sexta-feira, 5 de abril de 2013

O papel das religiões na sociedade!


O papel das religiões na sociedade!
Desde os primórdios os seres humanos já estavam envoltos em diversas atividades sociais primitivas, como a caça e tantas outras visando à sobrevivência, mas justamente por extrapolarmos e inovarmos todas as atividades sociais é que nos destacamos e avançamos mais que outras espécies. Esse pode não ter sido o único ponto que nos fez chegar onde estamos hoje, mas foi com certeza um dos mais importantes, que inicialmente não precisa ter acontecido conscientemente, muito provavelmente aconteceu como descrito na teoria da evolução de Darwin, ou seja, como uma anomalia, uma exceção a regra geral que tenha nos destacado e dado uma nova posição na cadeia alimentar.
Porem em algum momento, talvez também por puro acaso, ganhamos um segundo empurrão na escala evolutiva: ganhamos consciência do que estávamos fazendo! Percebemos a sinergia ganha com o trabalho em grupo, das vantagens de uma estrutura social, e evoluimos mais e mais nesse conceito. Mas como sabemos que nem tudo são flores, percebemos também que não era tão fácil assim, viver em sociedade pode ser desastroso quando não abordado de forma correta, requer muitos cuidados e mais do nunca: comunicação, que por si só se tornou para nós uma arte e uma ciência!
Visualizemos alguém ganhando consciência disso tudo (ou parte disso) e decidindo trabalhar o conceito, após certo estudo e querendo aplicar suas novas teorias, concebe uma estrutura social com leis, regras, padrões de bom censo, algumas noções comportamentais básicas, saúde, higiene, etc e etc, mas tudo isso em uma sociedade primitiva, totalmente alheia, sem estudo ou mesmo noção de raciocínio lógico formal necessário, somente preocupada com a auto-sobrevivência e subsistência.
Uma das maneiras mais efetivas de se atribuir regras e leis quando não se consegue explicar aos outros o motivo ou vantagens delas é atribuí-las a algo maior, superior, que deve simplesmente ser seguido, seja com idéia de um lider com aptidões divinas, ou pela combinando com conceitos metafísicos que os justifiquem. Isso te lembrou algo?
A religião foi e ainda é muito utilizado para estruturação, manipulação e controle de diversas sociedades, muitas vezes de maneira perversa e destrutiva, mas não é algo negativo quando se tem boa índole e não há outro meio de criar essa grande sinergia de trabalho em grupo, pelo menos até que os indivíduos estejam prontos para entender o porquê estão fazendo tudo aquilo, quais as vantagens e desvantagens.
É natural que aos poucos, com a evolução da sociedade em geral, esses antigos sistemas de controle se tornem cada vez menos consistentes e necessários, sendo assim a religião foi com o tempo, cada vez mais, se afastando da política. Não precisamos mais de leis divinas ou medo de ir para o inferno para entender e aplicar boas práticas de convivência ou mesmo coisas mais básicas sobre saúde e higiene que podem dobrar nossa expectativa de vida.
Esse afastamento religioso já era previsto por grandes pensadores e filósofos como o postumamente aclamado Friedrich Nietzsche, mas segundo eles, a sociedade um dia iria se achar livre de todo e qualquer resquício religioso, o que não é o que parece estar acontecendo.
Algumas religiões com conceitos não exclusivistas que preservaram muitos de seus conceitos de maneira mais lógica e racional durante os séculos estão não somente sobrevivendo, mas às vezes se tornando ainda mais fortes e relevantes atualmente, ganhando terreno em terras que nunca tinham antes tocado. Um bom exemplo disso é o budismo, alem de invadir a vida ocidental, nas ultimas décadas vem trabalhando em paralelo com a ciência em novos estudos psicológicos e neurocerebrais.
Alem das antigas, novas religiões continuam a surgir com o tempo, tecendo novos conceitos e ganhando muitos adeptos, muitas vezes baseados no que alguns chamam de “fé raciocinada”, como o Espiritismo codificado por Allan Kardec. Várias delas podem servir de um ótimo impulso a novos estudos, dando uma previa a conceitos hoje considerados metafísicos, mas que estão aos poucos despertando o interesse por cientistas do mundo todo.
A sua forma, o ateísmo e o materialismo tiveram um forte efeito positivo em nossa evolução social, nos ajudando a manter um olhar mais racional e questionador perante o mundo e a nos mesmos, nós afastando aos poucos do pensamento irracional divinamente justificado. No entanto, essa mesma linha de raciocínio quando levada de modo extremo pode se tornar tão perigoso, de alguma forma religiosamente dogmática, quanto tudo o que ele é contra.
No final não estamos imunes de algum efeito colateral do nosso afastamento religioso, alguns dos antigos conceitos que antes eram divinamente explicados e acabamos por deixar para trás podem sim ter um impacto positivo em nossa vida quando praticamos, ou mesmo podem ter conceitos que nossa atual sociedade ainda carece de alguma forma, pois não aprendemos o real significado de vários deles em nossa vida, como o amor, humildade e perdão, que antes não tinham como ser explicados de outra forma senão mascarados por parábolas e fabulas fantasiosas. Talvez hoje esses conceitos abstratos e seus efeitos possam ser mais bem explicados pela ciência e aplicados de forma racional em nosso dia a dia.
O grande papel das religiões em nosso século será de abrir nossa mente para novas e grandes possibilidades, quebrando barreiras, paradigmas e condicionamentos sociais, alem de resgatar conceitos sociais básicos que ainda hoje não foram bem trabalhados, isso tudo somente se nos permitirmos percorrer esse caminho de forma saudável, sem nos limitarmos a somente um ou outro ponto de vista, seja ele religioso, científico ou filosófico.
11MAI/11
Pesquisando etimologicamente a palavra religião vem do latim religare ou religio, com sentido de re-conectar, de restabelecer laços ainda em vida com o criador, Deus, Cosmo ou de algum estado pleno ou original. Buscando com isso tornar seus praticantes melhores que antes de alguma forma.
Sempre muito próxima da filosofia, religiões em geral têm um caráter metafísico revelativo, seu objetivo inicial é responder perguntas difíceis, a maioria delas feitas desde o tempo que engatinhávamos na autoconsciência, com temas que nossa ciência humana esta longe ou tem grande dificuldade de responder, como vida após a morte, gênese e objetivos existenciais.
Alem de perguntas totalmente metafísicas, algumas religiões nasceram da tentativa de explicar coisas mais rotineiras do dia a dia, como as origens e cessações da dor humana, que no caso do budismo acabou levando a todo um estudo, pratica e filosofia milenar sobre a mente. Já outras nasceram de eventos específicos, como experiências científicas do século passado sobre magnetismo que esbarraram no que foi definido como efeitos inteligentes autônomos, dando origem ao Espiritismo de Allan Kardec e toda uma abordagem sobre vida após a morte.
Mas de longe, a principal característica que define cada religião e seus praticantes é uma: o caminho, basicamente formado de dogmas e ritos, que formam o comportamento sugerido para efetivamente realizar seu religamento com algo superior, como por exemplo: rezar para ir pro o céu, meditar para atingir a iluminação ou pratica da caridade para evolução espiritual.
As religiões já foram usadas massivamente por causas egoístas, usando o nome de Deus para massacres com máximas e dogmas como justificativa para tragédias sangrentas, porem do mesmo modo que não se pode julgar uma cultura por atos isolados, não podemos julgar uma religião inteira por indivíduos extremistas e destoantes do contexto geral.
Em ultima análise as religiões têm um objetivo final comum: Amor. Possuem sempre alguma máxima que, mesmo tendo suas variações, têm o mesmo significado do ditado cristão: "não fazer para o próximo que não gostaria para si mesmo", servindo assim como uma base de boas praticas para todo comportamento social da população, afastando-nos da selvageria e buscando impulsionar nossa evolução de algum modo.

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