quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

O Movimento de Convergência

O Movimento de Convergência

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A Igreja de Cristo permaneceu perfeitamente unida nos seus primeiros onze séculos de existência. Mas em 1054 sofreu um rude golpe com a separação da Igreja em Igreja ocidental e Igreja oriental. Na base daquilo a que se chamou “o grande cisma” estiveram pueris disputas de poder e de primazia entre o Patriarcado de Roma e o Patriarcado de Constantinopla que culminaram numa excomunhão mútua. O Ocidente virou as costas ao Oriente e o Oriente fechou-se sobre si próprio. Desde então a Igreja do Ocidente começou por ser designada Igreja Católica Romana e a Igreja do Oriente como Igreja Ortodoxa.[15] No século XVI iniciou-se a chamada Reforma Protestante que teve como cabeça de proa o monge agostiniano Martinho Lutero. O que começou como uma reacção piedosa aos excessos praticados pela Igreja de Roma culminou noutro tipo de excessos que levaram à rejeição de tesouros que a Igreja sempre estimou e aceitou. Daqui surgiu o Evangelicalismo com as Igrejas Luterana, Presbiteriana, Menonita, Baptista, etc, etc, deixando em tiras o já mutilado tecido da unidade.

A Igreja de Roma cerrou fileiras e contra-reagiu com o Concílio de Trento em 1545. Daqui resultou que a Igreja Católica de Roma exaltou sobremaneira a importância dos Sacramentos, nomeadamente da Eucaristia com a transubstanciação[16] e as Igrejas protestantes se escudaram atrás de uma interpretação da Sagrada Escritura redutora e desligada do Magistério da Igreja de Cristo.

No turbilhão do século XVI, cerca de 1534, por motivos políticos e sentimentais alimentados pelos acontecimentos no continente, também a Igreja de Inglaterra[17] decidiu cortar vínculos com o Bispo de Roma e seguiu o seu próprio caminho mas não de modo tão extremado. Manteve a sucessão apostólica, a celebração dos sacramentos e a estrutura de governo episcopal se bem que tendo à frente o monarca inglês.

Em meados do século XVIII surgiu um movimento do Espírito Santo de tipo pentecostal na Igreja Ortodoxa Russa que se expandiu por diversos países da Europa. Estes cristãos ortodoxos acabaram por ser perseguidos e fugiram para a Arménia e para os Estados Unidos. Pela mesma altura um grupo da Igreja Metodista, depois de terem estudado o livro dos Actos dos Apóstolos, oraram a Deus para que o Espírito Santo fizesse o mesmo que fez no Pentecostes com os Apóstolos. Deus respondeu e começaram então a falar em línguas. Estes metodistas foram expulsos da sua Igreja e alguns mudaram-se para Los Angeles onde já estavam arménios carismáticos. Foi assim que se deu início ao Reavivamento de Azuza Street e que culminou no movimento pentecostal e carismático actual.

Nos anos oitenta evangélicos americanos começaram a sentir a necessidade de descobrir as raízes da Igreja. Muitos iniciaram o estudo da liturgia e descobriram um elo que lhes faltava. Desses alguns milhares aderiram então à Igreja Ortodoxa de Antioquia dos Estados Unidos mas outros seguiram um caminho alternativo. Entre eles encontrava-se o pastor carismático Randolph Adler. Randolph Adler foi pastor de uma comunidade na Califórnia e foi pregador itinerante. Participou activamente em movimentos e manifestações anti-aborto. Numa dessas manifestações foi preso com outros cristãos, evangélicos e católicos romanos. Nestes últimos Randolph Adler viu uma capacidade de sofrimento, uma paciência e uma profundidade espiritual que lhe faltava a ele e aos seus companheiros evangélicos. Começou então a estudar História da Igreja, as obras dos Padres Apostólicos e Liturgia. Randolph Adler encontrou as suas raízes. A seu tempo constituiu com outros pastores a Igreja Episcopal Carismática. No dia 26 de Junho de 1992 Randolph Adler tornou-se o Patriarca e o primeiro bispo em sucessão apostólica desta pequena Igreja de três congregações. Segundo o último balanço feito em 2000 esse número aumentou incrivelmente para cerca de 1000 havendo em todo o mundo - Estados Unidos, Europa, África e Ásia – um milhão de membros. Isso deve-se ao facto de muitas congregações independentes e carismáticas mas também muitas outras anglicanas, metodistas e luteranas terem decidido juntar-se a esta parcela da Igreja Católica de Cristo.

Na Igreja Episcopal Carismática o cristão católico e o evangélico podem encontrar o poder do Espírito Santo em acção. Nela o cristão pentecostal pode encontrar os inestimáveis tesouros dos Sacramentos e da Liturgia. A Igreja Episcopal Carismáticaestá aberta a todos aqueles que se queiram juntar com toda a Criação num louvor e num culto vivos ao nosso Deus mediante Jesus Cristo na unção do Espírito Santo. Seja bem-vindo!


[15] Ortodoxo: que ensina a verdadeira e correcta doutrina, por oposição a heterodoxo.
[16] “Pela consagração do pão e do vinho opera-se a conversão de toda a substância do pão na substância do corpo de Cristo nosso Senhor, e de toda a substância do vinho na substância do seu sangue; a esta mudança, a Igreja católica chama, de modo conveniente e apropriado, transubstanciação”, in Catecismo da Igreja Católica, nº 1376, Gráfica de Coimbra, Coimbra. De modo que o pão e o vinho não são mesmo pão e vinho mas aparentam sê-lo. São visíveis, palpáveis e degustáveis como o pão e o vinho ordinários mas isso não passa de um acidente, diria mesmo de uma ilusão. A transubstanciação é uma especulação filosófica de índole racionalista e materialista que tenta explicar o que é inexplicável: um mistério sagrado.
[17] Mais conhecida como Igreja Anglicana, do Latim Ecclesia Anglicana (Igreja de Inglaterra).

Três Correntes

Três Correntes

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Se analisarmos a História da Igreja desde o seu início vemos que três correntes ou três distintas formas de viver a fé cristã têm estado presentes mas nos últimos séculos uma ou outra dessas correntes tem sido exaltada em detrimento das outras.
Essas correntes são a Evangélica, a Litúrgico-sacramental e a Carismática.
Na Igreja Episcopal Carismática essas três correntes são como que afluentes que correm para o grande Oceano da Fé e são vividas de forma equilibrada. 

A Corrente Evangélica

Desde sempre a Igreja defendeu a necessidade de cada pessoa, na comunidade eclesial, aceitar individualmente Jesus Cristo como Senhor e Salvador como o primeiro passo para a salvação.
A Igreja também sempre teve em alta estima e reverência a Palavra escrita de Deus para o Seu Povo: aBíblia Sagrada.
Nela está enunciado o Evangelho, as Boas Novas de Cristo à humanidade e “é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê”[1].
Não partilhando dos excessos cometidos e dos erros defendidos na chamada Reforma, a Igreja Católica Apostólica Carismática saúda o zelo com que os reformadores reabilitaram, exaltaram e dignificaram a Bíblia.

A Corrente Liturgico-sacramental

Liturgia significa “a obra do povo” ou “obra pública em favor do povo”. No contexto cristão entende-se como a acção redentora de Cristo continuada na Igreja e é vista como o exercício do culto a Deus em resposta aos dons maravilhosos que Ele nos deu, dá e dará mas é especialmente também pelo Dom maravilhoso de Jesus Cristo à humanidade.O Povo de Deus sempre foi litúrgico e usou fórmulas e ritos para expressar a Sua fé em Iahweh. Olhando atentamente a Bíblia descobrimos orações, cânticos e rituais destinados a serem repetidos em determinadas ocasiões e segundo regras bem minuciosas.

Jesus Cristo não veio abolir a Lei mosaica mas sim cumprí-la nem veio abolir as manifestações litúrgicas porque Ele próprio e os Seus Apóstolos, após a Sua ascensão, participaram nos serviços do Templo. A Última Ceia não foi um acto espontâneo e inventado à última hora mas sim um ritual que há várias gerações e séculos era repetido. O que Jesus fez foi dar um novo sentido a esse rito e constitui-o um sinal da Nova e Eterna Aliança que culminou na cruz.

Não acreditamos nem praticamos “vãs repetições”, vazias de sentido, mas repetimos aquilo que pode ajudar a edificar a nossa fé e a louvar de forma bela e digna o Nome do Senhor. De qualquer forma, as igrejas contemporâneas, que puseram de lado a liturgia escrita em nome da espontaneidade e da liberdade no Espírito, acabam por ter também liturgia, mesmo que disso não tenham consciência, e lavram também nas repetições que tanto criticam.

A Igreja também desde logo, por mandato e com a autoridade de Cristo, começou a celebrar e a ministrar os Sacramentos, meios pelos quais a Graça de Deus, mediante Jesus Cristo, é infundida no crente utilizando um sinal visível por forma a realizar a Sua vontade entre os homens.

Os sete Sacramentos que a Igreja Episcopal Carismática celebra, de harmonia com o resto do catolicismo, são:

1. Baptismo – Deus estende o Seu braço amoroso a toda a criatura humana, mesmo que ela não o entenda e não tenha capacidade de a Ele responder por ser ainda uma criança. Neste Sacramento Deus purifica-nos dos nossos pecados, adopta-nos como Seus filhos, incorpora-nos na família de santos que é a Igreja e assegura-nos que connosco sempre estará até ao último dia.

2. Confirmação (ou Crisma) – o crente tem a oportunidade de afirmar por si e publicamente a fé que assumiu no Baptismo e, pela imposição das mãos do bispo, é-lhe conferido de forma especial o Espírito Santo para que desse momento em diante fique capacitado pelos dons divinos a trabalhar pelo Reino de Deus.

3. Eucaristia (ou Missa ou ainda Ceia do Senhor) – o crente é alimentado com a comida espiritual do Corpo e Sangue de Cristo. A Eucaristia é penhor de alimento, de renovação e de fortalecimento para o desempenho das nossas tarefas quotidianas. O cristão beneficiará muito se frequentar assiduamente a Eucaristia porque diz Jesus “Eu sou o pão vivo descido do céu. Quem comer deste pão viverá para sempre. E o pão que Eu dou é o Meu próprio corpo oferecido para que tenham vida (...). Aquele que come o Meu corpo e bebe o Meu sangue tem a vida eterna, e Eu o ressuscitarei. Pois o Meu corpo é verdadeira comida e o Meu sangue é verdadeira bebida. Quem comer o Meu corpo e beber o Meu sangue vive unido a Mim e Eu a ele.”[2]

4. Reconciliação (ou Confissão) – quando pecamos e nos afastamos da glória de Deus Deus dá-nos o Sacramento da Confissão para lançarmos sobre Ele a nossa culpa e d´Ele recebermos a absolvição, o perdão e o Seu poder para vivermos em santidade.

5. Matrimónio – neste sacramento Deus une o homem e a mulher para que, numa só carne, possam crescer e multiplicar--se e assim espalhar-se sobre toda a terra para ter domínio sobre ela e para produzir os frutos das boas obras.

6. Unção dos doentes – quando adoecemos Deus providencia-nos o Sacramento da Cura para que, libertos da doença e das amarras espirituais, possamos cumprir a Sua vontade.

7. Sagradas Ordens – No Sacramento da Ordem Deus escolhe e separa para o Seu povo líderes (bispos, presbíteros e diáconos) que o representem para que a Sua presença se torne visível e para que possamos saber a Sua vontade para a Sua Igreja. Pela Ordem a missão dada por Jesus Cristo aos Seus Apóstolos é continuada hoje na Igreja até que Ele venha. Os ordenados são não só escolhidos e designados mas são também consagrados pelo próprio Cristo pelas mãos do bispo e recebem um dom especial e indelével do Espírito Santo para exercerem o seu ministério.

A Corrente Carismática
Na festa do Pentecostes, cinquenta dias após a Páscoa, por ordem de Jesus, os discípulos reuniram-se no cenáculo e em espírito de oração esperaram pela descida do Espírito Santo. “De repente veio do céu um barulho, como o de um vento forte, que ressoou por toda a casa onde se encontravam. Apareceu-lhes então uma espécie de línguas de fogo, que se espalhavam, e desciam sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito Santo lhes inspirava.” [3]

Noutras ocasiões também o Espírito Santo se manifestou e é claro através das Cartas de Paulo que os dons oucarismas não se destinaram apenas aos Apóstolos nem a uma determinada época mas que todo o crente os possui em número e em intensidade variada.
Assim, a Igreja Episcopal Carismática exorta os crentes a que exercitem os dons que o Espírito Santo conferiu a cada um para edificação de todos.

É habitual nos nossos cultos as pessoas orarem em línguas, terem visões, exercerem a profecia e orarem pela cura dos enfermos, tudo com ordem e na inspiração do Espírito Santo.



[1] Rm 1,16

[2] Jo 6,51.54-5

[3] Actos 2,2-4

Em que acreditamos?

Em que acreditamos?

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Igreja Episcopal Carismática perfilha e propugna a Fé católica e
ortodoxa da Igreja antiga. Adere aos quatro princípios essenciais que definem a
Igreja una, santa, católica e apostólica, e que sempre estiveram presentes
durante os primeiros onze séculos em que a Igreja viveu em unidade:

1. Aceita as sagradas Escrituras do Antigo e Novo Testamentos como a palavra escrita de Deus,
o testemunho principal do ensino apostólico, a fonte de alimento e de força da
Igreja.

2. Proclama o Credo dos Apóstolos como símbolo baptismal e o Credo Niceno
como afirmação suficiente da Fé Cristã.

3. Ministra os sete Sacramentos
estabelecidos por Cristo sendo o Baptismo, a Eucaristia, a Confirmação,
Confissão/Reconciliação, o Santo Matrimónio, as Sagradas Ordens e a
Cura/Unção.

4. Defende o Episcopado Histórico em Sucessão Apostólica, dom da
autoridade de Cristo à Igreja e fideicomisso para o garante da fidelidade da Igreja ao ensino
apostólico.