segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

A Tentação de Jesus - Bem e Mal se Encontram no Deserto




A Tentação de Jesus - Bem e Mal se Encontram no Deserto


Quando estava prestes a iniciar seu ministério terreno, anunciando a chegada do Reino de Deus, Jesus é levado ao deserto e em quarenta dias de jejum e oração é confrontado por Satanás que lhe faz muitas propostas. A passagem é bem conhecida e recebe por título “A Tentação de Jesus” em todos os Evangelhos. Sempre que leio, penso em quanto esse momento foi decisivo para história da humanidade. Bastaria um sim de Jesus e todo o plano salvífico estaria fracassado. Bastaria um vacilo, um acenar de cabeça concordando com o diabo e tudo estaria consumado em desgraça e maldição para os homens.

O diabo não tem sucesso em suas investidas e Jesus, de forma objetiva, sem longos discursos, pronunciando a Palavra de Deus, vence o mal e consuma na cruz do calvário a salvação que nos é dada. Na cruz, Ele resgata o que havia se perdido no Éden, quando Adão e Eva, dizem sim a serpente e acatam a sugestão diabólica de que “ sereis como Deus, sabendo o bem e o mal e não morrereis” :

“E vendo a mulher que aquela árvore era boa de se comer, e agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento, tomou do seu fruto, e comeu, e deu também a seu marido, e ele comeu com ela”. Gn 3: 6

No deserto da Judeia, lugar seco, sem pomares, o diabo aparece usando elementos naturais, típicos do ambiente, para tentar Jesus: “transforma essa pedra em pão e come, porque estás com fome” Lucas 4:3. A árvore proibida do jardim, aquela que Eva já havia visto e rodeado tantas vezes, foi nela que a serpente se enroscou. Porque o mal não chega de forma espantosa, nos assombrando com suas propostas. Ele aparece em nossa rotina, no dia a dia, assim como uma tênue linha no tempo separando abismo e paraíso.

Na igreja, na família, no trabalho, em lugares de nosso convívio, o mal aparece disfarçado de bem, porque sua essência é a mentira e quando domina sua presa, se revela como angustiante e terrível, mostra suas garras com objetivo tão somente de roubar e destruir vidas: “porque não há verdade nele, e fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira” João 8:44. Ele não falou a verdade para Eva, nem para Jesus, também não falará para mim e para você.

Percebam que ao longo das narrativas Bíblicas, reais e proféticas, o mal tenta desviar os servos de Deus de seus caminhos, das promessas Divinas, fazendo-lhes propostas que aparentemente não apresentam perigos, pelo contrário, até soam bem como se fossem a melhor e mais agradável solução para o que de maior aflige o coração. Isso mesmo, o mal escolhe “o ponto fraco, o calcanhar de Aquiles” e ali destila seu veneno, aos poucos, até nos fazer acreditar que o que vivemos, é de fato a melhor das opções. Foi assim com Adão e Eva, com Moisés, com Abraão, com Davi, com sansão, com Jesus, com apóstolo Paulo.

Não nos enganemos, essa história ainda não terminou, eu e você somos alvos das estratégias malignas de Satanás que dia após dia é encarregado de nos desanimar, a fim de que façamos escolhas erradas, segundo as necessidades que nos afligem. Moisés teve que optar entre ser chamado “filho da filha de faraó e viver no luxo do palácio a ser mensageiro de Deus conduzindo os israelitas no deserto” (Hb 11:24,25).

A promessa para Sara e Abraão era sobre Isaac, mas antes disso, existiu Agar e Ismael (Gn 16). O que dizer de Davi com Betseba? Ela apareceu para ele, por entre as janelas do palácio, banhando em seu quintal e Davi deu uma primeira olhada, e mais uma, e mais uma, até por fim ser vencido ( II Samuel 11: 1-27). Sansão foi enganado por Dalila, aquela que parecia ser um grande amor. Apaixonado, Sansão não percebe que ela havia sido contratada com o fim específico de destruí-lo. Sansão parecia mesmo está vivendo um paraíso, mas o fim, era o abismo, porque o diabo mente, até dominar sua presa e revelar seu cativeiro.

O diabo não faz pacto de fidelidade com ninguém, essa não é sua essência. Ele faz o ladrão roubar e ainda ser preso para viver seu inferno. Faz o drogado se drogar e perder a confiança da sociedade. Um abismo leva a outro abismo (Salmo 42:7). Apóstolo Paulo, se tornou um homem de relevância para o cristianismo, antes disso, porém, mergulhou no abismo da religiosidade: “Mas o que para mim era ganho, reputei-o perda, por CristoJesus” ( Filipenses 3: 5-14)

É claro que o homem tem sua parcela de culpa pelos males cometidos, o diabo não é irresponsável sozinho. Mas a quem Deus deu o direito da escolha? Ao homem, e cada um está livre para escolher até mesmo não ser livre. E para cada proposta que nos é feita existe bem e mal:”Eis que hoje eu ponho diante de vós a bênção e a maldição;A bênção, quando cumprirdes os mandamentos do Senhor vosso Deus, que hoje vos mando; Porém a maldição, se não cumprirdes os mandamentos do Senhor vosso Deus, e vos desviardes do caminho que hoje vos ordeno, para seguirdes outros deuses que não conhecestes.” Deuteronômio 11:26-28. E só poderemos escolher entre bem e mal, se ambos se apresentarem para nós.

Jesus escolheu o bem quando o mal estava bem diante Dele. Escolher, é algo que tem inicio em nosso interior, por essa causa, diz ainda a palavra: “cada um é tentado quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência, depois, havendo a concupiscência concebido, dá a luz a pecado; e o pecado, sendo consumado, gera a morte” (Tiago 1:14,15)

Os planos de Deus não se frustram

Sabem de algo incrível que percebi lendo os Evangelhos?! É que para cada proposta, feita a Jesus, por Satanás no deserto, Deus suscitou algo muito maior! Não, não, as propostas feitas no deserto da Judeia, não eram o que de maior poderia ter acontecido a Jesus Nazareno! O diabo mentia para Jesus, o momento era grandioso, decisivo, mas o que ele propunha para Jesus era muito pouco, diante do que Deus havia reservado.

“Disse-lhe, então o diabo: Se és filho de Deus, manda que esta pedra se transforme em pão” (Lucas 4:3)

Jesus não transformou apenas uma pedra em pão, mas cinco pães foram multiplicados para mais de cinco mil pessoas. ( Lucas 9:10-17) Ele não quis matar a própria fome, mas a fome da humanidade, sendo Ele mesmo O Pão da vida ( João 6:35).

“Disse-lhe o diabo: Dar-te-ei toda esta autoridade e a glória desses reinos, porque ela me foi entregue, e a dou a quem eu quiser. Se me adorares, tudo será teu” (Lucas 4:6-7)

O mundo jaz do maligno e ele domina o presente século ( I João 5:19), mas Jesus recebeu de Deus autoridade para dissipar as trevas, vencer o maligno, através da obediência ao Pai e do amor por nós. Ele é o Nome que está acima de todo nome, autoridade e poder para salvação, somente em Jesus Cristo se encontram ( Lucas 4:32, 5: 24).

“Mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens;E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz. Por isso, também Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu um nome que é sobre todo o nome; Para que ao nome de Jesus se dobre todo o joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra,e toda a língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai.” Filipenses 2:7-11

“Se és o filho de Deus, atira-te daqui abaixo, porque está escrito: Aos seus anjos ordenará a teu respeito que te guardem; e eles te sustentarão nas suas mãos para não tropeçares em alguma pedra”. Lc 4: 10-12.
Primeiro o diabo leva Jesus para um lugar muito alto e depois pede que Ele se jogue de lá. A glória do mundo traz infelicidade. Alcançar fama e sucesso pode ser prazeroso. O status, reconhecimento, louvores, dinheiro e tudo o mais sem a presença de Deus na vida é como esse abismo proposto por Satanás, e quantos não o vivem?

Jesus não buscou a glória do mundo, mas recebeu fama e glória pelas mãos de Deus. E sabe o que me chamou à tenção? É que os fariseus quiseram jogar Jesus de cima de um monte em Jerusalém, eles estavam revoltados com a fama alcançada por Jesus, com as tantas vidas que estavam sendo curadas. Os fariseus estavam perdendo lugar, atenção, sendo relegados e feridos naquilo de que mais se orgulhavam: Religião.

“ E, levantando-se, expulsaram-No da cidade e o levaram até o cimo do monte sobre o qual a cidade estava edificada, para de lá o precipitarem abaixo, mas Jesus passando por entre eles, retirou-se” Lc 4:29-30. Um acontecimento narrado imediatamente após a tentação do deserto. Os corações dos fariseus estavam cheios de raiva e também inflamados pelo diabo. O cristão que se entrega inteiramente ao serviço do Reino de Deus, irá encontrar oposição. Quanto maior a obra, maiores os inimigos. Apóstolo Paulo confidenciou nas epístolas: “porque uma porta grande e eficaz se me abriu;e há muitos adversários” I Cor 16:9.

Jesus não tropeçou em pedra alguma, mas Ele mesmo foi ( É) a Pedra em que muitos tropeçam.(Atos 4:11) quando não creem, quando O rejeitam. Ele foi morto e ressuscitado, e por essa o diabo não esperava. Ele pensou haver derrotado Jesus, escarneceu Dele em todo o tempo ao caminho da cruz: “ se tú és o rei dos judeus, salva-te a ti mesmo” (Lucas 23:37). Quanta semelhança entre a fala dos soldados romanos e a do diabo no deserto. Mas Jesus não precisava provar que era filho, Ele sabia que era.

A voz do mal

Sempre tenta nos afastar do amor de Deus, colocar dúvidas em nossa mente sobre o amor que nos salva ( Jesus Cristo). O mal se apresenta como o pão, em tempos de fome. Como saber discernir? Como escolher o que vem de Deus? Nenhum de nós está livre de escolhas erradas, eu já errei. Já me enganei entre bem e mal. Entre vontade humana e direção Divina. Sei que não sou super e que super-homens não existem, a não ser na teoria de Nietzsche e nas telas do cinema. E estes, são igualmente miseráveis porque representam uma utopia. O homem não pode viver sem Deus e o super do cinema, sequer voa, a não ser quando sustentado por cabos de aço.

Necessitamos buscar a Deus todos os dias, como se fosse nosso último dia de vida. Porque é no deserto que bem e mal se encontram, é em um coração humilde e contrito, totalmente dependente de Deus, que se ouve Sua vontade. A maravilhosa notícia é que perto de Deus, erros nos transformam em pessoas mais fortes e melhores, não como uma doutrina de carma ou evolução, como creem algumas religiões, mas em pessoas mais próximas do Filho Jesus, por amor e temor ao Pai.

Erros, podem ser perdoados, e o são a todo que pede perdão e se arrepende. Mas as consequências existirão. Abraão sofreu as consequências de uma escolha errada, Ismael filho de Agar, provocou tantas desavenças e conflitos que perduram até nossos dias. Davi, pelo pecado do adultério, pagou caro, muito caro: viu morte e desgraça em sua família. Sansão perdeu literalmente a visão porque a visão do Reino já lhe era perdida. Mas a todos esses, Deus ressuscitou sonhos e promessas. Os fez acreditar novamente, porque as misericórdias do Senhor, se renovam a cada manhã e não têm fim ( Lm 3:22). Porque os planos de Deus não se frustram, na vida dos que O amam e O buscam com todo o coração. Selá.

Não tenhamos medo

De renunciar ao mundo e recebermos a Jesus Cristo em nosso coração. O que Ele tem a nos oferecer é maior e melhor que toda proposta do mal. Olhemos para a tentação no deserto, ela nos diz que mesmo que sejamos fracos, a Palavra de Deus nos torna fortes. “Porque o Senhor é a minha força”. ( Habacuque 3:19) . Quarenta dias sem comer e sem beber, o corpo fraco, mas o espírito forte, porque estava alimentado com a Palavra de vida, a Única capaz de livrar o homem do inferno e da morte eterna, a Única capaz de nos dirigir com segurança nas escolhas da vida. A Palavra, é o maior sinal de que Deus nos ama e Se revelou para humanidade, através de Jesus. Lembremos que bem e mal se encontram no deserto, da vida e da morte. Bem e mal, sobre essas escolhas está firmada nossas vidas.

Deus o abençoe

Perdoar: Um ato de amor


O cristão mais se assemelha com Deus quando exercita o perdão. E Paulo dá muita ênfase no perdão entre os irmãos (Cl 3.13 e Ef 4.32).
Paulo faz um pedido para Filemom: Pois bem, ainda que eu sinta plena liberdade em Cristo para te ordenar o que convém, prefiro, todavia, solicitar em n-ome do amor, sendo o que sou, Paulo, o velho e, agora, até prisioneiro de Cristo Jesus (Fm 8-9). Ele está consciente da sua autoridade, mas abre mão dessa prerrogativa, e pede em nome do amor. E o que significava o amor para Paulo? (1) O amor é uma dívida impagável – Rm 13.8. (2) O cumprimento da lei é o amor – Rm 13.9-10. (3) O amor é o fruto do Espírito Santo – Gl 5.22-23. (4) O amor é o dom perfeito e eterno – 1Co13. (5) O amor é a motivação para o serviço – 2Co 4.5 e 5.14-15. ( 6) O amor se revela pela abnegação em servir aos irmãos (1Ts 3.2; 4.9-10).
Aqui em Filemom, o amor se expressa pelo perdão. Paulo pede a Filemom que perdoe a Onésimo: Sim, solicito-te em favor do meu filho Onésimo, que gerei entre algemas (Fm 10).
Paulo reconhece que, antes de sua conversão, Onésimo tinha dado prejuízo a Filemom, provavelmente, roubando-lhe e fugindo para Roma: Ele, antes, te foi inútil (Fm 11).
Agora, porém, ele havia se convertido, e era útil: atualmente, porém, é útil a ti e a mim(Fm 11). Paulo, então, pede que Onésimo seja perdoado e recebido por Filemom.
Paulo usa os seguintes argumentos para Filemom perdoar a Onésimo:
Você deve perdoar e aceitar Onésimo porque você é um cristão (Fm 4-7).
Você deve perdoar e aceitar Onésimo porque tudo que aconteceu faz parte do plano de Deus (Fm 15)
Você deve perdoar e aceitar Onésimo porque agora ele é seu irmão na fé (Fm 16).
Você deve perdoar e aceitar Onésimo como se estivesse recebendo a mim (Fm 17)
Você deve perdoar e aceitar Onésimo porque estou disposto a pagar qualquer prejuízo que ele te deu (Fm 18).
Você deve perdoar e aceitar Onésimo porque assim como ele é meu filho na fé, você também é (Fm 19).
Você deve perdoar e aceitar Onésimo para que a sua atitude reanime o meu coração (Fm 20).
Você deve perdoar e aceitar Onésimo porque eu sei da sua obediência e da sua grande generosidade (Fm 21).
Meu irmão, talvez você esteja chateado e triste com alguém que lhe ofendeu ou lhe deu algum prejuízo. Você tem motivo de sobras para justificar a raiva que você está sentido. Você de fato é a vítima. Lembre-se, porém, que você é um cristão e tem sido alvo do infinito perdão de Deus.
E Ele pede que você ame e perdoe esta pessoa que lhe prejudicou. Precisamos perdoar aqueles que nos devem. O perdão nos faz semelhantes a Deus.

O MARAVILHOSO DOM DE PERDOAR


O MARAVILHOSO DOM DE PERDOAR

Mar. 11:25: “E, quando estiveres orando, perdoai, se tendes alguma coisa contra alguém, para que vosso Pai, que está nos céus, vos perdoe as vossas ofensas”. Ler: Mat. 18:15-22

Perdoar sempre

Levar os crentes a compreenderem e a sentirem o malefício da falta de perdão e as terríveis conseqüências de não perdoarem.
Deus quer que os seus filhos estejam livres de ressentimento, crítica e atitudes que revelem falta de perdão. Se o cristão não é capaz de pedir perdão e o ofendido não se sente disposto a perdoar, ambos correm o risco de impedirem o fluir da unção do Espírito Santo nas suas vidas e no seu ministério. Quem não perdoa não é perdoado; e o cristão não pode Ter comunhão com Deus sem ser perdoado.

A doutrina do perdão está diretamente ligada à essência divina do amor. Ela é a base fundamental da fé cristã. Nosso Senhor Jesus Cristo teve o cuidado primário de ensinar os seus discípulos sobre a condição imposta pelo Pai na oração modelo: “Perdoa as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido... Porque se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celestial vos perdoará a vós; se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai não perdoará as vossa ofensas” (Mat. 6:12,14,15).

1. DEUS PERDOA-NOS

a) Deus providenciou um plano perfeito, através do qual o nosso passado pode ser limpo e sermos totalmente perdoados, mas esse plano exige arrependimento do agressor – Is. Prov. 28:13; Is. 1:17,18; 43:25; 55:7; Act. 3:19; I Jo. 1:9.

b) Logo que Deus perdoa os nosso pecados Ele esquece para sempre – Jer. 31:34; Heb.8:12; 10:17.

c) Se Deus perdoa e esquece, lançando os nossos pecados no mar do esquecimento, porque não fazemos nós o mesmo? – Miq. 7:19. Deus tem tanta aversão aos nossos pecados que os afasta para bem longe da sua lembrança - Sal. 103:12.
Para nós, humanos, é-nos difícil esquecer; mas quando perdoamos podemos viver de modo que essa lembrança não afecte o relacionamento com a pessoa a quem perdoamos.

2. A FALTA DE PERDÃO

a) A falta de perdão entre duas pessoas causa deterioração no relacionamento. Cria afastamento e gera ressentimento – Ef. 4:32.

b) A falta de perdão é gerada pelo nosso orgulho que se sobrepõe ao nosso ego ferido. Este cega o nosso entendimento e torna-nos insensíveis à Palavra de Deus – Sal. 119:70; Ef. 4:19.

c) A falta de perdão quebra o nosso relacionamento com Deus e com o Espírito Santo e somos vencidos por Satanás – II Cor. 2:10.
Por este motivo e para fazermos a vontade de Deus devemos perdoar – Col. 3:12,13.

3. PERDOAR SEMPRE

a) Jesus ensina-nos a perdoar sempre que sejamos ofendidos, mesmo que seja à mesma pessoa – Mat. 18: 21,22.

b) Perdoar, significa “desatar”, “desligar”, “soltar as correias”, “deixar ir”. Então, perdoar quer dizer que nós temos de soltar o ofensor. Jesus ensina que o que nós ligarmos na terra será ligado no céu; e o que desligarmos na terra será desligado no céu – Mat. 18:18.

c) Ao perdoar soltamos a pessoa que nos ofendeu. Ela fica desligada, fica livre e nós também. Jesus ensina-nos “Soltai (perdoai) e soltar-vos-ão (perdoar-vos-ão)” – Luc. 6:37.

Perdoar é um acto da alma mediante o qual a pessoa ofendida permite que o seu ofensor fique livre (seja solto), esquecendo-se então da ofensa.

O Que Significa Perdoar?

    O Que Significa Perdoar?

José tinha apenas dezessete anos quando seus irmãos, friamente, venderam-no para a escravidão. Separado de sua família e do seu país, ele atingiu a posição de supervisor da casa de Potifar, seu senhor egípcio. Mas o desastre atingiu-o novamente. Ele recusou os avanços sexuais da esposa de Potifar e ela acusou-o falsamente de assediá-la. Ele foi posto na prisão, onde, mais uma vez, o Senhor estava com ele e se tornou o supervisor dos outros prisioneiros. José permaneceu nessa prisão pelo menos durante dois anos (Gênesis 37; 39).
Faraó, rei do Egito, teve um sonho e desejava sua interpretação. José foi capaz, pelo poder de Deus, de interpretar o sonho de Faraó e foi exaltado a uma posição de poder próxima à do próprio Faraó. Este fê-lo encarregado da armazenagem e da distribuição dos cereais em toda a terra do Egito. Foi depois disto que os irmãos de José vieram ao Egito para comprar cereais. Estava dentro do poder de José tomar vingança contra aqueles que tinham pecado contra ele tantos anos atrás. Contudo, a Bíblia nos conta que José experimentou seus irmãos e, tendo visto o arrependimento deles, recebeu-os com lágrimas e afeto (Gênesis 45:1-15). Ele os tinha perdoado por seu pecado.
Muitas pessoas não perdoariam, como José o fez. Não é fácil, freqüentemente, perdoar, e quanto maior a intimidade que temos com aquele que peca contra nós, mais difícil é perdoá-lo. As Escrituras nos ensinam, contudo, que a má vontade em perdoar os outros nos retira o perdão divino. Jesus ensinou: "Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celeste vos perdoará; se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, tampouco vosso Pai vos perdoará as vossas ofensas" (Mateus 6:14-15). Desde que todos os indivíduos responsáveis diante de Deus necessitam de perdão, é portanto indispensável que entendamos e pratiquemos o perdão.
O que é o Perdão?
A palavra grega traduzida como "perdoar" significa literalmente cancelar ou remir. Significa a liberação ou cancelamento de uma obrigação e foi algumas vezes usada no sentido de perdoar um débito financeiro. Para entendermos o significado desta palavra dentro do conceito bíblico de perdão, precisamos entender que o pecador é um devedor espiritual. Até Jesus usou esta linguagem figurativa quando ensinou aos discípulos como orar: "e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores" (Mateus 6:12). Uma pessoa se torna devedora quando transgride a lei de Deus (1 João 3:4). Cada pessoa que peca precisa suportar a culpa de sua própria transgressão (Ezequiel 18:4,20) e o justo castigo do pecado resultante (Romanos 6:23). Ele ocupa a posição de pecador aos olhos de Deus e perde sua comunhão com Deus (Isaías 59:1-2; 1 João 1:5-7).
A boa nova do evangelho é que Jesus pagou o preço por nossos pecados com sua morte na cruz. Quando aceitamos o convite para a salvação através de nossa obediência aos mandamentos de Deus, ele aceita a morte de Jesus como o pagamento de nossos pecados e nos livra da culpa por nossas transgressões. Não ficamos mais na posição de infratores da lei ou devedores diante de Deus. Somos perdoados!
O perdão, então, é um ato no qual o ofendido livra o ofensor do pecado, liberta-o da culpa pelo pecado. Este é o sentido pelo qual Deus “esquece” quando perdoa (Hebreus 8:12). Não que a memória de Deus seja fraca. Por exemplo, Deus lembrou-se do pecado de Davi a respeito de Bate-Seba e Urias muito tempo depois que Davi tinha sido perdoado (2 Samuel 12:13; 1 Reis 15:5). Ele liberta a pessoa perdoada da dívida do seu pecado, isto é, cessa de imputar a culpa desse pecado à pessoa perdoada (veja Romanos 4:7-8).
O Perdão é Condicional
É importante entender que o perdão de Deus é condicional. Deus perdoa livremente no sentido que ele não exige a morte do pecador que responde a seu convite de salvação, permitindo que a morte de Jesus pague a pena por seus pecados. Contudo, Deus exige fé, arrependimento, confissão de fé e batismo como condições para o perdão do pecador estranho (Marcos 16:16; Atos 2:37-38; 8:35-38; Romanos 10:9-10). O perdão é também condicional para o cristão que peca. O arrependimento, a mudança de pensamento, precisam ocorrer antes que o perdão divino seja estendido (Atos 8:22). Deus nos chama a perdoar assim como ele perdoa. Quando alguém peca contra mim, ele se torna um transgressor da lei de Cristo. Eu o considero um pecador. Se ele se arrepende e pede para ser perdoado, eu tenho que perdoá-lo, isto é, libertá-lo de sua culpa como transgressor. Quando eu o perdoo, não o considero mais um pecador. Posso não ser literalmente capaz de esquecer o pecado que ele cometeu mais do que Deus literalmente "esquece" nossos pecados, mas preciso deixar de atribuir a ele a culpa pelo seu pecado. Deste modo, eu o liberto de sua "dívida"”
E se o pecador não se arrepender? Tenho que perdoar aquele que peca contra mim, mas não se arrepende? Talvez esta pergunta seja melhor respondida pelas palavras de Jesus: "Acautelai-vos. Se teu irmão pecar contra ti, repreende-o; se ele se arrepender, perdoa-lhe. Se, por sete vezes no dia, pecar contra ti e, sete vezes, vier ter contigo, dizendo: Estou arrependido, perdoa-lhe"(Lucas 17:3-4). Jesus indicou que o perdão deveria ser estendido quando o pecador se arrepende e confessa seu pecado. Precisamos também lembrar que Deus sempre exige arrependimento como condição de divino perdão. Deus não exige de nós o que ele mesmo não está querendo fazer.
Perdão Não É . . .
De fato, se libertamos o pecador de sua culpa sem arrependimento, encorajamo-lo a continuar em seus modos destruidores. O perdão não é a desculpa pelo pecado. Algumas pessoas "esquecem," isto é, ignoram os pecados cometidos contra elas porque têm medo de enfrentar o pecador. Entretanto a Bíblia é bem explícita sobre o curso da ação a ser seguida quando um irmão peca contra mim (Lucas 17:3; Mateus 18:15-17). O perdão fala de misericórdia, mas não deverá ser confundido com a tolerância e permissão do pecado. O Senhor perdoará ou punirá o pecador, dependendo da reação do pecador ao evangelho, mas ele não tolera a iniquidade.
A Bíblia ensina que o direito de vingança pertence ao Senhor (Romanos 12:17-21). O perdão, contudo, não é simplesmente uma recusa a tirar vingança. Algumas vezes a pessoa ofendida abstém-se de responder ao mal com o mal, mas não está querendo libertar o pecador de sua condição de transgressor mesmo quando o pecador se arrepende. A pessoa contra quem se pecou pode querer usar o pecado como um cacete para castigar o pecador, mencionando-o de vez em quando para vergonha do pecador. Se perdoo meu irmão, tenho que "esquecer" seu pecado no sentido que não mais o atribuo a ele.
O perdão não é a remoção das consequências temporais de nosso pecado. O homem que assassina outro pode arrepender-se e procurar o perdão, mas ainda assim sofrerá o castigo temporal da lei humana. Mesmo se perdoado, pode ter que passar o resto de sua vida na prisão. O perdão remove as consequências eternas do pecado!
Como Posso Perdoar?
O pecado danifica as relações entre as pessoas como prejudica nossa relação com nosso Criador. A pessoa contra quem se pecou frequentemente se sente ferida, talvez irada pela injustiça do pecado cometido. O perdão é necessário para a cura espiritual da relação, mas precisamos preparar nossos corações para perdoar. Precisamos aceitar a injustiça do ferimento, a deslealdade do pecado, e ficarmos prontos para perdoar (observe os exemplos de Jesus e Estevão; Lucas 23:34; Atos 7:60). Mesmo se o pecador se recusar a se arrepender, não podemos continuar a nutrir a raiva, ou ela se tornará em ódio e amargura (veja Efésios 4:26-27,31-32). Ainda que o pecador possa manter sua posição como transgressor por causa de sua recusa a se arrepender, seu pecado não deverá dominar meu estado emocional.
E se o pecador se arrepender? Como posso aprender a perdoar? Jesus contou uma parábola sobre um servo que devia uma quantia enorme (10.000 talentos) ao seu rei (Mateus 18:23-35). Ele era incapaz de pagar a dívida e implorou ao rei por compaixão. O rei perdoou-o por sua enorme dívida, mas este servo prontamente saiu e encontrou um dos seus companheiros servos que devia a ele uma quantia relativamente pequena e exigiu pagamento, agarrando-o pelo pescoço. Ainda que o companheiro de servidão implorasse por compaixão, o credor entregou-o à prisão. Quando o rei foi informado dos atos de seu servo incompassivo, irou-se e reprovou este servo, entregando-o aos torturadores até que ele pagasse totalmente sua dívida. É claro que estamos representados na parábola pelo servo que tinha uma dívida enorme. Não há comparação entre as ofensas que temos cometido contra Deus e aquelas que têm sido cometidas contra nós. Jesus observou que, justo como no caso do servo não misericordioso, o Pai não nos perdoará por nossas infraçõe se não perdoarmos nossos companheiros (18:35; veja também Mateus 5:7).
Para nos prepararmos para perdoar, precisamos lembrar que nós mesmos somos pecadores e necessitados do perdão divino (Romanos 3:23). No caso do cristão, Deus já lhe perdoou uma imensa dívida no momento do batismo. Quando nos lembramos da grandeza da dívida que Deus quer nos perdoar, certamente podemos perdoar aqueles que nos devem muito menos em comparação (Efésios 4:32; Colossenses 3:13).