sábado, 16 de novembro de 2013

AS 95 TESES DE LUTERO

AS 95 TESES DE LUTERO

1ª Tese Dizendo nosso Senhor e Mestre Jesus Cristo: "Arrependei-vos", certamente quer que toda a vida dos seus crentes na terra seja contínuo arrependimento.

2ª Tese E esta expressão não pode e não deve ser interpretada como referindo-se ao sacramento da penitência, isto é, à confissão e satisfação, a cargo do ofício dos sacerdotes.

3ª Tese Todavia não quer que apenas se entenda o arrependimento interno; o arrependimento interno nem mesmo é arrependimento quando não produz toda sorte de modificações da carne.

4ª Tese Assim sendo, o arrependimento e o pesar, isto é, a verdadeira penitência, perdura enquanto o homem se desagradar de si mesmo, a saber, até a entrada desta para a vida eterna.

5ª Tese O papa não quer e não pode dispensar outras penas, além das que impôs ao seu alvitre ou em acordo com os cânones, que são estatutos papais.

6ª Tese O papa não pode perdoar divida senão declarar e confirmar aquilo que já foi perdoado por Deus; ou então faz nos casos que lhe foram reservados. Nestes casos, se desprezados, a dívida deixaria de ser em absoluto anulada ou perdoada.

7ª Tese Deus a ninguém perdoa a dívida sem que ao mesmo tempo o subordine, em sincera humildade, ao sacerdote, seu vigário.

8ª Tese Canones poenitendiales, que não as ordenanças de prescrição da maneira em que se deve confessar e expiar, apenas aio Impostas aos vivos, e, de acordo com as mesmas ordenanças, não dizem respeito aos moribundos.

9ª Tese Eis porque o Espírito Santo nos faz bem mediante o papa, excluído este de todos os seus decretos ou direitos o artigo da morte e da necessidade suprema

10ª Tese Procedem desajuizadamente e mal os sacerdotes que reservam e impõem aos moribundos poenitentias canonicas ou penitências para o purgatório a fim de ali serem cumpridas.

11ª Tese Este joio, que é o de se transformar a penitência e satisfação, Previstas pelos cânones ou estatutos, em penitência ou penas do purgatório, foi semeado quando os bispos se achavam dormindo.

12ª Tese Outrora canonicae poenae, ou sejam penitência e satisfação por pecadores cometidos eram impostos, não depois, mas antes da absolvição, com a finalidade de provar a sinceridade do arrependimento e do pesar.

13ª Tese Os moribundos tudo satisfazem com a sua morte e estão mortos para o direito canônico, sendo, portanto, dispensados, com justiça, de sua imposição.

14ª Tese Piedade ou amor Imperfeitos da parte daquele qtie se acha às portas da morte necessariamente resultam em grande temor; logo, quanto menor o amor, tanto maior o temor.

15ª Tese Este temor e espanto em si tão só, sem falar de outras cousas, bastam para causar o tormento e o horror do purgatório, pois que se avizinham da angústia do desespero.

16ª Tese Inferno, purgatório e céu parecem ser tão diferentes quanto o são um do outro o desespero completo, incompleto ou quase desespero e certeza.

17ª Tese Parece que assim como no purgatório diminuem a angústia e o espanto das almas, nelas também deve crescer e aumentar o amor.

18ª Tese Bem assim parece não ter sido provado, nem por boas ações e nem pela Escritura, que as almas no purgatório se encontram fora da possibilidade do mérito ou do crescimento no amor.

19ª Tese Ainda parece não ter sido provado que todas as almas do purgatório tenham certeza de sua salvação e não receiem por ela, não obstante nós termos absoluta certeza disto.

20ª Tese Por isso o papa não quer dizer e nem compreende com as palavras “perdão plenário de todas as penas” que todo o tormento é perdoado, mas as penas por ele impostas.

21ª Tese Eis porque erram os apregoadores de indulgências ao afirmarem ser o homem perdoado de todas as penas e salvo mediante a indulgência do papa.

22ª Tese Pensa com efeito, o papa nenhuma pena dispensa às almas no purgatório das que segundo os cânones da Igreja deviam ter expiado e pago na presente vida.

23ª Tese Verdade é que se houver qualquer perdão plenário das penas, este apenas será dado aos mais perfeitos, que são muito poucos.

24ª Tese Assim sendo, a maioria do povo é ludibriada com as pomposas promessas do indistinto perdão, impressionando-se o homem singelo com as penas pagas.

25ª Tese Exatamente o mesmo poder geral, que o papa tem sobre o purgatório, qualquer bispo e cura d’almas o tem no seu bispado e na sua paróquia, quer de modo especial e quer para com os seus em particular.

26ª Tese O papa faz muito bem em não conceder às almas o perdão em virtude do poder das chaves (ao qual não possui), mas pela ajuda ou em forma de intercessão.

27ª Tese Pregam futilidades humanas quantos alegam que no momento em que a moeda soa ao cair na caixa a alma se vai do purgatório.

28ª Tese Certo é que no momento em que a moeda soa na caixa vêm o lucro e o amor ao dinheiro cresce e aumenta; a ajuda, porém, ou a intercessão da Igreja tão só correspondem à vontade e ao agrado de Deus.

29ª Tese E quem sabe, se todas as almas do purgatório querem ser libertadas, quando há quem diga o que sucedeu com Santo Severino e Pascoal.

30ª Tese Ninguém tem certeza da suficiência do seu arrependimento e pesar verdadeiros; muito menos certeza pode ter de haver alcançado pleno perdão dos seus pecados.

31ª Tese Tão raro como existe alguém que possui arrependimento e, pesar verdadeiros, tão raro também é aquele que verdadeiramente alcança indulgência, sendo bem poucos os que se encontram.

32ª Tese Irão para o diabo juntamente com os seus mestres aqueles que julgam obter certeza de sua salvação mediante breves de indulgência.

33ª Tese Há que acautelasse muito e ter cuidado daqueles que dizem: A indulgência do papa é a mais sublime e mais preciosa graça ou dadiva de Deus, pela qual o homem é reconciliado com Deus.

34ª Tese Tanto assim que a graça da indulgência apenas se refere à pena satisfatória estipulada por homens.

35ª Tese Ensinam de maneira ímpia quantos alegam que aqueles que querem livrar almas do purgatório ou adquirir breves de confissão não necessitam de arrependimento e pesar.

36ª Tese Todo e qualquer cristão que se arrepende verdadeiramente dos seus pecados, sente pesar por ter pecado, tem pleno perdão da pena e da dívida, perdão esse que lhe pertence mesmo sem breve de indulgência.

37ª Tese Todo e qualquer cristão verdadeiro, vivo ou morto, é participante de todos os bens de Cristo e da Igreja, dádiva de Deus, mesmo sem breve de indulgência.

38ª Tese Entretanto se não deve desprezar o perdão e a distribuição por parte do papa. Pois, conforme declarei, o seu perdão constitui uma declaração do perdão divino.

39ª Tese É extremamente difícil, mesmo para os mais doutos teólogos, exaltar diante do povo ao mesmo tempo a grande riqueza da indulgência e ao contrário o verdadeiro arrependimento e pesar.

40ª Tese O verdadeiro arrependimento e pesar buscam e amam o castigo: mas a profusão da indulgência livra das penas e faz com que se as aborreça, pelo menos quando há oportunidade para isso.

41ª Tese É necessário pregar cautelosamente sobre a indulgência papal para que o homem singelo não julgue erroneamente ser a indulgência preferível às demais obras de caridade ou melhor do que elas.

42ª Tese Deve-se ensinar aos cristãos, não ser pensamento e opinião do papa que a aquisição de indulgência de alguma maneira possa ser comparada com qualquer obra de caridade.

43ª Tese Deve-se ensinar aos cristãos proceder melhor quem dá aos pobres ou empresta aos necessitados do que os que compram indulgências.

44ª Tese Ê que pela obra de caridade cresce o amor ao próximo e o homem torna-se mais piedoso; pelas indulgências, porém, não se torna melhor senão mais seguro e livre da pena.

45ª Tese Deve-se ensinar aos cristãos que aquele que vê seu próximo padecer necessidade e a despeito disto gasta dinheiro com indulgências, não adquire indulgências do papa. mas provoca a ira de Deus.

46ª Tese Deve-se ensinar aos cristãos que, se não tiverem fartura , fiquem com o necessário para a casa e de maneira nenhuma o esbanjem com indulgências.

47ª Tese Deve-se ensinar aos cristãos, ser a compra de indulgências livre e não ordenada

48ª Tese Deve-se ensinar aos cristãos que, se o papa precisa conceder mais indulgências, mais necessita de uma oração fervorosa do que de dinheiro.

49ª Tese Deve-se ensinar aos cristãos, serem muito boas as indulgências do papa enquanto o homem não confiar nelas; mas muito prejudiciais quando, em conseqüência delas, se perde o temor de Deus.

50ª Tese Deve-se ensinar aos cristãos que, se o papa tivesse conhecimento da traficância dos apregoadores de indulgências, preferiria ver a catedral de São Pedro ser reduzida a cinzas a ser edificada com a pele, a carne e os ossos de suas ovelhas.

51ª Tese Deve-se ensinar aos cristãos que o papa, por dever seu, preferiria distribuir o seu dinheiro aos que em geral são despojados do dinheiro pelos apregoadores de indulgências, vendendo, se necessário fosse, a própria catedral de São Pedro.

52º Tese Comete-se injustiça contra a Palavra de Deus quando, no mesmo sermão, se consagra tanto ou mais tempo à indulgência do que à pregação da Palavra do Senhor.

53ª Tese São inimigos de Cristo e do papa quantos por causa da prédica de indulgências proíbem a Palavra de Deus nas demais igrejas.

54ª Tese Esperar ser salvo mediante breves de indulgência é vaidade e mentira, mesmo se o comissário de indulgências, mesmo se o próprio papa oferecesse sua alma como garantia.

55ª Tese A intenção do papa não pode ser outra do que celebrar a indulgência, que é a causa menor, com um sino, uma pompa e uma cerimônia, enquanto o Evangelho, que é o essencial, importa ser anunciado mediante cem sinos, centenas de pompas e solenidades.

56ª Tese Os tesouros da Igreja, dos quais o papa tira e distribui as indulgências, não são bastante mencionados e nem suficientemente conhecido na Igreja de Cristo.

57ª Tese Que não são bens temporais, é evidente, porquanto muitos pregadores a estes não distribuem com facilidade, antes os ajuntam.

58ª Tese Tão pouco são os merecimentos de Cristo e dos santos, porquanto estes sempre são eficientes e, independentemente do papa, operam salvação do homem interior e a cruz, a morte e o inferno para o homem exterior.

59ª Tese São Lourenço aos pobres chamava tesouros da Igreja, mas no sentido em que a palavra era usada na sua época.

60ª Tese Afirmamos com boa razão, sem temeridade ou leviandade, que estes tesouros são as chaves da Igreja, a ela dado pelo merecimento de Cristo.

61ª Tese Evidente é que para o perdão de penas e para a absolvição em determinados casos o poder do papa por si só basta.

62ª Tese O verdadeiro tesouro da Igreja é o santíssimo Evangelho da glória e da graça de Deus.

63ª Tese Este tesouro, porém, é muito desprezado e odiado, porquanto faz com que os primeiros sejam os últimos.

64ª Tese Enquanto isso o tesouro das indulgências é sabiamente o mais apreciado, porquanto faz com que os últimos sejam os primeiros.

65ª Tese Por essa razão os tesouros evangélicos outrora foram as redes com que se apanhavam os ricos e abastados.

66ª Tese Os tesouros das indulgências, porém, são as redes com que hoje se apanham as riquezas dos homens.

67ª Tese As indulgências apregoadas pelos seus vendedores como a mais sublime graça decerto assim são consideradas porque lhes trazem grandes proventos.

68ª Tese Nem por isso semelhante indigência não deixa de ser a mais Intima graça comparada com a graça de Deus e a piedade da cruz.

69ª Tese Os bispos e os sacerdotes são obrigados a receber os comissários das indulgências apostólicas com toda a reverência

70ª Tese Entretanto têm muito maior dever de conservar abertos olhos e ouvidos, para que estes comissários, em vez de cumprirem as ordens recebidas do papa, não preguem os seus próprios sonhos.

71ª Tese Aquele, porém, que se insurgir contra as palavras insolentes e arrogantes dos apregoadores de indulgências, seja abençoado.

72ª Tese Quem levanta a sua voz contra a verdade das indulgências papais é excomungado e maldito.

73ª Tese Da mesma maneira em que o papa usa de justiça ao fulminar com a excomunhão aos que em prejuízo do comércio de indulgências procedem astuciosamente.

74ª Tese Muito mais deseja atingir com o desfavor e a excomunhão àqueles que, sob o pretexto de indulgência, prejudiquem a santa caridade e a verdade pela sua maneira de agir.

75ª Tese Considerar as indulgências do papa tão poderosas, a ponto de poderem absolver alguém dos pecados, mesmo que (cousa impossível) tivesse deshonrado a mãe de Deus, significa ser demente.

76ª Tese Bem ao contrario, afirmamos que a indulgência do papa nem mesmo o menor pecado venial pode anular o que diz respeito à culpa que constitui.

77ª Tese Dizer que mesmo São Pedro, se agora fosse papa, não poderia dispensar maior indulgência, significa blasfemar S. Pedro e o papa.

78ª Tese Em contrario dizemos que o atual papa, e todos os que o sucederam, é detentor de muito maior indulgência, isto é, o Evangelho. as virtudes o dom de curar, etc., de acordo com o que diz 1Coríntios 12.

79ª Tese Afirmar ter a cruz de indulgências adornada com as armas do papa e colocada na igreja tanto valor como a própria cruz de Cristo, é blasfêmia.

80ª Tese Os bispos, padres e teólogos que consentem em semelhante linguagem diante do povo, terão de prestar contas deste procedimento.

81ª Tese Semelhante pregação, a enaltecer atrevida e insolentemente a Indulgência, faz com que mesmo a homens doutos é difícil proteger a devida reverência ao papa contra a maledicência e as fortes objeções dos leigos.

82ª Tese Eis um exemplo: Por que o papa não tira duma só vez todas as almas do purgatório, movido por santíssima' caridade e em face da mais premente necessidade das almas, que seria justíssirno motivo para tanto, quando em troca de vil dinheiro para a construção da catedral de S. Pedro, livra um sem número de almas, logo por motivo bastante Insignificante?

83ª Tese Outrossim: Por que continuam as exéquias e missas de ano em sufrágio das almas dos defuntos e não se devolve o dinheiro recebido para o mesmo fim ou não se permite os doadores busquem de novo os benefícios ou pretendas oferecidos em favor dos mortos, visto' ser Injusto continuar a rezar pelos já resgatados?

84ª Tese Ainda: Que nova piedade de Deus e dó papa é esta, que permite a um ímpio e inimigo resgatar uma alma piedosa e agradável a Deus por amor ao dinheiro e não resgatar esta mesma alma piedosa e querida de sua grande necessidade por livre amor e sem paga?

85ª Tese Ainda: Por que os cânones de penitencia, que, de fato, faz muito caducaram e morreram pelo desuso, tornam a ser resgatados mediante dinheiro em forma de indulgência como se continuassem bem vivos e em vigor?

86ª Tese Ainda: Por que o papa, cuja fortuna hoje é mais principesca do que a de qualquer Credo, não prefere edificar a catedral de S. Pedro de seu próprio bolso em vez de o fazer com o dinheiro de fiéis pobres?

87ª Tese Ainda: Quê ou que parte concede o papa do dinheiro proveniente de indulgências aos que pela penitência completa assiste o direito à indulgência plenária?

88ª Tese Afinal: Que maior bem poderia receber a Igreja, se o papa, como Já O faz, cem vezes ao dia, concedesse a cada fiel semelhante dispensa e participação da indulgência a título gratuito.

89ª Tese Visto o papa visar mais a salvação das almas do que o dinheiro, por que revoga os breves de indulgência outrora por ele concedidos, aos quais atribuía as mesmas virtudes?

90ª Tese Refutar estes argumentos sagazes dos leigos pelo uso da força e não mediante argumentos da lógica, significa entregar a Igreja e o papa a zombaria dos inimigos e desgraçar os cristãos.

91ª Tese Se a Indulgência fosse apregoada segundo o espírito e sentido do papa, aqueles receios seriam facilmente desfeitos, nem mesmo teriam surgido.

92ª Tese Fora, pois, com todos estes profetas que dizem ao povo de Cristo: Paz! Paz! e não há Paz.

93ª Tese Abençoados sejam, porém, todos os profetas que dizem à grei de Cristo: Cruz! Cruz! e não há cruz.

94ª Tese Admoestem-se os cristãos a que se empenhem em seguir sua Cabeça Cristo através do padecimento, morte e inferno.

95ª Tese E assim esperem mais entrar no Reino dos céus através de muitas tribulações do que facilitados diante de consolações infundadas.


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Reverendo Valdo Hott Thasmo: Aspectos negativos de sua personalidade e conduta

Reverendo Valdo Hott Thasmo: Aspectos negativos de sua personalidade e conduta: Aspectos negativos de sua personalidade e conduta              Ao nos referirmos a Jonas temos a tendência de culpá-lo pela sua cova...

Aspectos negativos de sua personalidade e conduta

Aspectos negativos de sua personalidade e conduta

             Ao nos referirmos a Jonas temos a tendência de culpá-lo pela sua covardia. Costumamos enfatizar aspectos negativos de sua personalidade e conduta, no entanto, esquecemos que estamos tratando de um ser humano com todas suas crises, dificuldades e belezas. Será que Deus estava ciente de tudo isso, ou seja, de tudo o que Jonas era? Será que Jonas merece ser julgado ou condenado por nós pela sua recusa em ir a Nínive? Será que nós no lugar do profeta agiríamos diferente? Estas são questões que devem ser observadas de perto. Quero convidar você a mergulhar comigo experiência de Jonas e descobrir os tesouros ali escondidos.
*A Realidade do Medo:
            Não existe ser humano sem medos. Nunca existiu um que desconheceu o medo e seus efeitos na vida. Todos nós durante nossa existência experimentamos momentos de temores profundos, alguns mais leves, uns ilusórios, outros reais, criados ou impostos, assim são nossos medos. A forma como experimentamos e o significado que damos a cada um deles é produto da nossa subjetividade e história de vida.
            Nada é mais injusto do que julgar o medo do outro com bases em nossa experiência. Uns tem medo de altura, enquanto outros da solidão, portanto, não cabe a nós definir o que é realmente medo, ou qual objeto merece sim ser qualificado como verdadeiro instrumento de temor.
            Tendo consciência disto respeitemos cada um com suas dificuldades. O que nos ajudará a entender melhor nossos semelhantes e facilitará no trato mútuo. Sem contar que aumentará o autoconhecimento, fortalecerá nossas bases emocionais no tratamento contra os medos e a diminuição dos seus impactos causados em nossas vidas.
*Alguns medos de Jonas:
             Medo do inimigo. Talvez numa seqüência apresentada pelo próprio texto o primeiro medo do profeta foi do contato com seu inimigo. Logo no início do livro, Deus lhe fala: “Dispõe-te e vai à cidade de Nínive”. Jonas se levante e viaja, mas não para o destino ordenado, pelo contrário, segue uma direção oposta para Társis na Espanha. O lugar mais distante do mapa naquela época foi para onde o missionário partiu.
            Ele não queria contato com os ninivitas, pois eram inimigos do seu povo. Havia muitos anos as duas nações estavam em combates. Eles eram cruéis e impiedosos. Como agora poderia ele ir ao lugar deles? Porque expor sua vida na terra do povo que mata a sua gente? Acredito que Jonas pensou que fariam o mesmo com ele. Não é difícil imaginar que ele temeu pela sua vida.
            A ordem de Deus parecia absurda. Um teste sem precedentes na carreira do profeta. Profetizar em si não era uma missão fácil, muitas vezes as pessoas odiavam o profeta por causa de sua mensagem de condenação ou reprovação, mas tudo bem ele já estava acostumado com isso mesmo entre seu povo, acontece que ele iria levar uma mensagem super desagradável para um povo inimigo e super violento. Sua cabeça estava em risco e sabia bem disso. Este medo não se constitui um medo da morte somente, mas tudo o que o inimigo pode fazer de dano, como: provocação, desrespeito, vexame, calúnia, perseguição, opressão, tortura, prisão e etc.
Como nos sentimos fragilizados e vulneráveis às vezes que estamos expostos aos ataques dos adversários. A paz acaba, sentimento de instabilidade e indefesa brota no coração, o sono foge e pesadelos aparecem, o semblante decai e a existência parece pueril diante da eminência de destruição.
São duas as reações mais comuns dos seres humanos diante do medo: resposta de fuga ou luta. Jonas fugiu. Nem todos tem estrutura para enfrentar certas adversidades ou estão no melhor momento para ficar e resolver problemas.
A relação com inimigo é complexa podendo nos escravizar em pensamentos e até mesmo comandar nossas ações sem que percebamos. Por exemplo: “eu não vou à festa porque fulano estará presente”, ou, “ai que eu vou mesmo para mostrar minha cara”. Em ambos os casos quem está ditando o comportamento é a ligação emocional com o opositor. E quantas e quantas atitudes não são tomadas com base nesta premissa? Jonas pensou, não vou para Ninive porque é onde estão meus inimigos.
O Senhor Jesus Cristo nos deu uma orientação acerca deste medo, pois disse: “Não temais o que vos podem fazer os homens, antes, temam a Deus que pode matar o corpo e lançar a alma para o inferno”. O que estará dizendo com isso? Está nos advertindo de que apesar de todo mal que os homens podem nos fazer, o máximo que podem é tocar no corpo e restritamente a este mundo. Enquanto que Deus é aquele que verdadeiramente devemos temer, não no sentido de pavor ou pânico, mas de submissão. Porque Ele tem poder sobre nós no corpo e na alma, na terra e no além túmulo. A intenção de Jesus aqui não é nos levar a transferir o medo dos homens para Deus, e sim, não temermos aos homens uma vez que somos submissos a Deus todo poderoso. Noutras palavras quem tem Deus não tem a quem temer.
Davi em seu famoso salmo, diz: “Preparas-me uma mesa na presença de meus adversários, unges minha cabeça com óleo e o meu cálice transborda”. Esta é uma declaração vitoriosa de quem se libertou da tirania do medo de seus inimigos. De quem consegue comer e viver bem a despeito de toda conspiração e ameaça. Eis alguém que não teme seus carrascos, tampouco se deixa conduzir pelo constrangimento deles. Alguém para quem o medo provocado pelo inimigo perdeu a força. Alguém que aprendeu sentir-se seguro no cuidado de Deus e não em suas estratégias de lutas ou defesas.
O medo do inimigo deve tomar conta de nós só até o momento em que nos entregarmos aos cuidados de Deus e passarmos a confiar que o Senhor estando conosco nada nos poderá fazer o homem.
Medo interior: O inimigo pode ser material ou imaterial. O filósofo já disse: “O homem é o lobo do homem”.  Numa perspectiva cristã o pecado que habita nossos corações é o maior de todos os males do mundo. A maior luta se trava no coração humano.
De fato, Jonas não tinha certeza de que aquilo que temia aconteceria ou não, porém no seu interior já se formara o receio e até possivelmente toda cena ainda não existente. As maiorias de nossos medos se dão pelo que criamos em nossa mente e não pelo que é fatual. Criamos gigantes, lutamos contra eles e em muitos casos somos derrotados por nossas criaturas.
Tal medo é o representante de todos aqueles que estão ligados à nossa alma. Medo do desconhecido, do abstrato, do conflituoso em nós. Medo do contato com os medos em residentes no coração.
Medo do abandono: No ventre do grande peixe Jonas clamou: “Lembro-me dos teus altares, voltarei a vê-los”?  Ele estava com medo de ser deixado por Deus ali na barriga daquele peixe no fundo do mar. De acabar sua história assim sem nenhum significado. Medo de ser abandonado. De terminar sem ninguém ao seu lado, de ser esquecido.

QUAL É O SEU MEDO JONAS?



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Reverendo Valdo Hott Thasmo: Jonas 4- 1,5

Reverendo Valdo Hott Thasmo: Jonas 4- 1,5: Jonas 4- 1,5           O nosso personagem principal é o profeta e homem de Deus, Jonas. Sua história de vida é um grande exemplo para no...

Jonas 4- 1,5

Jonas 4- 1,5

          O nosso personagem principal é o profeta e homem de Deus, Jonas. Sua história de vida é um grande exemplo para nossa instrução, sobretudo, porque tem muito a nos ensinar acerca da depressão, devido aos seus intensos conflitos emocionais pediu para si a morte pelo menos duas vezes neste mesmo capítulo de seu livro.
            Passaremos a analisar as possíveis causas de depressão na vida do profeta e algumas mais comuns naqueles acometidos por esta enfermidade da alma. Embora muitas sejam as origens deste mal, nos deteremos apenas naquelas emocionais.
            Aprendamos sua definição, principais características, as possíveis causas, implicações e o tratamento oferecido por Deus:
 *Definição e principais características:
            A depressão como o próprio termo indica é uma baixa ou queda na estrutura emocional do indivíduo, onde o mesmo enfrenta piques de desanimo e desestabilização de suas atividades rotineiras. Atinge a forma como individuo enxerga a realidade, numa linguagem psicanalítica predomina uma pulsão de morte.
            As principais características são a falta de entusiasmo e coragem para enfrentar as demandas laborais de maneira geral.
 Um isolamento persistente beirando quase o autoconfinamento. Por não sentir desejo de trabalhar ou estudar ou até mesmo sair de casa, acaba por haver um afastamento da vida social.
 Em muitos casos a perda da vontade de viver ou desinteresse pelas antigas preferências. O sujeito se sente sem forças até mesmo para lutar pela própria vida.
Transtornos alimentares. Mexendo com os hábitos alimentares podendo levar a falta de apetite ou excesso. O individuo pode desenvolver os transtornos de: bulimia, anorexia ou obesidade.
Forte introspecção. Devido ao isolamento social e a falta de atividades, o individuo se entrega a uma fixação em idéias próprias e recorrentes. Concentra-se na própria dor e sofrimento passando a existir numa espécie de prisão interior.
Doenças psicossomáticas. A relação corpo e mente é indissociável. O corpo padece o que a mente sofre ou cria. Significa que outras doenças podem aparecer como resultados da enfermidade emocional, geralmente não são diagnosticadas por exames médicos.
 *Causas emocionais da depressão de Jonas:
Como já foi dito as causas da depressão podem ser variadas e complexas, no entanto, analisaremos àquelas experimentadas pelo profeta Jonas:
Papel ou profissão em exposição à forte situação de estresse: Quando uma situação se nos apresenta muito difícil ou com grande carga de estresse pode gerar depressão emocional. O medo, a ameaça, a impotência e o problema em si agem como paralisadores da capacidade de resposta de luta. Papéis ou profissões que se expõem a situações de forte estresse tendem a desencadear resultados depressivos. Ex: médicos, bombeiros, professores e etc.
Com Jonas não foi diferente, ele teve de enfrentar seus maiores pesadelos – os ninivitas. O pensamento de ir até sua terra e pregar uma dura mensagem contra eles em si era aterrorizante. Tanto que o profeta preferiu fugir em vez de encarar a situação. E só cumpriu sua missão à dura pena e em seguida desabou debaixo de uma cabana improvisada.
Acúmulo de frustrações: Pessoas submetidas a grandes frustrações tem maior probabilidade de deprimir-se, não se achando capaz o suficiente para superar seus problemas ou situação adversa. Tendem a aceitar o fracasso e a derrota como algo merecido. Exemplos:
a.      Desemprego
b.      Doença ou invalidez
c.       Maus tratos ou falta de trato
d.      Falência ou crise financeira.
Jonas se encaixa perfeitamente neste caso, devido à tamanha frustração sofrida pela não destruição da cidade de Nínive, conseqüentemente pediu para si a morte, dizendo: “Mas desgostou-se Jonas extremamente disso e ficou todo ressentido, falou ao Senhor: Basta, tira-me a minha vida porque melhor me é morrer do que viver” (4:1,3). Há indivíduos que possuem maior dificuldade que outros para enfrentar problemas e reagem muito negativamente.
Cargas emocionais excessivamente pesadas: acontecimentos profundamente dolorosos que conduzem a sofrimentos intensos. Deixam marcas inesquecíveis, são eles:
a.      Rejeição da criança desde a gestação
b.      Traição ou divorcio turbulento
c.       Morte de ente querido
d.      Aborto ou estupro
e.      Violência brutal (seqüestro, acidente de transito grave, vitima de tiros, facadas ou torturas, etc...).
Na maioria dos casos o individuo depressivo sofre também por sentir-se não compreendido na sua dor e/ou sofrimento. Pessoas costumam querer exigir resposta imediata ou não considerar grave o quadro do doente. Além disso, o ressentimento é outro meio de tormento, pois o sujeito vive remoendo seus problemas e se auto punindo enquanto não se permite pensar coisas boas ou até mesmo ter esperanças numa melhor perspectiva futura.
*Como Deus tratou Jonas: Observar a forma como Deus faz o tratamento com o profeta na sua depressão é de grande importância para nosso crescimento. Agora devemos sempre lembrar que existem várias causas e graus de depressão, bem como a reação particular de cada individuo. No caso de Jonas Deus tratou da seguinte maneira:
            Deus conversou com Jonas. A primeira ajuda oferecida pelo Senhor foi estimular o profeta ao uso da fala. O Senhor lhe faz perguntas: “É razoável este teu ressentimento”? Noutras palavras: Fale Jonas! Ponha para fora tudo aquilo que você está sentindo e lhe causa sofrimento. Não se tranque. Compartilhe o que se passa dentro do seu coração!
            Outras passagens das Escrituras encorajam a prática do compartilhamento, entre elas o texto de Tiago 5: 16, que diz: “Confessem os vossos pecados uns aos outros para serdes curados”. A orientação é sempre dividir a carga emocional ou espiritual que nos aflige, e o meio indicado é falar, expor a alguém o que sentimos e o resultado esperado é um efeito terapêutico.
            A psicanálise e a psicologia entenderam a importância da fala livre e da escuta equiflutuante. Esta relação entre terapeuta e cliente, onde o primeiro usa da escuta equiflutuante para ajudar o cliente que se expressa através da fala livre sem direcionamento ou pressão. A fala é sim um dos meios mais eficazes para tratamento do sofrimento psíquico.
            No contexto da comunidade cristã do primeiro século a aceitação e o não julgamento proporcionavam pano de fundo para as pessoas expressarem suas falhas, dificuldades e pecados a fim de serem ajudadas. Por inúmeras vezes no Novo Testamento encontramos os mandamentos “do uns aos outros”, a palavra grega “aleilós”, que indica uma manifestação de amor e cuidado numa comunidade terapêutica. Alguns usos de aleilós: “orai uns pelos outros”, “levai as cargas uns dos outros”, “perdoai-vos mutuamente”.
            Não devemos desprezar a ajuda no tratamento desses sofrimentos psíquicos através do envolvimento com uma comunidade cristã de base, uma célula, grupo familiar ou grupos pequenos. O aconselhamento pastoral é também uma ferramenta muito útil para pessoas que carregam conflitos e crises interiores. Além de que não se deve subestimar o tratamento com um profissional na área das ciências da psique (psicólogos, psicanalistas ou psiquiatras).
            Deus levou Jonas a resignificar seu sofrimento. Jonas estava demasiado concentrado em seu sofrimento, nas palavras do texto seu desgosto extremado, enquanto isso Deus o fazia ponderar suas reações, vejamos: “Você ficou triste por causa da morte de uma planta”..., “E eu não haveria de ter compaixão de 120 mil homens sem discernimento entre o bem e o mal”? (4: 10, 11). A forma como vemos o mundo influencia nossa saúde emocional ao passo que o inverso também. Portanto é necessário atribuir outros significados a determinadas situações para que haja superação da dor provinda da alma.
            O profeta precisava enxergar o comprometimento de seu relacionamento com as pessoas e o meio devido sua doença. Na visão dele tudo estava ruim, os problemas eram maiores do que na verdade se mostravam ao passo que Deus quer lhe mostrar que ele não é o centro do universo, muito menos que o isolamento era a melhor saída. Enquanto ele se via entre estranhos e no pior lugar do mundo, Deus tenta lhe mostrar que os ex-inimigos agora são irmãos na fé. Que de ameaçadores passaram a ser gratos pela sua pregação.
            Dessa forma o profeta tinha até motivos para comemorar o sucesso de sua missão. Tinha razões para se alegrar pelo fato de que fizera parte de um propósito maior e mais elevado de Deus, pois para isso tinha sido vocacionado não para cumprir seus desejos particulares, mas as ordens divinas. Se ele tivesse enxergado doutra forma sua reação teria sido diferente. Voltaria para casa com o coração cheio e certo de que pelo menos naquela geração sua pátria não teria guerras contra os Assírios.
            O Senhor buscava respostas do interior do profeta, instigava-o a encontrar dentro de si essas verdadeiras e novas razões de ser. O desafio era dar um novo significado diferente do que até agora tinha atribuído a cada situação de sua vida nestes episódios. Portanto, cabe a nós aprendermos com tudo isso e desenvolver a capacidade de nos reinventarmos diante da dor, da perda e do infortúnio. Não podemos nos cristalizar em sentimentos auto destrutivos. E apesar da fase difícil que vivamos, certamente passará e com ela uma nova visão de mundo e de ser poderá surgir.
            Deus desafiou Jonas a encontrar outros motivos para viver. Embora Jonas pedisse a morte, Deus pretendia outra coisa – a vida para seu servo. Não era tempo de morrer, mas de vida. Uma cidade inteira tinha acabado de ganhar a vida e o profeta pedia seu fim. Por motivos que Deus não considerava nem justos nem sensatos.
            O Senhor cria circunstancia para que ele encontre outros motivos para ser feliz ou para sentir prazer na vida. O meio de aflorar suas emoções foi criando uma plantinha que protegeu seu corpo contra o Sol (4: 6).  Embora sua dor fosse forte para ele, Deus oferecia oportunidade para que veja que é possível sentir-se feliz noutras estâncias da vida.
            Mesmo que na depressão o individuo sinta que o mundo acabou e que não há mais porque viver, Deus lhe mostra que a vida é surpreendente e que a cada momento o inusitado, o belo e o bem podem renovar esperanças. A planta lhe ofereceu prazer e refrigério ainda que momentâneos, no caso ela serve como aperitivo de como a vida pode apresentar coisas boas e que justifiquem a sobrevivência.  
            Tantas pessoas desistem da vida por causa de acontecimentos que não podem ser mudados ou trazidos de volta. Condenam toda a sua existência à vegetação não se permitindo mais serem felizes de forma alguma. Tal postura não deixa de ser uma auto punição, onde a recusa por se deixar tocar ou penetrar por algo bom e libertador, preserva a dor e a lembrança do triste acontecimento com uma ligação que prende ao elo/objeto perdido. Era disso que Deus queria libertar o profeta Jonas.
*Conclusão:
            A depressão do profeta Jonas chegou a níveis quase irremediáveis. Lamentavelmente não sabemos o fim da sua história, talvez para que haja espaço de continuação com a nossa própria. Contudo, ficam aqui registrados seus sintomas, manifestações e o tipo de tratamento que Deus ofereceu ao seu servo. Tratamento este que apresenta princípios universais que contribuem para o soerguimento de qualquer um que indique níveis leves e iniciais de depressão.
            Jamais podemos esquecer a importância da fé em qualquer esfera da vida humana, portanto, seja qual for à ajuda que você se valer, busque a Deus e desenvolva uma relação intima e duradoura com Ele. Deus o ama e quer que você viva de maneira santa e feliz.

+ Revmo. Dom Raniere Campos
“Ad Magnum Dei Gloriae”


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“Não julgueis para que não sejais julgados”

“Não julgueis para que não sejais julgados” 

            O julgamento é uma atitude altamente reprovada pelo Senhor Jesus Cristo. Se podemos dizer que há algo que ele odeia é a postura de condenar o próximo com bases em julgamentos falhos e injustos. Diversas vezes no Novo Testamento o encontramos em conflito com os fariseus por assumirem cargo de juizes de todos.
            Jesus dirige suas palavras aos seus discípulos na intenção de corrigir esta postura de superioridade sobre os demais. Nada se afasta mais dos princípios de Cristo do que esta atitude de estereotipar e engessar as pessoas numa condição de reprovação sem permitir a possibilidade de mudanças.
            Embora sejamos encorajados a não julgar, precisamos entender que estamos constantemente fazendo avaliação das pessoas, e o próprio Senhor Jesus nos ensina a identificar os falsos profetas e distinguir os servos da luz dos servos das trevas. Recomendações tais como: “pelo fruto reconhecereis a árvore” e “examinai os espíritos” são sentenças claras que mostram a necessidade de discernirmos o certo e o errado, o bem e o mal.
            Contudo nosso julgamento não deve ser de caráter moral e impiedoso. Sobretudo quando resultante de motivações ilegítimas.
            O Mestre apresenta alguns possíveis motivos espúrios que nos levam a fazer juízo de outros, por isso, adverte tão veementemente “não julgueis”.                   Vejamos as intenções mais comuns envolvidas em nossos julgamentos:
* Causas mais freqüentes de julgamentos:
A Vaidade faz do seu possuidor um juiz da virtude e do vício, da pureza e da corrupção. A mania exibicionista de expor as qualidades e como se fala dos grandes e prodigiosos feitos. Exemplo disso é o ministro que deixou de tomar chá, café e coca cola, quando a verdadeira razão dessa atitude foi a de parecer melhor do que as pessoas que o cercam e que bebem grandes quantidades dessas bebidas.
A intenção é se exaltar, crescer na admiração das pessoas à custa de realizações e patamares alcançados, ao passo que o outro é visto como incapaz de atingir tal posto. É o nível de santidade, intelectualidade, econômico e profissional que “eu” cheguei e o outro não. Neste caso o “eu” é o parâmetro para julgar o outro.
A Inferioridade produz uma ambição exagerada, o individuo não consegue conter o impulso de julgar numa perspectiva de depreciação moral dos outros, derrubar os outros significa a elevação de si mesmo. Por mais que se autorepreenda e que rejeite esses julgamentos (como prazer por ter evitado a fofoca), sua necessidade interior de se afirmar como importante faz com que continue condenando os outros inconscientemente.
Tais indivíduos tentam superar a inferioridade que sentem julgando os outros menores ou desqualificados em relação a si, procuram justificar sua falta de valor próprio desvalorizando outros através de emissões de juízos no inconsciente. Eles não expõem suas idéias acerca dos outros apenas guardam para si. O que é pior já que não se submete a repressão social, age caladamente como sendo uma sentença fixa sem se abrir a opiniões de terceiros.
A Inveja tem uma nuance diferente, ela cobiça o alheio. Quer pra si o que é do outro e que não pode ter. De alguma forma está intimamente relacionada às anteriores, a maneira que se tem de aliviar a infelicidade sofrida por não ser ou ter o que é do outro é recompensada na tentativa de imitação. O julgamento se processa no aumento do defeito do próximo.
Aqui caminha de mãos dadas com a hipocrisia que é a forma de disfarçar tal sentimento feio. Assume-se uma aparência de piedade, pois bem disse Jesus quando advertiu para o suposto interesse em ajudar o semelhante: “Deixa-me tirar o cisco do teu olho”, quando seu real motivo é denunciado: “Hipócrita, tira primeiro a trave que está no teu olho e só assim poderás ver para tirar o cisco que está no olho do teu irmão”.
            Todos esses problemas são do campo do relacionamento interpessoal. Nossa relação com o próximo é tão difícil em grande parte porque envolve questões interiores não resolvidas ou mal resolvidas. Conhecedores destas possíveis causas que não são nem um pouco santas, tomemos precauções na hora do julgamento, lembrando sempre do mandamento do Senhor: “Não julgueis para que não sejais julgados”.
* Sugestões para não cair no falso julgamento:
Compreender os motivos que me levam a julgar: Antes de fazer qualquer julgamento é importante vasculhar nosso coração e saber o que se passa ali, quais os interesses que estão nos levando a tal conduta. “A própria compreensão fará muito pela clarificação das motivações e mostrará os ardis nelas existentes” contra as quais se devem lutar. Ao compreendermos nossos sentimentos de vaidade, inferioridade, inveja ou ambição egoística de forma nua e crua, logo seremos tranqüilizados em relação à necessidade de condenar o semelhante. Nas palavras de Jesus enxergar a trave no próprio olho fará com que busquemos primeiro o auto julgamento sem nenhuma pretensão de condenar quem quer que seja.
Ter coragem de assumir as imperfeições: isso quer dizer se capaz de errar. Encarar a si mesmo em verdade e graça e ser capaz de assumir que o problema talvez não esteja fora, mas dentro. “Deixa-me tirar o cisco do teu olho”, é a demonstração de ver no outro seu pequeno problema enquanto se tem uma trave no próprio olho. Ter a coragem de reconhecer a imperfeição e que somos capazes de falhar é uma virtude terapêutica no processo de amadurecimento. Quem assim procede deixa de culpar o mundo por suas próprias falhas, na verdade, o fracasso e as falhas passam a ser interpretadas não como o fim, mas como instrumentos de aperfeiçoamento. Quem é perfeccionista brinca de ser deus.
Quem pensa duas vezes desiste de ser juiz ou algoz dos outros porque passa a ver em si mesmo problemas suficientes a serem trabalhados. A coragem de assumir defeitos implica na transferência dos esforços para outro campo de batalha, o do crescimento pessoal em vez do julgamento alheio. Este é o primeiro passo para se fazer coisas realmente importantes na direção de superar fracassos e adquirir sucessos na convivência consigo e com os demais.
Sentir prazer no processo de viver, como em seus objetivos: possibilitará uma nova visão da vida, um novo entendimento da dinâmica da própria existência e seu significado. É saber que estamos num processo de evolução como cristãos e cidadãos deste planeta. E todo processo envolve investimento de tempo, trabalho e avaliação. Estamos em movimento, aleluia! Movemos-nos para um fim enquanto finalidade que é atingir a medida da estatura do homem perfeito – Jesus Cristo.
Prazer está no fato de que podemos desfrutar essas transformações, como a palavra grega aponta “metamorfose”, a transição de uma lagarta para uma linda borboleta. Sentir prazer tanto no caminho como na caminhada, enquanto isso entender que tanto nós como os outros estamos ainda em construção, ninguém está formado. Por isso a preocupação em julgar nada mais é do que uma precipitação do fim. Em sentindo este prazer, seremos libertados da necessidade ulterior de prender as pessoas ou nós mesmos em julgamentos fixos e condenações injustas.
Veremos que o julgamento não precisa fazer parte da nossa vida obrigatoriamente. Enquanto amamos a vida com aquilo que ela nos apresenta nos tornamos capazes de aprender com tudo e todos e aprender também que com o tempo as pessoas mudam.
Ser interessado nas pessoas por causa delas mesmas: antes de julgar alguém precisamos nos perguntar se o estamos fazendo porque realmente nos interessamos pela pessoa, por causa dela, e não pela necessidade de auto afirmação ou motivos acima apresentados. Guarde esta regra cristã para sua melhor orientação: “Pessoas são mais importantes do que seus erros”.
Verifique quais as verdadeiras causas que te impedem de admirar as pessoas pelo que elas são em si mesmas. Somos hábeis em mascarar as verdadeiras motivações com fachadas superficiais e mentirosas. Alguns dizem: “eu amo as pessoas por amor a Deus”. Sendo apenas uma desculpa por não conseguir admirar liberal e despretensiosamente seus semelhantes.
Conhecendo bem esta falácia do coração humano o Senhor Jesus repreende: “Hipócrita, tira primeiro a trave que está no teu olho e só assim poderás ver bem para tirar o cisco que está no olho do teu irmão”. Todos poderiam dizer: “veja só quanta demonstração de solidariedade em querer ajudar o irmão tirando o cisco de seu olho”. Sendo que na verdade esta é uma demonstração de fingimento, pois seu propósito era apontar a falha do irmão (embora pequena – um cisco). Ao passo que ele mesmo tinha maiores defeitos (uma trave no olho).
O certo segundo nosso Senhor é buscarmos nos corrigir para em seguida tentarmos ajudar o irmão. Ajudar com as motivações corretas. Ajudar por ele. Pelo real desejo de ajudar, o que deve falar mais alto é o interesse pela pessoa e seu bem-estar.
*Conclusão:
Devemos ser cautelosos com os juízos de valores que fazemos dos outros. Como cristãos deveríamos ser totalmente desprovidos da necessidade de julgamentos alheios. Apontar é sempre uma grande responsabilidade e traz muitas implicações sérias tanto para quem é a vítima que sofre danos muitas vezes morais e psicológicos quanto para quem julga porque atrai mais severo julgamento de outros quando errar ou cometer falhas.
Observemos nossas motivações interiores antes de julgar e tenhamos em mente estas sugestões aqui apresentadas para orientar nosso convívio com as demais pessoas, pois agindo assim cumpriremos a lei de Cristo – que nos amemos uns aos outros como Ele nos amou. Amém!

+ Revmo. Dom Raniere Campos
“Ad Magnum Dei Gloriae”


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“Tenho, porém contra ti que abandonaste o teu primeiro amor”. Apocalipse 2:1 a 7.

“Tenho, porém contra ti que abandonaste o teu primeiro amor”. Apocalipse 2:1 a 7. 

Contexto histórico:
            A carta a igreja de Éfeso é a primeira das sete que João escreve no apocalipse. Sua principal reflexão é a cerca do perigo de indiferença emocional causada pelas constantes lutas e adversidades da vida. A igreja estava localizada num contexto social próprio, portanto faz-se necessário conhecermos melhor suas peculiaridades para entender os elogios e advertências feitas pelo Senhor Jesus a esta comunidade que servem também para nosso crescimento espiritual.
            Éfeso era uma cidade importante no império romano do 1° século, localizada na Ásia Menor, atual Turquia. Contava com um comercio religioso efervescente representado pelo culto a deusa Diana. Muitos ourives e fabricantes dos nichos da deusa sobreviviam desta fonte de renda, o que tornava a idolatria um negócio rentável e muitos fanáticos comprometidos com a permanência deste tipo de adoração pagã.
            A igreja fora fundada pelo apóstolo Paulo em suas viagens missionárias aos gentios. Desde os primórdios se mostrava fervorosa e ávida no trabalho da evangelização. Seu crescimento foi notório e sua firmeza e zelo pelo Evangelho se estenderam por toda a vizinhança da época. Além de Paulo, a comunidade teve grandes nomes no pastoreio como Timóteo e João.

Suas virtudes:
            O Senhor Jesus elogia as muitas qualidade da igreja, dentre elas:
*Dedicação ao Evangelho. Eram incansáveis divulgadores da mensagem de Cristo, sem medirem esforços expandiam o Reino em seu meio e nos lugares mais distantes.
*Zelo pela verdade. Fortes combatentes da heresia nunca se calaram diante das doutrinas dos nicolaitas. Seita fundada por suposto irmão chamado Nicolau, o qual ensinava que o sexo era livre dentro da comunidade entre irmãos, ou seja, os parceiros eram compartilhados sem restrições. Ele mesmo dividia sua esposa com outros, o que criava um ambiente de orgias e infidelidades sexuais. Tão forte era a repulsa da igreja  com o erro  que o Senhor Jesus assim a descreve: “Sei que odeias as obras dos nicolaítas, as quais eu também odeio”.
*Trabalho exaustivo. O testemunho de que a igreja desfruta é este: “conheço o teu labor e a tua perseverança”. Marcas indeléveis de um povo comprometido e dinâmico que chegava a exaustão no labor cristão. Eles tinham de lutar contra inimigos de dentro e de fora. Os nicolaitas dentro e os pagãos e perseguidores fora. Na luta pela sobrevivência enfrentavam verdadeiros embates com os opositores da fé. Motivo porque se mantinham firmes, a própria luta deixava a igreja ativa em prontidão a todo tempo.
*Discernimento espiritual. Como resultado deste trabalho extenuante, esta vigilância constante e este monitoramento incansável, eles se aprimoraram no discernimento do erro, eram peritos em descobrir e desmascarar o falso, não podiam ser facilmente enganados, pois estavam atentos e discerniam o que era verdade de Deus ou mentira humana. “Pois rejeitastes os que a si mesmo se declaram judeus e o não são, e aos que a si mesmo se nomeiam apóstolos e o não são, antes os achastes mentirosos”.
Embora contassem com todo este arsenal de virtudes e por elas tenham sido elogiados e reconhecidos, eles pecaram em algo aparentemente simples. Tinham todas as capacidades de sobrevivência e autogerenciamento, no entanto, falharam no ponto que exigia pouco deles, mas que se tornou essencial á sua existência enquanto igreja neste mundo e todo ser enquanto sensitivo e humano.
O abandono do primeiro amor.
            Nas palavras do Senhor Jesus, eles: “abandonaram o primeiro amor”.  No constante exercício da vigilância, trabalho e lutas, findaram por incorrer na mecanização da vida, ou seja, viver em prol do fazer e fazer de maneira técnica e engessada sem emoção, sem sentir a pulsão, o calor da ação em si. De tanto se exercitarem na função e desempenho perderam o primeiro amor ou amor do começo, de quando começaram sua carreira cristã com toda aquela paixão e entusiasmo pra Deus e por Deus, passando a viver da rotina não se perceberam frios e apáticos aos sentimentos que a vida traz em si e que todo ser humano não pode esquecer sob o risco de se tornar uma máquina, um número ou apenas um operário. Eles coaram o mosquito e engoliram o camelo. Deram extrema atenção a coisas importantes e esqueceram as essenciais.
            O perigo de se perder o primeiro amor é tão grave que coloca em risco de se tornar sem sentido tudo o mais que foi feito. Perder o primeiro amor equivale a perder o amor do principio quando as coisas eram feitas de todo coração e não somente pela obrigação de se fazer ou pelo costume do que se faz e como se faz. A perda parecia insubstituível mesmo por todas aquelas virtudes. Perder o primeiro amor ou o amor como princípio de tudo é igual a perder a verdadeira razão da vida.
            Portanto, para Jesus não importa somente o que fazemos ainda que seja o bem, mas também, como o fazemos que intenções permeiam nosso coração, que sentimentos estão envolvidos e com que intensidade amamos o que estamos fazendo. Ele não aceita nada de nossa parte que não seja de todo o coração, não admite dividir nosso amor com mais ninguém, muito menos que se viva ou faça algo para Ele que não seja de verdadeiro amor.
Aplicações:
*Todas as nossas ações devem ser feitas com amor. Quando nos depararmos com as proezas que o amor é capaz de fazer, logo concluiremos que não existe outra forma melhor de realizar nossas ações e alcançar resultados como através do amor. Por isso, tenha prazer no que faz e se não for possível procure outra coisa pra fazer, contanto que você faça de coração. Somente devemos mudar de atividade ou desistir da mesma se não nos trás qualquer contentamento na vida.
Comece fazendo por dever e como exercício, depois você fará espontaneamente. O amor é o tempero que deixa tudo na vida mais saboroso. Ainda que sua função ou papel não sejam exatamente aqueles que você gostaria, contudo, não te afligem ou diminuem sua dignidade, faça-o mesmo assim, porém, com aquela alegria de alma que o ato em si seja uma boa recompensa, certamente lhe fará sentir-se melhor e logo perceberá que é uma benção na sua vida. Evite reclamações infundadas, descontentamentos injustificáveis. E até mesmo inveja do seu próximo, porque a inveja é aquele desejo do alheio que você nunca poderá ter.
Experimente agradecer pelas coisas e situações da vida. A gratidão é a memória do coração. Pessoas que sabem agradecer vivem de coração mais alegre. Encontre os pontos fortes de sua ocupação e ocasião e sinta orgulho deles. É o primeiro passo para amar o que somos e fazemos.
*Cuidado com a mecanização da vida. Num mundo agitado em que vivemos, impessoalidade se tornou comum, as pessoas não se relacionam como antes, ninguém dar mais atenção ao problema ou sofrimento do próximo. No corre e corre das agendas cheias, longas jornadas de trabalho e alta exigência no mercado profissional, não sobra tempo para sentir o ambiente, pensar acerca do que estamos fazendo e de como estamos fazendo, havendo desta maneira uma total mecanização da vida, ou seja, a rotina se ocupa em tornar frio o coração e engessar os sentimentos, convencendo-nos de que nosso dever é somente repetir o processo, a dinâmica ou sistema sem maiores preocupações do ponto de vista subjetivo ou espiritual da vida.
            Aí segue dicas importantes contra este sistema: não se conforme com o fato apenas porque vem sendo feito desde muito tempo. Nunca se torne perito em lutar contra o erro perdendo de vista a esperança. Tenha cuidado contra o ressentimento. Peça a Deus coragem naquilo que você pode mudar, paciência no que não pode e sabedoria em todas as coisas. Acima de tudo arrisque-se confiando sua vida nas mãos de Deus e por fim, abra-se para o novo, a perspectiva de que você pode fazer diferente.

*Os maiores inimigos são os da própria alma. A igreja de Éfeso era combatente contra o mal existente do lado de fora, hábil em denunciar o erro e firme contra os inimigos externos. O que ela não percebeu foi que seu maior inimigo estava no seu interior. Que sua maior ameaça se encontrava do lado de dentro, enquanto se mostrava viva do lado de fora estava morrendo por dentro, tinha perdido o seu primeiro amor.
            É verdade que todos nós precisamos de alguém para por as culpas às vezes, alguém que sirva de bode expiatório, em quem podemos projetar nossos fracassos, erros e frustrações, porém, sempre chega ou pelo menos deve chegar o momento de assumir nossa responsabilidade. Perder o contato com o eu interior é o pior perigo que podemos correr, quando acontece perdemos a capacidade de auto-reconhecimento, de humilhação, e, com isto, a oportunidade de arrependimento e reconstrução.
            A igreja não se percebia, não era capaz de ver seu desvio, sua queda. Foi necessário que o Senhor a alertasse: “Arrepende-te, vê onde caíste e volta”. Essas palavras são endereçadas a ela, como se falasse consigo mesma, buscasse a causa da queda dentro dela e não fora. Alerta! Se você está muito crítico com tudo e todos, se a intolerância com os erros alheios altera seu humor freqüentemente, se você sente prazer em denunciar irregularidades e defeitos sem pensar nunca numa solução e não se permite auto reflexão ou exame de consciência, cuidado! Você pode ser um forte candidato abandonar o amor como princípio da vida. 
             O remédio para a cura é arrependimento. Primeiro um reconhecimento de que as coisas não vão bem, assumir que precisa de ajuda. Segundo, ponderar acerca de quando e como chegou a este ponto na caminhada, de que elementos contribuíram para solapar as emoções de suas atividades e relações. Terceiro, assumir nova postura diante da vida através de boas leituras, mais tempo com a família, assíduas atividades espirituais com a igreja e o desenvolvimento de um trabalho voluntário de vez em quando, sem esquecer é claro de tempo para passear e conviver com pessoas e espaços agradáveis. Porém, o principal é uma vida devocional mais fervorosa, conhecer a Bíblia e o Deus da Bíblia. Amém

+Revmo. Dom Raniere Campos
“Ad Magnum Dei Gloriae”


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