sexta-feira, 4 de julho de 2014

Não Quero Ser Mais Cristão!

Por Ariovaldo Ramos e Adaptação do Monsenhor Dom José Kennedy de Freitas bispo de Confissão Anglicana

"Irmãos em Cristo Jesus, uni-vos! Ministros do Santo Evangelho criam Sindicato e cobram direitos trabalhistas das Igrejas". Isto é muito triste. “Sacerdotes usam o nome de Deus, para conquistarem terras, fazendas, imóveis, enquanto o povo sofre e perece de fome”. Isto é lastimável. “Homens e mulheres que se apresentam como Ministros e Ministras de Deus, fazem de seus cultos, um verdadeiro sincretismo religioso, que culmina no enriquecimento de sua liderança”. Isto é sem dúvida alguma uma vergonha!

Ser Cristão, pelo menos no Brasil, não significa mais ser praticante e proclamador do Santo Evangelho (Boas Novas) do Senhor Jesus Cristo, mas, a condição de membro de um segmento do Cristianismo, com cada vez menor relacionamento histórico com a Reforma Protestante com a Divisão na Inglaterra, onde surgiu o Anglicanismo – afirmo com toda convicção que o Anglicanismo, Catolicismo Romano e o Protestantismo são os segmentos mais complicados, controversos, divididos e contraditórios do Cristianismo. O significado de ser pastor evangélico, padre romano ou sacerdote anglicano, então, é melhor nem falar, para não incorrer no risco de ser grosseiro com os leitores. Não quero mais ser Cristão! Quero voltar para o Senhor Jesus Cristo, para a boa notícia que Ele é e ensinou. Voltemos a ser adoradores do Pai das Luzes porque, segundo o Senhor Jesus, são estes os que o Grande Arquiteto do Universo procura e, não, por mão de obra especializada ou por "profissionais da fé chamada cristã". Voltemos à consciência de que o Caminho, a Verdade e a Vida é uma Pessoa e não um Corpo Doutrinário e/ou Tradições Católicas, nascidas da tentativa de dissecarmos Deus; de que, estar no caminho, conhecer a verdade e desfrutar a vida é relacionar-se intensamente com essa Pessoa: O Senhor Jesus de Nazaré, o Cristo, o Filho do Deus vivo. Quero os Dogmas que nascem desse encontro: uma leitura bíblica que nos faça ver o Senhor Jesus Cristo e não uma leitura bibliólatra. Não quero a espiritualidade que se sustenta em prodígios, no mínimo discutíveis, e sim, a que se manifesta no caráter.

Chega dessa "diabose"! Voltemos à graça, à centralidade da Cruz do Calvário, onde tudo foi consumado. Voltemos à consciência de que fomos achados por Ele, que começou em cada filho Seu algo que vai completar: voltemos às orações e jejuns, não como fruto de obrigação ou moeda de troca, mas, como namoro apaixonado com o Ser amado da alma resgatada. Voltemos ao amor, à convicção de que ser verdadeiramente cristão é amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos: voltemos aos irmãos em Cristo, não como membros de um Sindicato, de um Clube, ou de uma Sociedade Anônima, mas, como Membros do Corpo de Cristo Jesus. Quero relacionar-me com eles como as crianças relacionam-se com os que as alimentam - em profundo amor e senso de dependência. Quero voltar a ser guardião de meu irmão em Cristo Jesus e não seu juiz. Voltemos ao amor que agasalha no frio, assiste na dor, dessedenta na sede, alimenta na fome, que reparte, que não usa o pronome "meu", mas, o pronome "nosso". Para que os títulos: "pastor", "reverendo", “padre”, "bispo", “arcebispo” "apóstolo", o que eles significam, se todos são Sacerdotes do Senhor? Amados irmãos, quero voltar a ser Leigo! Para que o Clericalismo? Voltemos, ao sermos Servos uns dos outros aos dons do corpo que correm soltos e dão o tom litúrgico da reunião dos santos; ao, "onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu lá estarei" Evangelho de São Mateus 18.20. Que o culto seja do povo e não dos dirigentes - chega de show! Voltemos aos bispos, presbíteros e diáconos, não como títulos, mas, como função: os que, sob unção da Diocese de sua cidade ou da Igreja Local, cuidam da ministração da Palavra de Deus, da vida de oração da comunidade e para que ninguém tenha necessidade, seja material, espiritual ou social. Chega de Ministérios megalômanos onde o povo de Deus é mão de obra ou massa de manobra!

Para que os Templos, o institucionalismo, o denominacionalismo? Voltemos às Catacumbas de Roma, à Igreja Local. Por que o pulpitocentrismo, altarcentrismo? Voltemos ao "instruí-vos uns aos outros" (Colossenses 3. 16). Por que a pressão pelo crescimento? O Senhor Jesus Cristo não nos ordenou a sermos uma Igreja que cresce, mas, uma Igreja que aparece: "Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras, e glorifiquem ao vosso Pai, que está nos céus" (Mateus 5.16). Vamos proclamar com nossa vida, serviço e palavras "todo o Evangelho ao homem... a todos os homens". Deixemos o crescimento para o Espírito Santo que "acrescenta dia a dia os que haverão de ser salvos", sem adulterar a gloriosa e maravilhosa mensagem de Deus. Pensemos nisto!

Obs: Este artigo é do ilustre pastor Ariovaldo Ramos, com adaptação do Monsenhor Dom José Kennedy de Freitas, bispo de Confissão Anglicana.



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