terça-feira, 12 de maio de 2015

É BOM SER MAU (Dom Paulo Garcia)

É BOM SER MAU (Dom Paulo Garcia)
Uma das formas que temos de atrair rancores é através da tentativa incessante de sermos sempre "bonzinhos". A obsessão em oferecer justificativas ou explicações para cada um de nossos atos ou posturas elimina certas possibilidades de diálogo com os demais.
Muitas vezes é importante não sermos "bonzinhos" para abrirmos caminho para que os outros nos vejam como "malvados". Muitos pais aprofundam rixas com os filhos, pois não conseguem aceitar-se como "não bonzinhos" perante eles. 
Contudo, não ser "bonzinho" não significa estar errado ou assumir ser malévolo, mas, sim, abrir espaço para aqueles que, diante de uma presença marcante e forte, necessitam afirmar-se. Realizar isto, no entanto, não é nada fácil, pois para permitirmos não ser "bonzinhos", temos que suportar a carga que isto representa para nossa imagem. 
Aquele que permite não ser "bonzinho" no momento correto desvia muito rancor ou inveja a ele dirigidos, exatamente por conta do que representa ou simboliza para nossa imagem.
Permitir-se não ser "bonzinho" trata-se do direito de reconhecer que nenhum de nós é perfeito e que, portanto, por mais que saibamos ocultar nossas faltas, alguma critica far-se-á pertinente. 
Moisés viveu sua vida como um eremita e armava sua tenda fora do acampamento. Como consequência disto, seus críticos o condenavam por exclusivismo e indiferença. Aarão, por outro lado, dava-se ao trabalho de apaziguar todos os que discutiam e movimentava-se o tempo todo junto às pessoas no acampamento. Aarão foi criticado por ser democrático demais, sem se dar ao respeito da posição de honra que ocupava. Os oponentes de um homem importante irão condená-lo, não importa qual seja o seu comportamento. 
Uma vez sabido disso, talvez não seja necessário ao líder ou pessoa importante rebater certas críticas. Saber portar-se como "não bonzinho" é fundamental para dissipar certos resíduos de inveja. Devemos suportar este "falar mal" e seguir a diante.

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