusive os reformadores protestantes, por quase mil e quinhentos anos. Na era da Igreja, os santos já reinam com Cristo, embora não de modo tão pleno como acontecerá no reino eterno de Deus.
As razões apontadas para essa mudança de pensamento são várias. Entre elas está o fato de que, à medida que os anos passaram, Agostinho concentrou-se cada vez mais nas realidades celestiais, tanto presentes quanto futuras. A terra e as realidades históricas tornaram-se cada vez menos importantes para ele. A idéia de um milênio literal na terra após a volta de Cristo parecia-lhe demasiado grosseira; tudo o que importava era a cidade de Deus. Os cristãos são peregrinos cujo verdadeiro lar é a pacífica cidade que está além da história humana. “Sem essa esperança”, disse ele, “a presente realidade é uma falsa felicidade, ela é de fato uma completa miséria”.
Portanto, a primeira vinda de Cristo deu início aos últimos tempos da história humana. A consumação está além deste mundo, quando Cristo reinar plenamente no meio do seu povo restaurado, quando tiverem ficado para trás as lutas e ambigüidades da era presente.
Curiosamente, a passagem do ano 1000 teve pouco significado apocalíptico para as pessoas da Idade Média, porque o cálculo dos anos a partir do nascimento de Cristo ainda era relativamente recente. Todavia, isso não significa que o cristianismo medieval estivesse pouco interessado em especulações sobre o final dos tempos.
Por volta de 950, um monge chamado Adso escreveu um tratado sobre o Anticristo que popularizou a idéia do “último imperador mundial”, o grande monarca que precederia a vinda do Anticristo. Um elemento que alimentou o apocaliptismo desse período foi a corrupção da Igreja e a inércia dos seus líderes, situação que suscitou protestos como o da abadessa alemã Hildegarda de Bingen (1098-1179).
Todavia, o mais famoso escritor sobre temas apocalípticos naquela época foi o abade Joaquim de Fiore (c.1135-1202), outro proponente da reforma da Igreja. Ele especulou que, logo após o ano 1200, duas forças anticristãs, possivelmente muçulmanos e hereges, iriam atacar, derrotar e perseguir intensamente os cristãos. Assim purificados, um papa reformador e as ordens monásticas criariam um mundo mais santo no qual as pessoas alcançariam uma compreensão inigualável do sentido oculto das Escrituras. Por um período indeterminado, os cristãos dominariam o mundo em um clima de paz.
Os eventos não se harmonizaram com essas previsões otimistas. Por vários séculos, os imperadores continuaram a entrar em choque com os papas, e nem uns nem outros promoveram as reformas que a Igreja reclamava. Essa situação, aliada a outras realidades negativas na sociedade mais ampla, continuou a inspirar não só a literatura apocalíptica, mas movimentos dessa natureza, como o dos taboritas, seguidores extremados de João Hus, e o do frade dominicano Jerônimo Savonarola (1452-1498).
Um fato pouco conhecido são as motivações escatológicas por trás das viagens exploratórias de Cristóvão Colombo (1451-1506). O famoso navegador genovês era assíduo estudioso da Bíblia e estava familiarizado com a escatologia de Joaquim de Fiore. Ele preparou o chamado Livro de Profecias, uma coleção de predições sobre o fim do mundo e o retorno de Cristo no qual procurou demonstrar que as suas viagens serviam a um propósito divino. A descoberta de um caminho mais curto para o Oriente não só proporcionaria os fundos para a conquista de Jerusalém das mãos dos infiéis, mas possibilitaria a pregação do evangelho a todas as nações, dois requisitos para a volta de Cristo.
Posteriormente, os principais reformadores protestantes contestaram muitas doutrinas da Igreja Medieval, mas não manifestaram maiores preocupações com a escatologia predominante, herdada de Agostinho.
Todavia, Lutero afastou-se de alguns aspectos do amilenismo da Idade Média. Por exemplo, ele questionou a glória da Igreja Histórica, cria que o papado era a manifestação do Anticristo e entendia a vinda do Senhor como uma ocasião feliz, e não como um dia de ira.
Como Lutero, Calvino rejeitou explicitamente a posição milenista, considerando-a infantil e equivocada. Ele cria que a idéia do milênio impõe um limite ao reino de Cristo. Em grande parte, a escatologia de Calvino concentrou-se no futuro dos indivíduos. Nas Institutas da Religião Cristã, ele aborda a ressurreição final no contexto de uma seção mais ampla sobre como os indivíduos recebem a graça de Cristo. Para ele, a escatologia tem um sentido prático, pois a meditação sobre a vida futura é um elemento essencial da vida cristã.
Muito diferente foi o entendimento desse assunto por parte de alguns anabatistas extremados. O episódio que mais contribuiu para dar uma reputação negativa ao anabatismo no século 16 ocorreu na cidade alemã de Münster. Tudo começou em 1529, quando Melchior Hofmann começou a pregar sermões apocalípticos em Estrasburgo anunciando a vinda literal e iminente do Reino de Deus.
Após três anos de pregação incessante, as autoridades o lançaram na prisão, mas os seus seguidores, os melquioritas, surgiram por toda parte. Um deles foi Jan Matthys, um padeiro de Haarlem, na Holanda. Proclamando ser Enoque, a segunda testemunha do livro do Apocalipse, ele começou a pregar de maneira agressiva e a enviar grupos de seguidores através dos Países Baixos. Dois deles, Jan de Leyden e Gerard Boekbinder, foram para Münster, onde o principal pregador da cidade, Bernhard Rothman, estava pregando idéias anabatistas a grandes multidões.
Ouvindo as notícias, Matthys teve a visão de que Münster deveria ser o local da Nova Jerusalém e mudou-se para aquela cidade com os seus seguidores. No início de 1534, após a fuga de parte da população católica e luterana, Matthys assumiu o controle de Münster. Iniciou-se um período de repressão que visava “purificar” a cidade, com rebatismos forçados, confisco de propriedades, queima de livros e a execução de um ferreiro pelo próprio Matthys. No domingo de Páscoa de 1534, acompanhado de alguns seguidores, Matthys atacou o exército do bispo que estava acampado fora da cidade, sendo imediatamente morto e decapitado. Jan de Leyden assumiu a liderança, ungiu a si mesmo rei, instaurou um reino de terror e introduziu inovações como a poligamia. No dia 25 de junho de 1535, o exército do bispo invadiu a cidade e matou quase todos os habitantes. Leyden e dois companheiros foram torturados até a morte com ferros em brasa. A esperança de uma Nova Jerusalém havia terminado em tragédia.
Mais na história recente, nos séculos 17 e 18, com o advento do Iluminismo, houve um forte declínio do entusiasmo apocalíptico que havia caracterizado o cristianismo europeu durante vários séculos. Todavia, do outro lado do Atlântico surgiu uma nova maneira de encarar a escatologia, que ficou conhecida como “pós-milenismo”, a crença de que a segunda vinda iria ocorrer após um milênio de paz e prosperidade para a igreja, sendo o mesmo implantado através dos esforços da própria igreja, auxiliada por Deus. O pós-milenismo revelou uma atitude de profundo otimismo com relação ao progresso da igreja e da sociedade e foi uma doutrina geralmente aceita pelos protestantes norte-americanos até a segunda metade do século 19. Ela dominou a imprensa religiosa, os principais seminários e grande parte dos ministros, além de estar implantada na mentalidade popular.
O primeiro articulador dessa doutrina nos Estados Unidos foi o famoso teólogo calvinista e pastor congregacional Jonathan Edwards (1703-1758). No contexto do Primeiro Grande Despertamento, do qual foi um dos principais personagens, Edwards anteviu uma era de contínuo avanço do evangelho até que, por volta do ano 2000, surgisse o milênio, um período de paz, notável conhecimento, santidade e prosperidade geral. A maior contribuição de Edwards foi o entendimento de que essa obra resultaria de uma combinação da atuação do Espírito Santo com o uso de meios, como a pregação do evangelho e o cultivo dos “meios ordinários de graça”. Para ele, essa visão pós-milenista era um incentivo necessário para sustentar os melhores esforços da igreja.
A influência de Edwards continuou por várias gerações, principalmente após a Revolução Americana, quando surgiu um renovado interesse pela escatologia bíblica. Seu discípulo Samuel Hopkins publicou em 1793 um Tratado sobre o Milênio, dando grande ênfase ao ativismo social e expressando a convicção de que a grande maioria dos seres humanos iria converter-se. Suas expectativas pareceram confirmar-se com a ocorrência de um avivamento muito mais vasto nas primeiras décadas do século 19, o Segundo Grande Despertamento. Neste, o personagem de maior destaque foi o avivalista Charles G. Finney (1792-1875), que levou às últimas conseqüências a ênfase de Edwards no uso de meios por parte da igreja. Outro fervoroso partidário do otimismo pós-milenista, Finney entendia que o avivamento não era um fenômeno sobrenatural, mas resultava do uso apropriado de certas técnicas, as quais denominou “novas medidas”.
O contínuo progresso da nova nação norte-americana e a ocorrência de ainda outro avivamento em 1858 intensificaram as esperanças pós-milenistas, que eram expressas nos termos mais triunfalistas possíveis. Porém, com a Guerra Civil (1861-1865) e os grandes problemas gerados pela imigração, urbanização e industrialização, o entusiasmo pós-milenista entrou em refluxo. Seus últimos vestígios se manifestariam no movimento do Evangelho Social, no início do século 20, que ainda insistiu em falar na conversão da sociedade e na implantação do Reino de Deus na terra. O cenário estava preparado para o retorno triunfal do velho pré-milenismo abraçado por muitos cristãos antes de Agostinho.
Em meio ao pós-milenismo dominante, começaram a surgir nos Estados Unidos, ainda na primeira metade do século 19, diversos movimentos de natureza fortemente apocalíptica, como foi o caso dos mórmons (“os santos dos últimos dias”) e seu profeta Joseph Smith. Outro líder influente foi William Miller, um fazendeiro da Nova Inglaterra que, através do estudo da Bíblia e especialmente de Daniel 8.14, concluiu que Cristo iria voltar em 1843 ou 1844.
A partir de 1838, a grande divulgação de suas idéias através de publicações e conferências despertou enorme interesse popular. Todavia, quando as previsões de Miller não se materializaram, os seus seguidores ficaram completamente desiludidos e amargurados com ele, que morreu quase esquecido em 1849. Mesmo assim, alguns de seus simpatizantes permaneceram firmes. Um pequeno grupo da Nova Inglaterra, liderado por James White e Ellen G. White, concluiu que Miller estava certo quanto à data, mas errado quanto ao local. No dia 22 de outubro de 1844, Cristo de fato purificou o santuário segundo a profecia de Daniel, mas o santuário estava no céu, e não na terra. Cristo não apareceu na terra em virtude da não-observância do sábado por parte da igreja. Assim surgiu a Igreja Adventista do Sétimo Dia.
O que se nota, nessa abordagem histórica até o momento, é que não há como definir essa ou aquela interpretação como a verdade cabal e única, com o forte risco de cairmos na rede da heresia e do engano, como a história prova por si só.
Ainda nesse avançar histórico, mais importante para o evangelicalismo norte-americano e mundial foi o pré-milenismo dispensacionalista. As origens desse movimento remontam ao inglês John Nelson Darby (1800-1882), um talentoso líder dos Irmãos de Plymouth. Suas idéias foram popularizadas nos Estados Unidos por C. I. Scofield através da sua famosa Bíblia Anotada. Esse sistema derivou o seu nome do fato de dividir a história em diversas eras ou dispensações.
Outra peculiaridade estava na convicção de que Deus tem dois planos completamente diferentes atuando na história: um para os judeus e outro para a igreja. Todavia, sua doutrina mais controvertida e distintiva é a do arrebatamento da igreja, quando Cristo virá para os seus santos, seguido da tribulação, da consumação do plano de Deus em relação aos judeus e da segunda vinda, quando Cristo virá com os seus santos. Então virá o milênio, seguido do juízo final e dos novos céus e terra.
Inicialmente, os evangélicos conservadores viram o dispensacionalismo com suspeitas. Todavia, a luta contra o liberalismo teológico aproximou os dois grupos, permitindo que os pré-milenistas fossem conquistando espaços. Em 1878, a Conferência Bíblica de Niagara aprovou uma declaração de fé que incluía, além de uma abertura para o pré-milenismo, ênfases evangélicas tradicionais como a autoridade das Escrituras e a necessidade da conversão pessoal. Apesar das suas diferenças na área da escatologia, fundamentalistas e pré-milenistas perceberam que possuíam muitas convicções comuns, o que os levou a firmar alianças por algum tempo.
O pré-milenismo também foi auxiliado pelo apoio de líderes populares como o evangelista Dwight L. Moody e pela criação de institutos bíblicos. O fato é que, no final do século 19, o pré-milenismo parecia muito mais realista do que o pós-milenismo e os seus defensores apontavam para um grande número de problemas sociais como “sinais dos tempos” e evidências de que a sua posição era a mais correta.
Um dos fenômenos mais importantes da história da Igreja no século 20 foi o surgimento do movimento pentecostal, que teve como uma de suas características mais distintivas o falar em línguas. Curiosamente, os estudiosos apontam para o fato de que o pentecostalismo inicial tinha como enfoque principal a segunda vinda de Cristo.
O dom de se expressar em outras línguas (xenoglossolalia) era visto simplesmente como um instrumento para a colheita final de almas antes do arrebatamento da Igreja. Essa preocupação já estivera presente em Edward Irving (1792-1834), um pastor presbiteriano escocês que é tido como precursor do movimento carismático, e foi muito saliente nos primeiros líderes pentecostais, Charles Fox Parham e William J. Seymour.
Depois de 1910, quando ficou claro que os missionários não estavam recebendo habilidades miraculosas de falar em outras línguas humanas, os pentecostais começaram a dar maior ênfase às línguas como evidência do batismo com o Espírito Santo e como uma linguagem devocional de oração. Mesmo assim, a preocupação escatológica não foi esquecida. Um exemplo disso é a Igreja do Evangelho Quadrangular, que tem como uma das quatro convicções básicas implícitas no seu nome a volta de Cristo.
Após a 2ª Guerra Mundial (1939 a 1945), o pré-milenismo despertou um interesse sem precedentes graças a fenômenos como as armas atômicas, a criação do Estado de Israel, a guerra fria entre os blocos capitalista e comunista e o surgimento da união européia. O número de publicações sobre o tema foi impressionante, os autores oferecendo as mais diferentes interpretações dos eventos contemporâneos à luz das profecias bíblicas. Um grande campeão de vendas por muitos anos foi o livro de Hal Lindsay, A Agonia do Grande Planeta Terra (1970). Muitos filmes também foram produzidos nessa área, inclusive pela indústria cinematográfica secular. O fim da União Soviética em 1989 e o transcurso do ano 2000 apresentaram novos desafios e a necessidade de reinterpretações, como também ocorreu com os atentados terroristas nos Estados Unidos em 2001 e suas conseqüências.
Os cristãos de todas as eras ficam imaginando se o fim dos tempos não irá chegar na sua geração. Não poderia ser diferente em nossos dias, principalmente à luz de acontecimentos tão impressionantes que o mundo tem testemunhado.
Mas, de tudo que se caracterizou bem sumariamente até esse ponto, observa-se que existem coisas mais relevantes, mais importantes, mais urgentes, quando o assunto é a Volta de Jesus. Importa é que os seguidores de Cristo cumpram as solenes tarefas que lhes foram confiadas. Importa mais o que somos e não o que sabemos sobre a escatologia. É nesse ponto que está uma enorme diferença. O que define seu destino com Deus não é o que você sabe sobre o futuro ou mesmo sobre o passado, mas o que você é na sua essência, o que você como servo do Senhor, é o que você faz e fará até que Ele venha.

RESUMO DAS TEORIAS ALUSIVAS À SEGUNDA VINDA DE JESUS OU AOS ASSUNTOS ESCATOLÓGICOS

ÉPOCA
EVENTO
Igreja TessalônicaAcreditavam que Jesus viria à Terra uma segunda vez naquela mesma época

Cerca de 60-120 d.C.Introdução de ensinos sobre o Milênio por Papias, um dos chamados pais apostólicos.

Cerca de 100 d.C.Cerinto – um gnóstico que falou sobre mil anos, embora deturpadamente.

Cerca de 100-165Justino Mártir escreve Diálogo com Trifo, o Judeu, onde afirma que o milênio teria início após a vinda do Anticristo e a segunda vinda de Cristo. Os fiéis falecidos iriam ressuscitar dentre os mortos e reinar com Cristo por mil anos na nova Jerusalém. Considerado por muitos o primeiro “pré-milenista”, ou seja, defensor da noção de que a volta de Cristo precede o milênio.

C 130-200 d.C.O célebre bispo Irineu de Lião  c.130-c.200), um discípulo de Papias, em sua monumental obra apologética Contra as Heresias, dirigida contra os gnósticos,   seguiu os mesmos ensinos de Justino Mártir.

Cerca de 172 d.C.Montano e suas auxiliares Priscila e Maximila começaram a afirmar que o milênio havia começado e que dentro em breve Jerusalém iria descer nas proximidades da Frígia, na Ásia Menor.

Cerca dos primórdios dos anos 200 d.C.No início do terceiro século, Hipólito de Roma predisse que Cristo estabeleceria o milênio no ano 500, sendo um dos primeiros escritores antigos a fixarem uma data para a segunda vinda.

Cerca dos primórdios dos anos 200 d.C.Outra tentativa de atenuar as expectativas milenistas foi feita pelo grande teólogo do terceiro século Orígenes (c.185-c.254). Sua interpretação bíblica alegórica, não-literal, deu mais ênfase às ações praticadas pelos cristãos do que à cronologia dos eventos escatológicos.

Século IVEntre 400 e 500 d.C.Inicialmente, o grande bispo de Hipona, Agostinho, havia abraçado a posição milenarista da maioria dos antigos cristãos. Todavia, na sua obra mais importante, A Cidade de Deus (ano 427), ele passou a entender os mil anos de Apocalipse 20 como o período que teve início com a encarnação de Cristo, ou seja, a era da Igreja Cristã. Essa nova posição, muitas vezes chamada de “amilenismo” (isto é, a negação de um milênio literal), tornou-se a concepção predominante entre os cristãos ocidentais, inclusive os reformadores protestantes, por quase mil e quinhentos anos.

Por volta de 950 d.C.Um monge chamado Adso escreveu um tratado sobre o Anticristo que popularizou a idéia do “último imperador mundial”, o grande monarca que precederia a vinda do Anticristo. Um elemento que alimentou o apocaliptismo desse período foi a corrupção da Igreja e a inércia dos seus líderes, situação que suscitou protestos como o da abadessa alemã Hildegarda de Bingen (1098-1179).

Período 1100-1200O abade Joaquim de Fiore (c.1135-1202), outro proponente da reforma da Igreja, especulou que, logo após o ano 1200, duas forças anticristãs, possivelmente muçulmanos e hereges, iriam atacar, derrotar e perseguir intensamente os cristãos.

Período de 1400 a 1500Cristóvão Colombo  era assíduo estudioso da Bíblia e estava familiarizado com a escatologia de Joaquim de Fiore. Ele preparou o chamado Livro de Profecias, uma coleção de predições sobre o fim do mundo e o retorno de Cristo no qual procurou demonstrar que as suas viagens serviam a um propósito divino.

Cerca de 1529 para frenteEm 1529, surgem as pregações apocalípticas de Melchior Hofmann. Um melquiorita, seu seguidor, foi Jan Matthys, um padeiro de Haarlem, na Holanda. Proclamando ser Enoque, a segunda testemunha do livro do Apocalipse, ele começou a pregar de maneira agressiva e a enviar grupos de seguidores através dos Países Baixos.

Cerca de 1529 para frenteDois deles, Jan de Leyden e Gerard Boekbinder, foram para Münster, onde o principal pregador da cidade, Bernhard Rothman, estava pregando idéias anabatistas a grandes multidões. Daí para frente, vários foram os eventos ocasionados por pregações desviadas da paz de Cristo, que culminaram  com mortes e tragédias.

Séculos 17 e 18Mais na história recente, nos séculos 17 e 18, com o advento do Iluminismo, houve um forte declínio do entusiasmo apocalíptico que havia caracterizado o cristianismo europeu durante vários séculos. Todavia, do outro lado do Atlântico surgiu uma nova maneira de encarar a escatologia, que ficou conhecida como “pós-milenismo”, a crença de que a segunda vinda iria ocorrer após um milênio de paz e prosperidade para a igreja, sendo o mesmo implantado através dos esforços da própria igreja, auxiliada por Deus. O primeiro articulador dessa doutrina nos Estados Unidos foi o famoso teólogo calvinista e pastor congregacional Jonathan Edwards (1703-1758).

Séculos 17 e 18A influência de Edwards continuou por várias gerações, principalmente após a Revolução Americana, quando surgiu um renovado interesse pela escatologia bíblica. Seu discípulo Samuel Hopkins publicou em 1793 um Tratado sobre o Milênio, dando grande ênfase ao ativismo social e expressando a convicção de que a grande maioria dos seres humanos iria converter-se. Suas expectativas pareceram confirmar-se com a ocorrência de um avivamento muito mais vasto nas primeiras décadas do século 19, o Segundo Grande Despertamento. Neste, o personagem de maior destaque foi o avivalista Charles G. Finney (1792-1875), que levou às últimas conseqüências a ênfase de Edwards no uso de meios por parte da igreja.Em meio ao pós-milenismo dominante, começaram a surgir nos Estados Unidos, ainda na primeira metade do século 19, diversos movimentos de natureza fortemente apocalíptica, como foi o caso dos mórmons (“os santos dos últimos dias”) e seu profeta Joseph Smith. Outro líder influente foi William Miller, um fazendeiro da Nova Inglaterra que, através do estudo da Bíblia e especialmente de Daniel 8.14, concluiu que Cristo iria voltar em 1843 ou 1844.


Séculos 17 e 18A partir de 1838, a grande divulgação de suas idéias através de publicações e conferências despertou enorme interesse popular. Todavia, quando as previsões de Miller não se materializaram, os seus seguidores ficaram completamente desiludidos e amargurados com ele, que morreu quase esquecido em 1849. Mesmo assim, alguns de seus simpatizantes permaneceram firmes. Um pequeno grupo da Nova Inglaterra, liderado por James White e Ellen G. White, concluiu que Miller estava certo quanto à data, mas errado quanto ao local. No dia 22 de outubro de 1844, Cristo de fato purificou o santuário segundo a profecia de Daniel, mas o santuário estava no céu, e não na terra. Cristo não apareceu na terra em virtude da não-observância do sábado por parte da igreja. Assim surgiu a Igreja Adventista do Sétimo Dia. Surge o pré-milenismo dispensacionalista. As origens desse movimento remontam ao inglês John Nelson Darby (1800-1882), um talentoso líder dos Irmãos de Plymouth. Suas idéias foram popularizadas nos Estados Unidos por C. I. Scofield através da sua famosa Bíblia Anotada. Esse sistema derivou o seu nome do fato de dividir a história em diversas eras ou dispensações.
Séculos 19 e 20No final do século 19, o pré-milenismo parecia muito mais realista do que o pós-milenismo e os seus defensores apontavam para um grande número de problemas sociais como “sinais dos tempos” e evidências de que a sua posição era a mais correta.Um dos fenômenos mais importantes da história da Igreja no século 20 foi o surgimento do movimento pentecostal, que teve como uma de suas características mais distintivas o falar em línguas.Depois de 1910, quando ficou claro que os missionários não estavam recebendo habilidades miraculosas de falar em outras línguas humanas, os pentecostais começaram a dar maior ênfase às línguas como evidência do batismo com o Espírito Santo e como uma linguagem devocional de oração. Mesmo assim, a preocupação escatológica não foi esquecida. Um exemplo disso é a Igreja do Evangelho Quadrangular, que tem como uma das quatro convicções básicas implícitas no seu nome a volta de Cristo.
Após a 2ª Guerra Mundial (1939 a 1945), o pré-milenismo despertou um maior interesse.
Extraído do livro “Ele Virá”, Editado pelo CACP

Edir Macedo compara dízimos a Jesus

Edir pregando contra os demais pastores
O bispo Edir Macedo afirmou em seu programa de rádio que os dízimos e ofertas são tão sagrados quanto o próprio Deus, pois teria recebido essa revelação do Espírito Santo.
Em seu programa de rádio o fundador da Igreja Universal do Reino de Deus afirmou que “só podem enxergar os dízimos, ofertas e sacrifícios como coisa sagrada, santa, santíssima aqueles que tiveram a revelação da fé pelo Espírito Santo”.
Usando a passagem bíblica de Jeremias 2, o bispo Macedo afirmou que Israel era uma espécie de contribuição divina para o mundo nos tempos do Antigo Testamento: “Israel, naquela altura, era o dízimo de Deus, mas representava o dízimo que Deus havia dado ao mundo para salvá-lo, que é Jesus. Jesus foi o dízimo de Deus para nós. Deus nos deu o dízimo, para que todos que n’Ele creem, não pereçam, mas tenha a vida eterna”.
Conhecido por difundir a teologia da prosperidade de forma enfática, Edir Macedo afirmou ainda que “aquilo que você coloca no altar representa a sua vida no altar de Deus. O dízimo representa o seu primeiro amor, a sua lealdade e a sua fidelidade a Deus”.
Para o líder da denominação neopentecostal, “dízimos, ofertas e sacrifícios são tão sagrados, tão santos como o próprio Deus porque eles representam Deus […] Israel era consagrado ao Senhor e era as primícias (sic) da sua colheita”.
O cerne da teologia da prosperidade é pregar que um fiel pode alcançar privilégios divinos através da doação de valores e bens materiais. Edir Macedo é um dos principais difusores dessa teologia no Brasil e no mundo.
No entanto, teólogos e líderes evangélicos que adotam linhas teológicas tradicionais se opõem frontalmente a esse tipo de pregação. Em resumo, a oposição á teologia da prosperidade é formada pelo mesmo princípio que deu origem à Reforma Protestante, movimento que defendeu a tese de que as indulgências vendidas à época pela Igreja Católica não garantiam salvação aos fiéis. Nos dias de hoje, os opositores à teologia da prosperidade defendem a ideia de que nenhuma contribuição material ou financeira tem poder de atrair bênçãos ou garantir a Salvação, pois esta só pode ser alcançada pela fé na graça do sacrifício de Jesus.
Extraído do site gospelmais.com.br em 11/11/2014