terça-feira, 13 de outubro de 2015

Mensagem do Arcebispo

Dom Paulo 2

Queridos irmãos em Cristo,
A Igreja Episcopal Carismática tem sido pródiga em anunciar o Evangelho de Jesus Cristo por meio dos seus muitos Ministérios, expressando, assim, a multiforme graça de Deus.
Este Portal é mais um instrumento para proclamar o amor de Deus a todas as pessoas, anunciando a nossa maneira amorosa e carismática de viver o cristianismo.
Desejamos que você encontre aqui informações necessárias sobre quem somos e no que cremos, de maneira que possamos caminhar em unidade.
Se você se identificar com nossa maneira de ser, visite nossa Catedral e participe dos nossos Ministérios.
Dom Paulo Garcia
Arcebispo e Primaz da Igreja Episcopal Carismática no Brasil

O Propósito dos Milagres de Jesus (Jo 20:30-31)

  

Os milagres de Jesus indicam a presença libertadora de Deus, escutando o clamor daquele que sofre, do que está doente, do marginalizado, que nos servem como sinal de que Ele é presente, atuante e vivo. Veja os propósitos dos milagres realizados por Cristo:
I – Manifestar a Sua Glória (Jo 2.11)
Em Jo 2:11, Jesus principiou seus sinais em Caná de Galileia, e manifestou a sua glória; e os seus discípulos creram nele. A glória é a auto-revelação da santidade, pureza e natureza de Deus (Sl 24:10). A nuvem luminosa (xequiná) que apareceu na tenda da congregação e no templo, no AT, manifestava a glória de Deus (Ex 15:11; 16:10; Nm 14:10; 16:19). No NT, a glória de Deus se manifesta no Filho de Deus encarnado (Jo 1:14), e, particularmente, na sua morte, ressurreição e ascensão (Jo 17:1; Hb 1:3). Jesus também manifestou a glória de Deus através das realizações dos milagres (Jo 11:40).
II – Os milagres foram sinais de que o Messias havia chegado
Veja Is 35:5,6; Is 61:1,2 e Lc 4:16-21 e compare com a resposta que Jesus enviou a João Batista, mostrando assim que os milagres que ele realizava atestavam que o Messias havia chegado (Mt 11:5). Mateus associa as realizações dos milagres realizados por Cristo como cumprimento do capítulo messiânico de Isaías 53. Depois da multiplicação dos pães e peixes, muitos reconheceram que Jesus era o profeta prometido por Moisés (Jo 6:14; Dt 18:15).
III – Os milagres de Jesus apontavam para o fato que ele tem poder para perdoar pecados.
Tal verdade fica clara quando Jesus cura o paralítico de Cafarnaum. Jesus diz que, para mostrar que tinha autoridade para perdoar pecado, curaria o paralítico (Mc 2:10,11). Aliás, este milagre mostra claramente que a maior necessidade do homem não é a solução dos problemas ou a cura de uma enfermidade, mas sim o seu relacionamento com Deus, onde o pecado é o principal obstáculo (Rm 3:23).
IV – Os milagres mostram a divindade de Cristo
Leia o que João escreve acerca dos milagres: “Estes, porém, foram escritos para que creais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome” (Jo 21.31).
Deus espera que nós possamos ver os milagres que Ele realiza ainda hoje, em nosso meio, não pelo nosso merecimento, porque não o temos, mas pela Sua infinita misericórdia. Aleluia!
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Ano Litúrgico

Livro de Oração Comum

"Lex Orandi Lex Credend" - Cremos conforme Oramos

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A Igreja Anglicana é uma igreja litúrgica e se expressa através do seu Livro de Oração Comum, que é o seu de Livro de Liturgia para adoração comunitária e individual. Mais de 70% de seu conteúdo é retirado da Bíblia.
As orações da igreja sempre foram oferecidas a Deus por um livro desde os tempos primitivos. A Igreja Anglicana não fez outra coisa senão seguir a antiga prática.

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O tradicional Livro de Oração Comum foi entregue para uso da igreja em 1549. O livro inglês não era um livro novo, mas o produto reformado de antigas liturgias usadas e desenvolvidas ao longo de um milênio. Desde o começo do século XI, prevaleceu na Inglaterra o Rito de Sarum, nome latino da cidade e Diocese de Salisbury, que forneceu a principal estrutura litúrgica do livro. O arcebispo Thomas Cranmer contou com a colaboração dos teólogos mais eruditos da Europa de seu tempo, como Martinho Lutero, Martinho Bucer, Felipe Melancthon, João Calvino, João Knox, João Hooper, Nicolas Ridley e Pedro Mártir Vermigli, para produzir o mais completo manual litúrgico que se conhece na história da Reforma.

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“Creio não haver no mundo, tanto nos idiomas antigos como nos modernos, uma liturgia impregnada de uma piedade mais sólida, bíblica e racional do que a do Livro de Oração Comum. E mesmo considerando que foi esta obra compilada há mais de duzentos anos, sua linguagem não só é pura, como também forte e elegante em essência”. Rev. John Wesley


O Livro de Oração Comum passou por várias revisões durante a sua história. 

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Quanto à liturgia oficial da Igreja Anglicana do Brasil, ficou decidido na Reunião Ordinária da Diretoria Executiva, juntamente com a Câmara Episcopal, ocorrida em Cruzeiro – SP, em 22 de abril de 2006, que poderá se utilizar todos os Livros de Oração Comum conhecidos, editados em língua portuguesa, até aquela data, ou liturgias inspiradas nos referidos manuais litúrgicos ou de outras fontes litúrgicas, que não firam as convicções teológicas da Igreja, aprovadas pelo Arcebispo Primaz.

História do Anglicanismo

Introdução


Para nos apresentarmos devidamente precisamos recordar brevemente a história  do Cristianismo na Inglaterra e posteriormente a colonização dos Estados Unidos. Você vai conhecer uma igreja que vem desde os tempos dos apóstolos. Todas as igrejas históricas tiveram sua origem em Jesus Cristo e nos apóstolos. Foram os apóstolos que disseminaram a mensagem do evangelho aos mais diferentes e longínquos lugares do mundo.


Dos primórdios a pré reforma

Segundo a tradição do Cristianismo, o Santo Graal teria sido o cálice que Jesus Cristo utilizou na última ceia, instituindo a Eucaristia, no qual o vinho, o sangue de Cristo, era bebido como símbolo do sangue de Jesus.

Conta uma das hipóteses o que seria e para onde foi o Graal que José de Arimatéia teria pegado o cálice e nele depositado o sangue que corria das feridas de Cristo crucificado quando estavam preparando o corpo dele para o enterro, enquanto os seus seguidores eram perseguidos em Jerusalém (42 d.C.), levando em seguida o Graal para as ilhas britânicas. Um dos relatos afirma que ele transportou duas galhetas contendo o sangue e o suor de Jesus para Glastonbury, no sudeste da Inglaterra, onde fundou a primeira igreja da Inglaterra cujas ruínas ainda existem.

Assim podemos afirmar que a Igreja Anglicana vem desde o tempo dos apóstolos, pois nso primeiros séculos da era cristã já havia uma igreja organizada nas ilhas britânicas. O anglicanismo tem suas raízes na Inglaterra, onde pessoas anônimas passaram para outras as Boas Novas do Evangelho, a Igreja Celta.

Durante a era cristã o povo romano dominava quase todo o mundo antigo conhecido. E nesse processo de conquista, as legiões romanas chegaram até a Inglaterra que na época passou-se a chamar Bretanha, como província romana. Esta conquista se deu num processo demorado porque os celtas britânicos não aceitaram com facilidade esta dominação. Esses celtas era um povo sensível e místico, e praticavam sua própria religião adorando a natureza e, principalmente, a Mãe Terra. Com o tempo os celtas foram se romanizando. Os legionários, mercadores, soldados e administradores levaram à colônia suas leis, costumes e religião. Entre eles havia provavelmente aqueles que tinham abraçado a fé cristã e oravam secretamente a Deus, enquanto os seus companheiros prestavam honras ao império, ao imperador e aosdeuses das religiões de mistério. Estamos aqui no terreno das conjecturas. A história não deixou documentos que pudessem provar a veracidade dos fatos. Por isso, nos lugares marcados pelo silêncio da história, encontramos lendas e tradições que falam de viagens missionárias que teriam sido feitas àquela ilha pelos apóstolos Paulo e Filipe e por José de Arimatéia. A primeira referência histórica sobre a existência de cristãos na Grã-Bretanha foi registrada por Tertuliano que, em 208 a.d, fala de regiões da ilha que haviam se convertido ao cristianismo. Pouco se sabe sobre esses cristãos durante o segundo século.

No século III há uma clara evidência das comunidades cristãs em meio aos celtas embora não fossem grandes, nem fortes. Essa igreja era chamada de Igreja Celta, muito mais próxima das igrejas orientais (ortodoxas) do que com a igreja ocidental (romana). Esta evidência é clara pois no Concílio de Arles 314 a.d., no sul da França, três bispos ingleses participaram, este fato mostra que já havia uma igreja organizada na grande ilha. Também participaram bispos ingleses nos Concílios de Nicéia 325 a.d. e de Ariminium 359 a.d.

Durante o século IV assume o trono romano um general famoso chamado Constantino. Este divide seu trono com seu colega Licínio e publicam o famoso Edito de Milão 313 a.d., dando liberdade religiosa e acabando com as perseguições aos cristãos.

Assim pouco a pouco a Igreja inglesa foi se organizando. Supõe-se que a maioria de seus membros era formada pelos celtas semi-romanizados, desprovidos de recursos.

Por volta do século V a província romana viu desaparecer de seu território as legiões de soldados romanos, o que facilitou a invasão dos bárbaros. Estes bárbaros, principalmente de origem anglo-saxônica, conquistaram os celtas britânicos. A antiga civilização romana desapareceu naquele lugar e com ela o cristianismo inicial. Em seu lugar os bárbaros impuseram uma nova forma de sociedade, civilização e cultura, mais rude e sem os requintes da vida romana, sendo que destruíram as igrejas e reduziram a prática da fé cristã durante quase 150 anos.

Os sobreviventes que não quiseram se submeter à dominação fugiram em direção ao oeste e se estabeleceram nas montanhas de Gales ou entre os picos da Cornualha.
No século VI o trono papal foi ocupado por um homem chamado Gregório I ou Magno que tinha como preocupação a vocação missionária. No livro II do Venerável Beda, "Uma História da Igreja e do Povo Inglês", escrito em torno do ano de 850, é relatado que Gregório, antes de se tornar Papa, viu umas crianças loiras a venda no mercado de Roma. Quando contaram para ele que eram da Grã Bretanha, de uma raça chamada "anglos", Gregório teria dito: "non angli, sed angeli", que significa, "não anglos, mas anjos" (uma paródia moderna traduziu as palavras de Gregório como "não anjos, mas anglicanos"). Logo depois que ele se tornou Papa enviou missionários para evangelizar a terra dessas crianças. Assim o papa Gregório Magno enviou o primeiro núncio à Inglaterra em 597 a.d, com o propósito de cristianizar aquele povo. O monge tão famoso era Santo Agostinho* que comandando um grupo de monges chega a, então, poderosa cidade de Kent e lá funda uma Igreja em Cantuária, no litoral de Kent. Mas Agostinho encontra ali uma Igreja que os historiadores descreveram como biblicamente ortodoxa e vibrante no evangelismo. O papa nomeia Agostinho autoridade eclesiástica suprema na Inglaterra dando início à longa cadeia de Arcebispos de Cantuária.O trabalho de Agostinho não foi tão fácil, pois lá já estavam alguns monges irlandeses e escoceses que havia recristianizado o norte da Inglaterra (Nortúmbria). O problema, porém, é que já existiam cristãos na Grã Bretanha (a Igreja Celta), e estavam lá provavelmente desde o Século II. Mesmo que os Saxões tenham destruído muito a herança Céltica da Grã Bretanha, a antiga Igreja Celta sobreviveu em alguns lugares e, naturalmente, tendo se desenvolvido no seu isolamento, tinha algumas pequenas diferenças do cristianismo Continental. Por exemplo, a Igreja Celta tinha simplesmente evitado as heresias cristológicas dos séculos IV e V, que foram sedimentadas no Concílios de Nicéia, Éfeso e Calcedônia.

Assim de um lado Roma e o papado, de outro os monges sob o comando de Iona que desconfiavam muito desses cristãos estrangeiros que se dava muito bem com os invasores e falavam em um papado do qual sabia muito pouco.

Em 603, Agostinho chamou representantes da Igreja Celta numa tentativa de convencê-los a se submeter as práticas e disciplinas romanas, mas eles recusaram. Santo Agostinho morreu em 605, mas a questão das diferenças entre a Igreja Britânica e a Igreja Romana continuou sendo motivo de controvérsias. A obra missionária iniciada por Agostinho foi consolidada por uma segunda missão romana liderada por Teodoro de Tarso.
O principal ponto de discórdia era a data da Páscoa, pois a Igreja Celta seguia uma tradição bem mais antiga do que a Igreja de Roma (tradição joanina). Havia questões menores, como a forma da tonsura monástica, a área raspada da cabeça do monge. Finalmente, em 664 a.d, Sínodo de Whitby, em Whitby, na Northumbria, a questão foi resolvida em Concílio, por votação e através de decreto do rei Oswy, que decidiu em favor das práticas e costumes romanos, sendo a Igreja Celta obrigada a se submeter a Roma. Mas algumas Igrejas Celtas permaneceram independente por muitos anos na Weles, Ireland e Scotland (as diferenças foram a administração de mosteiro e outras pequenas coisas como o data de Páscoa etc). Segundo o próprio rei afirmou, Pedro tinha as chaves do Reino de Deus, e o Papa era o sucessor de Pedro! Mesmo no século VII tivemos o problema da autoridade política resolvendo questões religiosas...

Então, a presente alegação dos anglicanos de ser católicos sem ser romanos não é nova. No Concílio de Whitby encontramos um cristianismo britânico autêntico e aborígene, suprimido por aqueles que não conseguem distinguir entre Catolicismo e uniformidade eclesiástica. A Igreja Cristã na Inglaterra sempre reclamou a sua independência histórica, e mesmo que durante 850 anos a Inglaterra tenha sido nominalmente católica, ela sempre foi uma mancha para o papado.

No final do século X, os dinamarqueses invadiram a Grã-Bretanha e destruíram quase tudo, deixando a impressão que Deus havia se ausentado do mundo. No século XI em 1016, houve uma segunda invasão normanda, mas com a diferença de que o rei era cristão e por isso a igreja foi protegida, o Rei William, normando, conquistou a Inglaterra sob a benção de Papa Gregório VII. E exatamente, nesta época na Europa, começou o conflito entre o poder civil e o poder eclesiástico. Especialmente o problema de investidura dos bispos, de imposto eclesiástico e de posse da terra da Igreja, e de imposto para Igreja. Doze séculos depois, a igreja inglesa julgou necessário resistir à antiga intromissão papal, rompendo suas relações com Roma.

O Papa Gregório VII quis estabelecer a superioridade da Igreja diante do poder civil, a reforma dos mosteiros, a elevação do nível dos ministros ordenados. Sabendo a intenção do Papa, o Rei William quis dominar a Inglaterra civil e eclesiasticamente considerando-o como o rei e chefe da Igreja da Inglaterra. Ele recusou a interferência do Papa para nomeação de bispos e abades. Também ele recusou a excomunhão dos clérigos e leigos da Igreja e a entrada de Carta papal e a saída dos bispos da Inglaterra sem seu consentimento. E esta liberdade do rei na Inglaterra foi uma das justificações da separação de Roma no Século XVI.

Essa Igreja nacional inglesa resistiu à aceitação da autoridade papal e, na metade do século XI, Guilherme, “o Conquistador”, recusou-se a jurar fidelidade ao papa da mesma forma que os reis anteriores da Inglaterra haviam feito.< xml="true" ns="urn:schemas-microsoft-com:office:office" prefix="o" namespace="">

Quando Anselmo (1034-1109) foi nomeado como o Arcebispo de Cantuária pelo Rei Rufus (filho de Rei William), tentou a estabelecer a supremacia papal na Inglaterra. Mas ele enfrentou grande resistência de Rei e dos bispos ingleses que apoiaram o Rei Rufus. E Anselmo foi obrigado a se exilar a Roma por duas vezes. Os primeiros sinais da reforma inglesa que vão eclodir na separação provocada por Henrique VIII, em 1534, começaram, na verdade, com Anselmo que aceitou o convite para ser Arcebispo de Cantuária sob duas condições: que as propriedades da igreja fossem devolvidas pelo rei e que o arcebispo fosse reconhecido como conselheiro do rei em matéria religiosa. A luta que começou entre a coroa e a igreja confirmou, mais tarde, que a Inglaterra fez sua reforma religiosa debruçada sobre si mesma.

Também houve grande conflito entre Rei Henrique II e Arcebispo Thomas Becket que causou a morte trágica dele. Inicialmente, Becket recebeu a grande confiança do Rei Henrique II e defendeu o reinado, de influencia da igreja. Mas quando ele foi nomeado como Arcebispo de Cantuária em 1162, ele mudou radicalmente e começou a insistir na supremacia do papado e a independência da igreja, do reinado. Em 1164, O Rei Henrique II oficializou o acordo entre o reinado e a igreja, formulado pelo Henrique I, como a Constituição de Clarendon. Dentro desta Constituição, foram proibidos: apelo ao Papa e saída dos ministros ordenados ao exterior sem o consentimento do rei. Os ministros ordenados condenados no Corte Eclesiástico, devem julgados no Corte civil. Becket foi, naturalmente, contra esta Constituição e começou a luta entre Rei e Becket (esta constituição permaneceu até 1827).

É evidente que o abade e o bispo na Idade Media tinha as funções bem diferentes de hoje. Eles foram não somente os líderes espirituais e também foram os diplomatas, altos funcionários públicos, lideres militares ou juizes. Eles tinham os poderes de cobrar os impostos e julgar as pessoas e mover ações militares nos seus territórios (43º Arcebispo de Cantuaria Hubert Walter (1193-1205) participou na Terceira Cruzada e foi grande líder militar). Os episcopados foram dados como recompensa de sua fidelidade ao rei.

Com o decorrer dos séculos, a Igreja da Inglaterra foi evoluindo numa ambigüidade motivada por fatores geográficos e políticos, de um lado mesmo ligado a Roma conservava características de independência e isolamento, devido à sua posição geográfica (distante de Roma) e por seus reis quererem influência romana diminuída. De outro lado os seus líderes, Arcebispos de Cantuária e, principalmente, as ordens monásticas ali estabelecidas que lutavam para tirar a vida religiosa inglesa desse isolamento.

O século XII foi o século dos monges. Em toda Europa, as ordens monásticas foram o centro do saber. Propriedades e fazendas de monges lideraram o desenvolvimento de um novo modelo agrícola. Na verdade, a Igreja dominava a vida medieval, muito pelo temor e pelo uso abusivo de poder.

O poder papal, na Inglaterra, atingiu a sua culminância com Inocêncio III. A própria coroa de João Sem Terra estava sob o poder do papa. A taxação papal sobre as riquezas das Igrejas inglesas aumentou muito, nos séculos XIII e XIV. Os papas indicavam os ocupantes, muitas vezes estrangeiros, das sedes eclesiásticas inglesas sem o agrado dos ingleses.

Apesar disso a Igreja como instituição, mais e mais se vinculava à vida do povo. Além dos ofícios religiosos, ela controlava toda a educação e assistência social. Ela providenciava, através de peças e procissões, a recreação do povo. E, ainda, dava apoio aos mercados.

John Wycliff Precursor da Reforma Protestante (1330 - 1384)

Ao final da Idade Média os leigos começaram a ter uma maior atuação nos ofícios religiosos em suas paróquias. Fato que favoreceu a tomada de consciência do povo sobre os abusos de poder da Igreja e desejosos de uma reforma.

O espírito independente do cristianismo inglês ganhou forças novamente com John Wycliffe (1330-1384), considerado “a estrela-d’alva da Reforma” e precursor da Reforma Protestante. Wycliffe desafiou a autoridade papal, tornando-se o campeão da independência inglesa, destacando unicamente as Sagradas Escrituras como autoridade definitiva na vida cristã. Ele defendeu o direito dos cristãos lerem a Bíblia em sua língua materna para entenderem-na por si mesmos.Wycliffe designou também pregadores para anunciar as boas-novas por toda a Inglaterra. Esses pregadores, apelidados de “lolardos”, cumpriram sua tarefa por mais de 150 anos, muitas vezes, perdendo a vida nessa obra. John Wycliffe deu grande influência a Igreja na Inglaterra criticando: a autoridade papal, grande bens eclesiástico, peregrinação, imagens, reverencias aos restos mortais dos Santos etc. Nesta época, os bispos e abades eram grande fazendeiros e viviam como nobres e receberam grandes críticas das pessoas humildes da época. E os comerciantes tinham grande interesse no comércio exclusivo dos mosteiros e conventos.

De Martinho Lutero e a Reforma Protestante a Rainha Maria I, a sanguinária

Em 31 de outubro de 1517, um monge alemão, Martinho Lutero, ao fixar suas 95 teses de críticas aos abusos da Igreja dava início à Reforma Protestante. As idéias luteranas chegavam à Inglaterra pelas mãos de mercadores, que faziam comércio entre Inglaterra, Holanda e Alemanha apesar da vigilância das autoridades eclesiásticas.

Após a morte trágica de Becket, a supremacia de papado foi estabelecida na Inglaterra. Há cerca de 400 anos até a época de Reforma Religiosa, ninguém duvidava a supremacia do Papa diante do Rei na Inglaterra. Portanto a Reforma Religiosa na Inglaterra pode ser interpretada como a recuperação da supremacia do rei diante do papado, separando não somente religiosamente, mas também, política, jurídica, e economicamente de Roma. A grande diferença da Reforma Religiosa Inglesa comparando com a Reforma religiosa no continente Europeu foi a participação do congresso. Todas as reformas religiosas por Henrique VII, Eduardo VI e Maria I e Elizabeth I foram executados legalmente com a aprovação do congresso. Portanto, a características da reforma religiosa inglesa foi uma ação do país.

Quando a mensagem de Martinho Lutero alcançou o litoral inglês, em 1521, encontrou aliados entre os “lolardos”, conhecidos, então com “Irmandade Cristã”. O rei Henrique VIII, começou a executar os seguidores de Lutero, como fizera com os “lolardos”. Se o rei não tivesse motivos pessoais para romper com o papa, possivelmente, o movimento teria sido esmagado.

A Inglaterra nos primeiros tempos do reinado de Henrique se caracterizava por uma inquietação religiosa, ansiosa por saber qual rumo a Igreja tomaria.

Na realidade a Reforma na Inglaterra tomou uma postura muito mais política e institucional, desencadeada por uma disputa de poder entre o papa e o rei, entre a nação inglesa e um poder estrangeiro.

A ocasião imediata do repúdio papal na Inglaterra foi à demora da resposta de um pedido do rei Henrique VIII ao Papa Clement VII. Henrique pedira a anulação de seu casamento com Catarina de Aragão, que não havia lhe dado nenhum herdeiro homem, já estava velha demais para ter outros filhos e perdido muitos bebês em suas tentativas. A única herdeira de Henrique era Maria, que assustava os ingleses temerosos por uma sucessão ao trono de uma mulher. Isso tudo não justifica grande atração que Henrique sentia por Ana Bolena e sua ambição por um herdeiro homem.

O estabelecimento da supremacia do rei na Inglaterra foi realizado pela anulação do casamento de Henrique VIII. Quando o papa se recusou a anular o casamento do rei, ele recorreu aos antigos inimigos, os eruditos reformados. Eles o proveram com argumentos que foram usados como justificativa para a rejeição da autoridade papal na Inglaterra.

O que Henrique VIII pediu ao Clement VII foi uma declaração do papa, confirmando que o casamento entre Henrique VIII e a viúva do seu irmão Artur não existia desde o começo, conforme a proibição de Levítico 18:16. Em 1527, Henrique oficializou seu pedido ao Clement VII. E no mesmo ano, 6 de maio, o exército espanhol invadiu na cidade de Roma e ocupou a cidade. E conseqüentemente, o Papa Clement VII ficou sob o olhar vigilância do Rei espanhol Carlos V, e ele não tinha a condição de prejudicar a tia Catarina do Rei Carlos V. Clement VII concordou a enviar seu embaixador especial a Inglaterra para examinar o caso. Mas o corte promovido pelo embaixador papal encerrou sua atividade sem dar nenhuma decisão em 22/07/1529. Neste momento, Henrique VIII desistiu a solucionar seu problema pela autoridade papal e começou a procura a solução no Congresso através a legalização do caso. Em 1529, o congresso começou a discutir as reformas. Mas no inicio de 3 anos, não houve o progresso. Mas quando Thomas Cromwell começou a ter sua liderança no Congresso, o congresso legalizou muitas leis contra o domínio romano na Inglaterra. Em 1532, o Congresso tirou o poder legislativo do Sínodo da Igreja e declarou que o rei e chefe da Igreja inglesa. Em 1533, o Congresso proibiu o direito de apelo ao Corte papal de Roma. E no mesmo ano, Thomas Cranmer tornou-se o Arcebispo de Cantuária e anulou o casamento entre Henrique VIII e Catarina e validou o casamento entre Henrique e Ana. Em 1534, o Congresso decretou a Lei de Supremacia do Rei e declarou que a Inglaterra e um país independente e não recebe nenhuma influência da autoridade externa e o Rei da Inglaterra é o chefe do Estado e ao mesmo tempo, o chefe supremo da Igreja da Inglaterra na terra - Supreme Head on earth of the Church of England. Henrique convoca o parlamento que transforma a Igreja na Inglaterra em Igreja da Inglaterra. Henrique conseguiu seu objetivo quando os bispos ingleses declararam a anulação de seu casamento com Catarina. E ainda afirmou a majestade como única suprema cabeça, da Igreja e da Inglaterra. Agora nem o pontífice, nem qualquer outro bispo estrangeiro tinha mais autoridade na Inglaterra, e a ortodoxia da Igreja foi proclamada quando o parlamento assegurou ao mundo que, por nenhum de seus estatutos modificaria princípios da primitiva fé católica da Cristandade. Com isso, todo poder administrativo, jurídico e fisco na Inglaterra passou na mão do rei. Mas Henrique não quis sa envolver nos assunto da igreja como sermão, o sacramento, excomunhão etc. Todavia, continuou sendo um homem muito perigoso, executando muitos protestantes, inclusive William Tyndale, em 1536.

O grande reformador inglês, Thomas Cranmer, teve as conspirações traiçoeiras contra sua vida imortalizadas na peça Henrique VIII, de William Shakespeare. Apenas três anos após a execução de Tyndale, pela audácia de traduzir a Bíblia para a língua inglesa, Thomas Cranmer assumiu o papel de mártir na tentativa de convencer o rei Henrique de permitir o uso da Bíblia em inglês na Igreja. Henrique VIII surpreendeu o mundo quando consentiu em 1537 e autorizou a tradução da Bíblia em inglês atendendo os pedidos de Thomas Cromwell e Thomas Cranmer

Cranmer continuou tentando influenciar o rei para aproximar a Igreja da Inglaterra da Reforma Protestante. Na época da Reforma a Igreja da Inglaterra veio a ser influenciada pelos pensamentos dos reformadores, sendo que o grande reformador da Inglaterra foi o Arcebispo Thomas Cranmer. Assim sendo a Igreja da Inglaterra separou-se de Roma, voltando a ser uma igreja autônoma, mas conservando a mesma doutrina e tradição.

Durante o reinado de Henrique foram publicadas declarações da doutrina para a Igreja. Em 1536 surgiram os 10 artigos, redigidos por Henrique, com a ajuda do Arcebispo Thomas Cranmer, que mencionava três sacramentos (batismo, penitência e eucaristia).

Henrique VIII não fundou uma nova igreja, mas simplesmente separou a igreja que já existia na Inglaterra da tutela e controle romanos por razões políticas, econômicas, religiosas e até pessoais. Durante quase mil anos a Igreja da Inglaterra esteve sob o domínio direto de Roma. Henrique VIII rompeu essa antiga filiação eclesiástica com o apoio do Parlamento. Separada e independente, a Igreja da Inglaterra continuou sua milenar caminhada na história, alternando períodos de influência ora romanístas, ora protestantes.

Com a morte de Henrique VIII, em 28/01/1547, a Reforma Inglesa entrou em nova fase: seis anos de experiência protestante no reinado de Eduardo VI, aos moldes calvinista ou luterano, um menino débil e doente, fruto do terceiro casamento de Henrique, desta vez com Ana Seymour que morrera de parto ao dar à luz ao tão esperado herdeiro varão, seguidos por seis anos de reação católica com Maria I. Com Ana Bolena o rei teve outra filha, Elizabeth I. Depois da morte de Ana Seymour o rei casou-se mais três vezes, mas não teve nenhum herdeiro varão.

Eduardo VI era um menino de nove anos quando seu pai morreu e foi, durante seu reinado, apoiado por regentes enquanto aguardava sua maioridade que não se consumou, Eduardo VI morreu aos 16 anos, o Arcebispo Thomas Cranmer começou, livremente, a reforma na Igreja. O Congresso aprovou a Lei da Uniformidade do Culto, que requeria que o clero utilizasse uma liturgia única, sendo assim foi publicado o primeiro Livro de Oração Comum, em 21/01/1549. O objetivo do primeiro Livro de Oração Comum foi estabelecer a uniformidade do culto no país e excluir os elementos não- bíblicos do culto, apesar de não negar a tradição católica (universal). Durante seu reinado o casamento do clero foi legalizado e ordenou o estabelecimento dos ofícios das igrejas na língua do povo.

Em abril de 1552, o Congresso aprovou a Segunda Lei da Uniformidade do Culto e determinou o uso de um novo Livro de Oração Comum a partir do Dia de Todos os Santos. Comparando primeiro Livro de Oração Comum, este foi mais protestante, iluminando os usos das expressões como Missa, Altar, Sacrifício e enfatizou a Igreja inglesa como Igreja Nacional. Também, proibiu os costumes, gestos, paramentos e ornamentação no altar ligados a Igreja Romana.

Em 1552, o Congresso decretou os Quarenta e dois Artigos de Religião sob a orientação de Arcebispo Cranmer. Ele quis excluir as crenças medievais (não bíblica) e ao mesmo tempo, quis preservar a Igreja inglesa na crença católica (universal).

Em julho de 1553, Rainha Maria Tudor (Maria I) sucedeu o reinado pela morte de Rei Eduardo VI. E ela revogou a Lei de Supremacia do Rei, e a Lei da Uniformidade do Culto e determinou a volta da Igreja inglesa para a Igreja Romana. Para isso, ela, primeiramente, queimou os lideres religiosos como o Arcebispo Cranmer e outros, acusando-os como os hereges.

A súbita morte de Eduardo VI em 1553 revelou quão pouco o protestantismo tinha penetrado no país. Maria Tudor sucedeu ao trono, sob entusiasmo do povo. Maria submeteu à nação ao poder papal. Contra os sábios avisos de seus conselheiros, cerca de 300 ingleses foram queimados como protestantes heréticos. Entre eles estavam bispos, incluindo o Arcebispo de Cantuária, THOMAS CRANMER.

Outras vítimas de Maria Tudor foram: 

HUGH LATIMER, que nasceu em Themaston, Leicestershire. “Papista” convertido ao protestantismo aos 30 anos, tornou-se um dos doze pregadores licenciados (licenced preachers) de Cambridge. Acusado de heresia, foi obrigado a assinar sem crer os artigos de fé. Resignou à Diocese em 1539. Foi prisioneiro até a morte de Henrique VIII (1547). Readquiriu o favor sob o reinado de Edward VI, mas foi novamente preso e processado por ordem da Rainha Maria. Condenado por heresia foi queimado vivo no dia 16 de outubro de 1555. Naquele triste momento Latimer disse para seu companheiro: “Fique bem confortado, Mestre Ridley, e seja corajoso. Nós vamos neste dia acender tal vela pela graça de Deus na Inglaterra que eu creio nunca será apagada”. Considerado mártir da Reforma da Inglaterra. Seus sermões foram publicados em 1635.

NICHOLAS RIDLEY, que nasceu em Northumberland, foi Capelão de Thomas Cranmer, Arcebispo de Cantuária, colaborou com este na redação dos Quarenta e dois Artigos de Religião, que depois foram reformulados ficando conhecidos como os Trinta e nove Artigos de Religião, que se tornaram o fundamento da Igreja Anglicana e do anglicanismo mundial, bem como no preparo do livro inglês de Oração Comum. Foi anda capelão de Henrique VII e Cônego de Worchester, tornou-se Bispo de Rochester,1547, e de Londres,1550. Acusado de introduzir o protestantismo na Universidade de Cambridge, 1547. Propagou os princípios da reforma. Foi preso após a ascensão de Maria Tudor (a saguinária) ao trono,1533 Dois anos mais tarde, foi declarado herege e queimado vivo com Hugh Latimer.

JOHN HOOPER, que nasceu Somerset, em fins do século XV. Abraçou os princípios da Reforma e, para escapar à perseguição, refugiou-se no continente europeu,1539. Regressou a Londres 1549, sendo nomeado no ano seguinte Bispo de Worcester e Gloucester. Após a ascensão de Maria Tudor, 1553, tornou-se uma das principais vítimas protestantes ao ser queimado vivo num pelourinho próximo à sua própria catedral. Morreu no dia 9 de fevereiro de 1555, como um dos grandes baluartes da fé reformada inglesa em Gloucester, Inglaterra.

Devido a isso a Rainha Maria Tudor I ficou conhecida como Maria, a Sanguinária (bloody mary). É claro que o povo não gostou da volta do catolicismo, mas o que causou grande revolta foi seu casamento com seu primo Felipe II, pois a Espanha era uma grande nação e isto amedrontava os nacionalistas.

Maria I morreu sem deixar herdeiros e sua meia irmã, Elizabeth I, a substituiu no trono em 17/11/1558.

Da Rainha Elizabeth I a colonização americana

História da Igreja da Inglaterra após a Rainha Elizabeth I, que rompe definitivamente com a Igreja de Roma e o Anglicanismo recebe a caracterítica da "via média" que o define até os dias atuais.

Elizabeth I reinou de 1558 a 1603. Com ela veio o aumento das riquezas e do comércio, especialmente pela derrota da formidável armada, pelo meio da qual, seu cunhado havia planejado a invasão da Inglaterra.

Em 28 de abril de 1559, o Congresso, novamente, aprovou a Lei de Supremacia do Rei e a Lei da Uniformidade do Culto, proibido a autoridade papal na Inglaterra. Assim, definitivamente, surgiu a Igreja Inglesa estabelecida pela Lei Nacional. Elizabeth I não quis usar a expressão de Chefe supremo da Igreja na terra e usou a expressão Governador supremo da Igreja na Inglaterra. Através de novas leis, Elizabeth I obrigou os ministros ordenados a utilizarem obrigatoriamente os paramentos clericais. E com a aprovação do Congresso, ela publicou o Terceiro Livro de Oração Comum, mais voltado ao Primeiro LOC. Elizabeth I tomou uma atitude moderada em relação aos católicos romanos nos primeiros 10 anos de reinados. Cerca de 200 sacerdotes dentro de 8 mil deixaram a Igreja rejeitando as novas Leis. Sucedendo o ultimo Arcebispo romano de Cantuária, Reginald Pule, Matthew Parker, em 1559, tornou-se o Arcebispo de Cantuária, pelos 4 bispos no Palácio de Lambeth, utilizando o Rito do Livro de Oração Comum de 1552.

Em 1563, foi escrito o grande documento da Reforma Anglicana: Os Trinta e Nove Artigos de Religião, que foram aprovados pelo Sínodo (na época de Rainha Maria I, os 42 Artigos foram revogados), modificando, parcialmente, os Quarenta e dois Artigos de Religião, documento este que demonstra a posição doutrinal da Igreja Anglicana em relação ao Catolicismo Romano e ao Protestantismo Reformado, sendo que evidenciou a “via média” deste ramo do Cristianismo, ficando conhecido como “Solução de Elizabeth”, pois Elizabeth I rejeitou o extremo de protestantismo e catolicismo romano e procurou a terceira opção. Nesse mesmo ano, a rainha Elizabeth I escreveu ao rei Ferdinando, regente católico-romano da Espanha, declarando que a Igreja da Inglaterra era a continuação da antiga Igreja Católica, mas não subserviente ao papa: “Nós, e nossos súditos, Deus seja louvado!, não somos seguidores de quaisquer religiões novas ou estrangeiras, mas a mesma religião que Cristo ordena, com as antigas sanções da Igreja Católica, as quais com a mente e a voz o mais antigos pais unanimemente aprovaram”.

Em 1570, o Congresso aprovou os Trinta e Nove Artigos de Religião como o princípio que todos os ministros ordenados, universitários e os funcionários públicos devem aceitá-loa. Os 39 Artigos esclareceram a posição doutrinal da Igreja Anglicana diante da Igreja Romana e da Igreja Protestante.

Em 1570, Papa Pio V publicou Bula Regnans in excelsis e excomungou Elizabeth I e aqui houve a separação definitiva da Igreja Romana.

Elizabeth I tirou o Artigo 29 mas o Sínodo, em 1571, aprovou a reinclusão do Artigo 29 e os romanistas, definitivamente, saíram da Igreja Anglicana. Desde 1865, os clérigos somente foram requisitados para confirmar de que Livro de Oração Comum contém todas as doutrinas da Igreja Anglicana e não pode ensinar contrariando os 39 Artigos.

O século XVI viu o processo de colonização das Américas. As grandes potências européias começam a tomar conta do Novo Mundo. As instituições religiosas de todo o mundo europeu se voltam à cristianização do Novo Mundo. Esse processo de cristianização, hoje foi considerado inadequado e agressivo.

Do início da Igreja Anglicana nos Estados Unidos da América ao Movimento Anglicano Continuante e ao Movimento de Convergência

A rainha Elizabeth, conhecida como “a rainha virgem”, possuía uma colônia no Novo Mundo que recebeu o nome de “Virgínia” em sua honra. A Igreja Anglicana foi para os EUA no período de colonização onde passou a ser chamada Igreja colonial. O ministro anglicano, Robert Hunt, fundou a primeira igreja protestante das colônias americanas em Jamestown, no ano de 1607. Nesse meio tempo, ocorreu o atendimento episcopal da Igreja da Inglaterra à Igreja colonial, pois a Igreja Anglicana é uma Igreja Episcopal, isto é, que tem bispos.

Dois terços dos signatários da Declaração da Independência dos Estados Unidos eram anglicanos, bem como o seu primeiro presidente George Washington. O relacionamento estreito que a Igreja Anglicana tinha com a monarquia inglesa deteriorou-se, obviamente, durante a Guerra da Independência dos Estados Unidos.
Não tendo a metrópole enviado nenhum bispo à colônia não havia atendimento pastoral e espiritual adequado, ficando os colonos desamparados. Quando as 14 colônias conseguiram sua independência, em 1776, não era mais possível manter aquela situação. Finalmente foi eleito um bispo, Samuel Seabury, que deveria ser sagrado na Inglaterra, já que não havia bispos anglicanos na América. Os bispos ingleses juravam fidelidade à coroa e não poderiam ir contra ela. Assim o futuro bispo dirige-se para Escócia, onde também havia uma Igreja Anglicana, só que de nome Igreja Episcopal Anglicana da Escócia, que era independente da tutela inglesa. No ano de 1784 Samuel Seabury foi sagrado bispo, o primeiro do continente americano. O Anglicanismo, na nova nação, foi reorganizado e recebeu o nome de Igreja Episcopal Protestante, sob a liderança dos bispos William White, Samuel Seabury e Samuel Provoost.

Na Igreja Episcopal Protestante surgiu o Movimento Anglicano Continuante, em 1977, em resposta as ordenações femininas ocorridas nas Igrejas dos Estados Unidos e no Canadá, para conservar a Igreja Anglicana da forma que sempre foi, não aceitando as novas mudanças provenientes do Liberalismo Teológico. Sendo que a Província da América Latina da Comunhão Anglicana Independente, jurisdição a que pertencemos no início de nossa caminhada, (conhecida como Igreja Anglicana Latina) é parte deste movimento, que acabou se separando da Comunhão Anglicana (Canterbury). A solene Afirmação de Sant Louis, emitida pela Sociedade dos Clérigos Zelosos, em 17 de setembro de 1977, define a posição teológica do Movimento Continuante Anglicano das Américas. A Igreja Anglicana do Brasil passou a fazer parte da Comunhão Anglicana Independente Worldwide em 27 de abril de 2005, pois a Igreja Anglicana Latina, através de seu Arcebispo Primaz, Dom Leonardo Marin-Saavedra, passou a formar a Província da América Latina desta comunhão.

Na data de 07 de setembro de 2005, o Arcebispo Leonardo Marin-Saavedra se retirou da Comunhão Anglicana Independente Worldwide, todavia a Igreja Anglicana do Brasil resolveu permanecer fiel a Comunhão Anglicana Independente Worldwide e deixou de ser parte da Igreja Anglicana Latina, que por sua vez deixou de ser parte desta comunhão, voltando ao seu “status” de ramo do anglicanismo independente de forma totalmente autocéfalica.

Na data de 12 de setembro de 2005 a Igreja Anglicana do Brasil passou a ter “status” de Arquidiocese, passado a denominar-se Arquidiocese Thomas Cranmer e o seu Bispo Principal Eleito passou a ser o seu Arcebispo Eleito.

Dom Barry Frank Peachey, Chanceler Metropolitano da Anglican Independent Communion – Worldwide, veio da Inglaterra ao Brasil para fazer uma visita pastoral e sagrar os primeiros Bispos da Igreja Anglicana do Brasil, entre os dias 11 e 18 de janeiro de 2006.

Os Bispos sagrados em 15 de janeiro de 2006 foram o Revmo Dom Ricardo Lorite de Lima, que foi devidamente instalado como Arcebispo Primaz do Brasil, Dom Rui Costa Barbosa empossado como Bispo Coadjutor e o Revmo Dom Josué Souza Torres foi designado como Bispo Sufragâneo de Taboão da Serra.

O Anglicanismo no Brasil

Breve relato do Anglicanismo em terras brasileiras
O primeiro grupo de cristãos protestantes a ter permissão de ter templo no Império Brasileiro foram os anglicanos, em 1810, quando em um acordo de comércio entre Portugal e a Inglaterra. Neste acordo estava previsto a liberdade de os anglicanos construírem suas capelas em território brasileiro.
O primeiro templo cristão construído por protestantes no Brasil , que também foi o primeiro na América do Sul, foi da Igreja Anglicana. Foi construído na cidade do Rio de Janeiro. A princípio os anglicanos residentes no Brasil se reuniam em casas ou em navios ingleses para realizarem seus cultos, antes da liberdade de se poder construir capelas. Porém as capelas não poderiam ter aspecto de templo, deveriam parecer uma casa comum. Por isso era proibido construir torres e ter sinos nas primeiras igrejas anglicanas. Essas primeiras capelas ficaram subordinadas a Igreja da Inglaterra e eram somente para atender ingleses. Foram construídas capelas em São Paulo, Santos, Rio de Janeiro, Belém e Recife.
Aproximadamente nos anos 1860 houve a tentativa de se implantar a igreja anglicana voltada para o povo brasileiro, para isso o Missionário norte americano Rev. Richard Holden tentou abrir a primeira missão em Belém - PA, depois em Salvador - BA, mas essas tentativas foram frustradas.
Em 1890 missionários norte americanos, egressos do Seminário de Virgínia, chegaram no Rio Grande do Sul, onde estabeleceram as primeiras comunidades brasileiras. Em 1º de junho de 1890, James Watson Morrir e Lucien Lee Kinsolving realizam, na cidade de Porto Alegre, o primeiro ofício religioso do que se chamou na época Igreja Protestante Episcopal no Sul do Estados Unidos do Brasil, que foi o primeiro nome da Igreja Anglicana em terras brasileiras. Depois passou a se chamar Igreja Episcopal Brasileira, Igreja Episcopal do Brasil e ultimamente Igreja Episcopal Anglicana do Brasil.

Portanto a Igreja Episcopal Anglicana do Brasil é fruto da união de três grupos anglicanos que estabeleceram-se no Brasil. Os primeiros anglicanos aqui chegaram foram cidadãos britânicos no período Joanino e Império, eles formaram diversas capelas. A segunda leva de imigrantes anglicanos foi a migração de japoneses de fé anglicana para São Paulo, conseqüentemente a maioria dos anglicanos no estado são japoneses descendentes ou natos. Missionários norte-americanos vieram da Virgínia, nos Estados Unidos em 1890, no Rio Grande do Sul. A Missão Americana emancipou suas igrejas em 1907 e estas se fundiram com as capelas inglesas em 1955, formando a Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, autônoma e afilada à Comunhão Anglicana.


A partir da década de 90, a Igreja Episcopal Anglicana do Brasil começou a ter problemas internos, assim como aconteceu nos Estados Unidos, Inglaterra, etc, foi quando as Igrejas Anglicanas Independentes, mais conhecidas como Igrejas Angicanas Continuantes,  começaram a chegar no Brasil, para atender anglicanos que não tinham mais condições de permanecer na Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB) - 19ª Província da Comunhão Anglicana (única jurisdição no Brasil canonicamente ligada a Comunhão Anglicana, Cantuária), por diversas razões, desde comportamentais, doutrinárias até administrativas, que é o caso da Igreja Anglicana do Brasil.  As divisões no Anglicanismo aconteceram assim como em todas as outras denominações cristãs.

Nós da Igreja Anglicana do Brasil somos fruto desta história, somos uma Igreja Anglicana Livre.

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Vigilância e Prudência



Publicado em: 8/10/2015
Por: Silvio Dutra
Igreja Orgânica de Jesus na Abolição - Rio de Janeiro - RJ
25dutra@gmail.com
 

O propósito da vigilância é o de guardar, o de manter-se acordado e de pé ante tudo o que possa nos furtar ou arrancar da posição firme em que nos encontramos.
É exigido portanto daquele que vigia que esteja em atitude de alerta permanente, para que possa detectar os perigos que o rodeiam, e que não raro se encontram em seu próprio interior.
Outra atitude importante para o que vigia é a de prudência.
Sem prudência é impossível haver uma vigilância que seja eficaz.
A prudência nos leva a nos desviarmos do mal – a evitar o confronto direto em provocações incitadas pelo Inimigo para que percamos a nossa paz.
A vigilância requer também que sejamos sóbrios, porque como poderíamos vigiar eficazmente estando embriagados e com nossa capacidade de observação prejudicada por estados de consciência alterados?
Precisamos também ser disciplinados e criteriosos, para que sejamos determinados e constantes em nosso procedimento para preservar o bom depósito da fé que nos foi confiado por Deus para ser guardado.
E ainda necessitamos de sabedoria para discernir entre o que é bom e o que é mau; entre o que é correto e incorreto; entre o vil e o precioso, de forma a tomarmos as decisões adequadas a cada situação que somos chamados a viver.
Por se encontrar numa guerra constante, de muitas batalhas e sem tréguas contra os poderes das trevas, o crente, como bom soldado de Cristo, deve estar sempre vigilante em seu posto, de maneira a não livrar somente a sua alma como também a de muitos que se encontrarem na mesma esfera da sua atuação.
Esta é uma vigilância para usar com autoridade e poder todas as armas espirituais e componentes da armadura espiritual, quer de ataque (espada da Palavra de Deus, etc) ou de defesa (escudo da fé etc), sempre que for necessário.
Esta é uma luta para ser vencida de joelhos e em oração constante no Espírito Santo.
Se Pedro tivesse vigiado e orado conforme lhe ordenara o Senhor, ao preveni-lo de que Satanás havia pedido para cirandá-lo, em vez dormir como fizera na ocasião, certamente teria vencido a tentação de negar a Jesus.
E assim também nós necessitamos de vigilância e oração para não negarmos a Jesus não somente em nossas atitudes como em nossas ações, em relação aos mandamentos que Ele nos tem dado em Sua Palavra.
Necessitamos de vigilância para perseverar até o fim, e por isso somos alertados pelo Senhor a termos todo o cuidado e empenho e vigilância especialmente para que sejamos achados dignos de sermos arrebatados por Ele em sua volta.
Um grande peso de responsabilidade recairá sobre todos os crentes que ainda estiverem vivendo neste mundo por ocasião da proximidade do dia do arrebatamento da Igreja, porque são diversos os alertas da Palavra de Deus quanto à necessidade de santificação para que sejamos arrebatados.
Aqueles crentes genuínos, que por descuido em sua vigilância, deixarem de perseverar, ainda que não percam a sua salvação, todavia perderão galardões e a oportunidade de serem arrebatados, em razão da sua infidelidade para com o Senhor, e se cumprirá neles o que sucedeu às cinco virgens insensatas da parábola que não vigiaram para recepcionar o noivo em seu retorno.
Você pode ler os versículos bíblicos contendo destacadas as palavras
1 – gregoreuo (grego) – vigiar;
2 – nephaleos (grego) – vigilante, sóbrio, prudente;
3 – phronymos (grego) – prudente, cauteloso, sábio;
4 – arum (hebraico) – prudente;  

Relativas ao assunto, acessando o seguinte link: 
 


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A Igreja tem testemunhado a redenção de Cristo juntamente com o Espírito Santo nestes 2.000 anos de Cristianismo.

Veja várias mensagens sobre este testemunho nos seguintes links:
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A Bíblia também revela as condições do tempo do fim quando Cristo inaugurará o Seu reino eterno de justiça ao retornar à Terra. Com isto se dará cumprimento ao propósito final relativo à nossa redenção.

Veja a apresentação destas condições no seguinte link:
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Prosperidade e Progresso


  


Ao se falar de prosperidade dos crentes, deve-se antes de tudo se falar do progresso (prosperidade) do próprio Evangelho, porque a prosperidade individual de cada crente deve estar vinculada a isto, pois é assim que somos ensinados na Bíblia.

O grande interesse do crente deve estar focado no aumento do Reino de Deus, e é a isto que deve estar associado o seu interesse de crescimento pessoal.

Até porque qualquer tipo de prosperidade pessoal terrena ficará por aqui mesmo e não poderá ser levada com o crente depois da sua morte. Fazer da vida um investimento prioritário nas coisas que são visíveis e passageiras não é de fato uma opção sábia para um filho de Deus.

Jesus nos alerta sobre o perigo e o dano disto com a parábola que contou do rico que ajuntou em celeiros e era pobre para com Deus, e que repentinamente perdeu a sua alma, deixando tudo para trás.

Deveríamos então ser cautelosos com uma dita proclamação do evangelho que esteja centralizada tão somente em obtenção de prosperidade material, a bem do estado eterno de nossas almas.

Somos ordenados na Bíblia a crescer na graça e no conhecimento de Jesus (II Pedro 3.8) e nunca nas coisas que são terrenas e passageiras.

Somos ordenados a juntar tesouros no céu e não na terra.

Somos ordenados a não servir a Mamom e a não amar o dinheiro, porque este amor ao dinheiro é a raiz de todos os males.

Oséias 10.1: “Israel é vide frondosa que dá o seu fruto; conforme a abundância do seu fruto, assim multiplicou os altares; conforme a prosperidade da terra, assim fizeram belas colunas.”

Deus protesta contra Israel neste versículo do profeta Oséias quanto a que tinham usado toda a prosperidade material que haviam recebido para construírem belas colunas e altares aos falsos deuses. Há que considerar este aspecto de que se é tão comum fazer-se um mau uso de toda a prosperidade mundana que possamos alcançar.

O fruto que Israel dava como vide frondosa era riqueza material, pois foi somente isto o que buscaram, e como a abundância deste fruto era muito grande, multiplicaram a idolatria deles servindo àquilo que dominava seus afetos e corações.

Servir a Deus com os nossos bens e a nossa fazenda é um imperativo bíblico. Mas quantos estão efetivamente dispostos a isto, mais do que acumular para si mesmo?

Lembro-me ao escrever estas linhas de que há muitos anos atrás Deus me pediu que ofertasse o meu carro a um missionário que trabalhava em várias frentes de trabalho e que não tinha facilidade de se deslocar com sua esposa e filhos que serviam juntamente com ele, integralmente, na obra do Senhor.

Recordo como se fosse ainda hoje que o Senhor me disse que ofertar um carro era muito fácil, pois o que lhe interessava de fato era que eu lhe ofertasse a minha vida, que depositasse tudo o que tinha e sou em Suas mãos. Com lágrimas nos olhos pedi-lhe que aumentasse a minha fé para que o fizesse como convinha fazer.

Não importa para mim o quanto Deus possa me dar das coisas deste mundo, mas quanto eu posso lhe dar de volta cada vez mais do tempo e de todos os dons, até mesmo os espirituais, que ele me tem concedido. Convém que Jesus e a Sua obra cresçam e que eu diminua.

Somos informados que o crescimento (prosperidade) de Jesus foi o de ficar fortalecido em espírito diante de Deus e dos homens, e não que ele acumulou riquezas mundanas ou que andou buscando fama e aplauso dos homens para si.

Somos chamados a imitá-lo sobretudo nisto, a saber, a crescer em santidade pelo fortalecimento na graça.

Somos convocados a tudo fazer e buscar para a exclusiva glória de Deus.

Selecionamos várias passagens bíblicas em que podemos constatar claramente a qual tipo de prosperidade somos incentivados a buscar.

Você pode ler os versículos bíblicos contendo destacadas as palavras:

1 – eudoo (grego) – prosperar, progredir, ir bem;

2 – procope (grego) – progresso, avanço, proveito;

3 – procopto (grego) – avançar, progredir, crescer;

4 – auxano (grego) – crescer, aumentar;

5 – yatab (hebraico) – ir bem, prosperar;

Relativas ao assunto, acessando o seguinte link:

http://www.poesias.omelhordaweb.com.br/index.php?cdPoesia=128453


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Silvio Dutra
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Rio de Janeiro-RJ

Publicado em: 10/10/2015

Quebrantamento e Contrição



  


Deveríamos dar uma atenção especial a este assunto uma vez que Deus afirma em Sua Palavra que em relação aos que têm o coração quebrantado e contrito, Ele habita, vivifica, salva, está perto, valoriza, e contempla.

Salmo 34.18 o quebrantado, e salva os contritos de espírito.

Salmo 51.17 O sacrifício aceitável a Deus é o espírito quebrantado; ao coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus.

Isaías 57.15 Porque assim diz o Alto e o Excelso, que habita na eternidade e cujo nome é santo: Num alto e santo lugar habito, e também com o contrito e humilde de espírito, para vivificar o espírito dos humildes, e para vivificar o coração dos contritos.

Isaías 66.2 A minha mão fez todas essas coisas, e assim todas elas vieram a existir, diz o Senhor; mas eis para quem olharei: para o humilde e contrito de espírito, que treme da minha palavra.

O sofrimento não tem o propósito de ser algo em vão nas nossas vidas, do ponto de vista de Deus, pois tem determinado principalmente que através dele sejamos transformados segundo a Sua vontade e Palavra, para que Ele seja glorificado. A paciência na tribulação, no sofrimento que ela produz, é de grande valor para Deus, e também para nós, porque é por meio disto que aprendemos a ser pacientes e perseverantes nas coisas do Senhor, ensinando-nos a amar com o mesmo amor de Deus, que é sofredor, isto é, longânimo em sofrer em razão do pecado que há no mundo.

Uma visão correta da aflição é completamente necessária para um comportamento verdadeiramente cristão sob elas.

Carregar a cruz voluntariamente faz com que ela se torne leve, mas carregá-la com a mente perturbada por inquietações à busca de respostas fora de Deus para aquilo que se esteja experimentando, quando estas provas vêm da Sua parte, somente serve para aumentar o peso da cruz que carregamos.

Ter um espírito contrito e quebrantado na aflição é algo muito apropriado para acalmar as agitações do coração, e nos fazer pacientes debaixo dela.

Como Deus tem afirmado que que é com o coração quebrantado e contrito que Ele trabalha e dá sua especial atenção, então importa sabermos que Ele mesmo há de providenciar os meios para este quebrantamento e contrição, já que naturalmente não somos isto, senão altivos e autoconfiantes além da medida que convém.

Por isso Jesus nos deixou um legado de aflição no mundo, para o propósito mesmo de sermos aperfeiçoados por Deus em santidade.
Cruzes nos são trazidas no curso de nossas vidas para que as carreguemos, com o alvo de nos quebrantarem.

Importa carregarmos pacientemente estas cruzes e ver a mão de Deus nisto, porque, efetivamente, não há nenhuma aflição aqui embaixo que não tenha sido ligada ou permitida no céu.

A Palavra ensina que tanto o dia da prosperidade quanto o da adversidade procedem da parte de Deus, assim este como aquele para que o homem nada descubra do que há de vir depois dele.”, isto é, para que ninguém saiba o que lhe reserva o futuro, e assim vivam dependendo inteiramente de Deus, confiando suas almas ao fiel Criador na prática do bem, enquanto caminham neste mundo.

A adversidade e a nossa vontade não se harmonizam porque nossa alma não acha sossego enquanto debaixo das situações que a afligem.

Então necessitamos do poder da Graça divina para nos sustentar sobretudo nas adversidades para as quais não há em nós qualquer poder ou habilidade para superá-las.

Mas, na renúncia à nossa própria vontade, ficamos abertos à vontade de Deus, e este é o bom serviço que as tribulações podem nos prestar; de maneira que o apóstolo Paulo afirma que importa entrarmos no Reino dos Céus por meio de muitas tribulações, e o apóstolo Tiago que deveríamos tê-las por motivo de grande alegria.

A humildade e a mansidão de espírito nos qualificam para o relacionamento e a comunhão amigável com Deus por meio de Cristo. O orgulho fez de Deus nosso inimigo. Nossa felicidade e futuro aqui dependem do nosso relacionamento amigável no céu.

Assim a humildade é um dever que agrada a Deus, e o orgulho um pecado que agrada ao diabo. Por isso Deus exige de nós que sejamos humildes, especialmente debaixo da aflição. “Cingi-vos todos de humildade...” (I Pe 5.5).

O humilde e manso de coração terá paz e descanso em sua alma e mente, enquanto o orgulhoso terá a aflição reinando em ambas.

O subjugar de nossas paixões é mais valioso do que ter todo o mundo debaixo da nossa vontade.

O trabalho de carregar a cruz deve ser em cada dia, em todos os dia da vida, porque se removermos a cruz, a vontade própria prevalecerá.

Portanto é melhor ter um espírito humilde e quebrantado do que ter a cruz removida.

Se alguém não tomar voluntariamente a sua cruz a cada dia, não poderá fazer a obra de Deus de modo constante e agradável a Ele, porque o ego se levantará e se oporá àquilo que for da Sua vontade.

Quão perigoso é para aqueles que estão envolvidos na seara do Senhor desejarem que a cruz seja removida. Quando aspiram por total falta de problemas, de oposições, de perseguições, de dificuldades, e começam a se encantar de novo com a alegria puramente mundana, eles constatarão que a infidelidade a Deus terá invadido os seus corações, e que já não amam tanto a Sua obra e vontade quanto antes.

Por isso não se pode lançar a mão do arado e olhar para trás. Envolver-se na guerra do Senhor exige que seja considerado o custo relativo à necessidade de consagração e renúncia à própria vontade.

Ninguém será um apóstolo como Paulo enquanto não estiver crucificado para o mundo e o mundo crucificado para ele.

O levar no corpo o morrer de Jesus é o que gera a verdadeira vida eterna. Se o grão de trigo não morrer ele ficará só. Não há frutificação na lavoura de Deus sem este morrer operado pela cruz. É neste sentido que o estar apegado à vida nos leva a perdê-la, e o perdê-la por amor de Cristo, a achá-la.

E muito desta mortificação da carne, desta auto negação está exatamente em se seguir à exortação do apóstolo Pedro em sua primeira epístola, na qual exorta todos à submissão de uns para com os outros e particularmente às linhas de autoridade estabelecidas por Deus: os servos a seus senhores, as esposas aos esposos, os filhos aos pais, os cidadãos às autoridades, as ovelhas aos pastores, os jovens aos anciãos.

E toda esta submissão de coração somente será possível caso se tenha humildade. Estas duas atitudes estão ligadas inseparavelmente por Deus, assim como Ele ligou o arrependimento à fé.

E a seu tempo Deus exaltará o que se humilha. Ele elevará aquele que se humilhou debaixo da sua potente mão, no tempo que Ele tiver determinado. Então o caminho para a elevação é se humilhar. É neste sentido que o maior de todos é o que mais serve.

Afligir o nosso espírito especialmente nas aflições, e não somente nelas, é o nosso dever, mas o elevá-lo é trabalho exclusivo de Deus. E todo aquele que a si mesmo tentar se exaltar será humilhado por Deus. Mas todo o que se humilhar será exaltado(Mt 23.12).

O recusar-se a se humilhar é portanto recusar o único caminho para a verdadeira exaltação.

E é interessante observar que a exaltação é geralmente proporcional ao nível da humilhação. Ninguém se humilhou ou poderá se humilhar mais do que Cristo porque Ele se rebaixou, se esvaziou se humilhou sendo Deus, e sendo homem perfeito, sem pecado, e portanto ninguém poderá ser mais exaltado do que Ele, e por isso recebeu um nome que é sobre todo nome.

E este feliz evento da exaltação acontecerá no tempo próprio. No tempo próprio nós colheremos se não desfalecermos. Mas há aquela raiz de orgulho que está no coração de todos os homens que vivem na terra, que deve ser mortificada antes que eles possam ser considerados aptos para o céu, e por isso Deus os levará a circunstâncias humilhantes com vistas a atingir o referido fim. Foi por isso que Deus conduziu o povo de Israel naqueles quarenta anos no deserto, para os humilhar, provar e saber o que estava no coração deles.

E o coração é naturalmente hábil para se revoltar contra estas circunstâncias humilhantes, e por conseguinte a mão poderosa do Senhor as traz e as mantém lá. O homem redobra suas forças naturais para fugir da dificuldade levantando a sua cabeça, e murmura por causa das suas aflições, e poucos dizem que confiam que o seu Criador por fim os abençoará.

Há muitas imperfeições naturais e morais em nós. Nossos corpos e nossas almas, em todas as suas faculdades, estão em um estado de imperfeição. O orgulho de toda a glória está manchado; e é uma vergonha para nós não nos humilharmos em tudo o que se refere a nós, e tentarmos nos apresentar a Deus como pessoas que não têm do que ser perdoadas e lavadas. É certo que no caso dos crentes o Espírito fez uma grande obra de regeneração e iniciou o processo de santificação, mas enquanto permanecem no mundo há muitas corrupções que remanescem na carne, e das quais devem se humilhar, se arrepender, e abandonar (II Crôn 7.14).

E uma das maiores provas da nossa humilhação é exatamente a de se submeter, de se render à vontade de Deus debaixo das nossas aflições, porque é exatamente nestas horas que o velho homem mais se levanta em seu orgulho e procura resistir com todas as suas forças procurando o modo de se livrar das coisas que o afligem sem contar com o fato de que é somente se submetendo ao Senhor que é possível ser livrado das aflições que Ele mesmo determinou para nos provar.

Então permita que as circunstâncias humilhantes tornem o seu espírito humilde, e assim você será útil nas mãos de Deus e será poupado de muitas aflições, porque elas têm em sua maioria exatamente este grande propósito de nos humilhar. E se somos achados humildes, então é nesta condição que o Senhor nos exaltará pois não haverá o risco de que sejamos vencidos pelo orgulho.


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Silvio Dutra
25dutra@gmail.com
Igreja Orgânica de Jesus na Abolição
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Publicado em: 12/10/2015