sábado, 16 de novembro de 2013

Aspectos negativos de sua personalidade e conduta

Aspectos negativos de sua personalidade e conduta

             Ao nos referirmos a Jonas temos a tendência de culpá-lo pela sua covardia. Costumamos enfatizar aspectos negativos de sua personalidade e conduta, no entanto, esquecemos que estamos tratando de um ser humano com todas suas crises, dificuldades e belezas. Será que Deus estava ciente de tudo isso, ou seja, de tudo o que Jonas era? Será que Jonas merece ser julgado ou condenado por nós pela sua recusa em ir a Nínive? Será que nós no lugar do profeta agiríamos diferente? Estas são questões que devem ser observadas de perto. Quero convidar você a mergulhar comigo experiência de Jonas e descobrir os tesouros ali escondidos.
*A Realidade do Medo:
            Não existe ser humano sem medos. Nunca existiu um que desconheceu o medo e seus efeitos na vida. Todos nós durante nossa existência experimentamos momentos de temores profundos, alguns mais leves, uns ilusórios, outros reais, criados ou impostos, assim são nossos medos. A forma como experimentamos e o significado que damos a cada um deles é produto da nossa subjetividade e história de vida.
            Nada é mais injusto do que julgar o medo do outro com bases em nossa experiência. Uns tem medo de altura, enquanto outros da solidão, portanto, não cabe a nós definir o que é realmente medo, ou qual objeto merece sim ser qualificado como verdadeiro instrumento de temor.
            Tendo consciência disto respeitemos cada um com suas dificuldades. O que nos ajudará a entender melhor nossos semelhantes e facilitará no trato mútuo. Sem contar que aumentará o autoconhecimento, fortalecerá nossas bases emocionais no tratamento contra os medos e a diminuição dos seus impactos causados em nossas vidas.
*Alguns medos de Jonas:
             Medo do inimigo. Talvez numa seqüência apresentada pelo próprio texto o primeiro medo do profeta foi do contato com seu inimigo. Logo no início do livro, Deus lhe fala: “Dispõe-te e vai à cidade de Nínive”. Jonas se levante e viaja, mas não para o destino ordenado, pelo contrário, segue uma direção oposta para Társis na Espanha. O lugar mais distante do mapa naquela época foi para onde o missionário partiu.
            Ele não queria contato com os ninivitas, pois eram inimigos do seu povo. Havia muitos anos as duas nações estavam em combates. Eles eram cruéis e impiedosos. Como agora poderia ele ir ao lugar deles? Porque expor sua vida na terra do povo que mata a sua gente? Acredito que Jonas pensou que fariam o mesmo com ele. Não é difícil imaginar que ele temeu pela sua vida.
            A ordem de Deus parecia absurda. Um teste sem precedentes na carreira do profeta. Profetizar em si não era uma missão fácil, muitas vezes as pessoas odiavam o profeta por causa de sua mensagem de condenação ou reprovação, mas tudo bem ele já estava acostumado com isso mesmo entre seu povo, acontece que ele iria levar uma mensagem super desagradável para um povo inimigo e super violento. Sua cabeça estava em risco e sabia bem disso. Este medo não se constitui um medo da morte somente, mas tudo o que o inimigo pode fazer de dano, como: provocação, desrespeito, vexame, calúnia, perseguição, opressão, tortura, prisão e etc.
Como nos sentimos fragilizados e vulneráveis às vezes que estamos expostos aos ataques dos adversários. A paz acaba, sentimento de instabilidade e indefesa brota no coração, o sono foge e pesadelos aparecem, o semblante decai e a existência parece pueril diante da eminência de destruição.
São duas as reações mais comuns dos seres humanos diante do medo: resposta de fuga ou luta. Jonas fugiu. Nem todos tem estrutura para enfrentar certas adversidades ou estão no melhor momento para ficar e resolver problemas.
A relação com inimigo é complexa podendo nos escravizar em pensamentos e até mesmo comandar nossas ações sem que percebamos. Por exemplo: “eu não vou à festa porque fulano estará presente”, ou, “ai que eu vou mesmo para mostrar minha cara”. Em ambos os casos quem está ditando o comportamento é a ligação emocional com o opositor. E quantas e quantas atitudes não são tomadas com base nesta premissa? Jonas pensou, não vou para Ninive porque é onde estão meus inimigos.
O Senhor Jesus Cristo nos deu uma orientação acerca deste medo, pois disse: “Não temais o que vos podem fazer os homens, antes, temam a Deus que pode matar o corpo e lançar a alma para o inferno”. O que estará dizendo com isso? Está nos advertindo de que apesar de todo mal que os homens podem nos fazer, o máximo que podem é tocar no corpo e restritamente a este mundo. Enquanto que Deus é aquele que verdadeiramente devemos temer, não no sentido de pavor ou pânico, mas de submissão. Porque Ele tem poder sobre nós no corpo e na alma, na terra e no além túmulo. A intenção de Jesus aqui não é nos levar a transferir o medo dos homens para Deus, e sim, não temermos aos homens uma vez que somos submissos a Deus todo poderoso. Noutras palavras quem tem Deus não tem a quem temer.
Davi em seu famoso salmo, diz: “Preparas-me uma mesa na presença de meus adversários, unges minha cabeça com óleo e o meu cálice transborda”. Esta é uma declaração vitoriosa de quem se libertou da tirania do medo de seus inimigos. De quem consegue comer e viver bem a despeito de toda conspiração e ameaça. Eis alguém que não teme seus carrascos, tampouco se deixa conduzir pelo constrangimento deles. Alguém para quem o medo provocado pelo inimigo perdeu a força. Alguém que aprendeu sentir-se seguro no cuidado de Deus e não em suas estratégias de lutas ou defesas.
O medo do inimigo deve tomar conta de nós só até o momento em que nos entregarmos aos cuidados de Deus e passarmos a confiar que o Senhor estando conosco nada nos poderá fazer o homem.
Medo interior: O inimigo pode ser material ou imaterial. O filósofo já disse: “O homem é o lobo do homem”.  Numa perspectiva cristã o pecado que habita nossos corações é o maior de todos os males do mundo. A maior luta se trava no coração humano.
De fato, Jonas não tinha certeza de que aquilo que temia aconteceria ou não, porém no seu interior já se formara o receio e até possivelmente toda cena ainda não existente. As maiorias de nossos medos se dão pelo que criamos em nossa mente e não pelo que é fatual. Criamos gigantes, lutamos contra eles e em muitos casos somos derrotados por nossas criaturas.
Tal medo é o representante de todos aqueles que estão ligados à nossa alma. Medo do desconhecido, do abstrato, do conflituoso em nós. Medo do contato com os medos em residentes no coração.
Medo do abandono: No ventre do grande peixe Jonas clamou: “Lembro-me dos teus altares, voltarei a vê-los”?  Ele estava com medo de ser deixado por Deus ali na barriga daquele peixe no fundo do mar. De acabar sua história assim sem nenhum significado. Medo de ser abandonado. De terminar sem ninguém ao seu lado, de ser esquecido.

QUAL É O SEU MEDO JONAS?



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